Estratégia do GP dos EUA e o momento crucial para Kimi

A história de uma corrida que termina com três carros de três equipes diferentes muito próximos nunca é fácil de contar. Ainda mais quando o primeiro destes três pilotos é o último que se esperaria que estaria ali. Kimi Raikkonen fez uma corrida fantástica para vencer novamente na F-1 depois de mais de cinco anos, mostrando o que seu companheiro Sebastian Vettel poderia ter feito pelo campeonato.

Mas parece que o alemão tinha outros planos, e os dois erros bobos de Austin já fazem muita gente no paddock acreditar em autosabotagem. Vettel parece querer que o campeonato acabe logo para tentar colocar a ordem na casa. Mas Kimi tem outros planos.

O finlandês sabia que Hamilton não arriscaria tudo na largada e foi para cima, aproveitando que o segundo colocado fica do lado de dentro da primeira curva em Austin, e ganhou uma posição na primeira volta pela primeira vez desde o GP de Abu Dhabi de 2016.

Mas o momento chave da corrida foi quando Raikkonen, com os ultramacios bem gastos, segurou Hamilton de macios novos até fazer sua parada, fazendo o rival perder pelo menos 8s que seriam cruciais para sua corrida. Enquanto, via rádio, pedia à equipe para que não fizesse nenhuma besteira, um exemplo vindo de dentro do cockpit que tem faltado à Ferrari neste ano.

Ali, a corrida de Hamilton já estava comprometida pela parada prematura, na volta 12. Talvez com o fantasma da Áustria na cabeça, a Mercedes resolveu instruí-lo a fazer o contrário em relação ao que Raikkonen faria durante o VSC. Naquele momento, já estava clara a dificuldade de seguir um carro de perto em Austin sem acabar com os pneus, o que se acentuou neste ano porque os acertos não eram os ideais, devido à chuva de sexta e o aumento da pressão determinada pela Pirelli no sábado à noite, algo que aumenta a zona de contato do pneu com o asfalto. Soma-se a isso o fato de uma parada com VSC gerar perda de 10s ao invés dos 23s de uma parada normal, e a Mercedes julgou que era a hora de arriscar trocar a estratégia para uma de duas paradas.

O time não apostava que Raikkonen conseguiria se manter por mais tanto tempo na pista a ponto de segurar Hamilton, e que o inglês teria tantos problemas de bolhas.

A situação de Hamilton piorou de vez quando a Mercedes focou demais em deixá-lo na pista para ele tentar chegar em Raikkonen no final, com pneus consideravelmente mais novos, e deixou passar a oportunidade de pará-lo antes que a diferença para Verstappen fosse menor do que de um pit stop.

Verstappen tinha largado com o pneu macio, saindo de 18º, e já ao final da primeira volta era nono. Tento se livrado da “F1 B” antes da primeira parada, faria a segunda metade da prova com os supermacios, que naquelas condições de clima (fazia muito mais calor no domingo do que no sábado) e pressão bem mais favoráveis ao composto, algo que inclusive a Mercedes deixou passar pensando no último stint de Hamilton.

Demorando a fazer a segunda parada e não usando o melhor composto naquele momento, Hamilton voltou atrás de Raikkonen e Verstappen. Seria o encontro não só de três pilotos e equipes diferentes, como também de estratégias distintas.

Hamilton atacou Verstappen com bastante respeito, e acabou derrapando nos restos de pneu e não teve mais chances de tentar a manobra, enquanto a briga deu um respiro para Raikkonen finalmente voltar ao lugar mais alto do pódio.

Mais atrás, após mais uma corrida de recuperação devido ao toque com Ricciardo na primeira volta, Vettel saiu de seu pitstop com 20s de desvantagem para Valtteri Bottas, que deixou claro que a Mercedes teve problemas com os pneus, arrastando-se no final de seus stints, o que gerou a suspeita de que as aberturas nas rodas do carro alemão, tapadas por recomendação da FIA, que ainda não decidiu se elas são legais ou parecidas demais com a solução que a Red Bull usou no passado e que foi banida, foram fundamentais para que o time se livrasse de seu maior problema neste ano, o superaquecimento dos pneus.

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Com o campeonato quase decidido, todos os olhos estarão para as tais rodas neste fim de semana no México, junto da expectativa de mais uma corrida aberta agora que não dá mais para cravar quem vai sair na frente.

4 comentários sobre “Estratégia do GP dos EUA e o momento crucial para Kimi

  1. “A situação de Hamilton piorou de vez quando a Mercedes focou demais em deixá-lo na pista para ele tentar chegar em Raikkonen no final”
    A confiança de que o Luís Amilton vai tirar uma cartola do coelho é tanta, que os estrategistas da Mercedes acabaram ficando burros. Embora eu esteja inclinado a acreditar de que Lewis sabe que precisa apenas administrar e não ter nenhum abandono para levar o caneco daí o respeito ao tentar a ultrapassarem sobre Max Verstappen.
    Caso contrário ele teria retirado a cartola do coelho.
    Grande abraço a todos do Blog!

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  2. Parece que duas coisas determinaram o sucesso da Ferrari e o fracasso da Mercedes nessa corrida: O abandono do “aro novo” Mercedes “eliminador de calor” dos pneus por medo de queixa da Ferrari, e a retirada de algumas atualizações no carro vermelho, confere Ju?

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  3. Parabéns pela matéria,bem colocada todas as palavras bem explicado oq aconteceu na corrida pq não pude assistir por motivos pessoais mas a matéria me mostrou como foi o gde prêmio dos EUA parabéns mais uma vez.

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