Na adversidade

“A corrida foi horrível”, exclamou um Lewis Hamilton ao mesmo tempo com olhos marejados e um sorriso enorme no rosto. Não era para menos: ele havia acabado de conquistar o pentacampeonato de uma maneira que conhece bem. Em uma corrida que acabou se complicando mais do que ele mesmo esperava.

Hamilton parece estar destinado a sofrer em decisões de título. A primeira dispensa apresentações, naquele domingo épico em Interlagos com toques de crueldade por ter acontecido 12 meses depois do mesmo Hamilton ter jogado fora um campeonato praticamente ganho em seu ano de estreia. E por isso foi tão importante deixar de lado qualquer estigma que pudesse surgir de piloto que treme em decisões.

Até porque o restante da carreira dele provou que esse não era o caso.

2014 foi uma exceção, mas de lá para cá, mesmo com a Mercedes tendo grande vantagem ainda em 2015 e menos em 2017, Hamilton sempre teria decisões de título complicadas, como se o acaso quisesse carimbar sua faixa.

Em 2015, ele levou o tri depois de uma batalha épica com Rosberg na chuva em Austin. E não precisava: ele ainda teria mais três chances de ser campeão, mas quis arriscar tudo naquela corrida, e venceu.

Dois anos depois, sua missão parecia simples no México, mas começou a se complicar após um toque com Sebastian Vettel na largada, caiu para o fundo pelotão e foi campeão com um nono lugar – e o carro bem danificado.

Parece paradoxal que o piloto que esteve na melhor equipe nos últimos anos e que também começou a corrida em um time muito forte cresça tanto em momentos de adversidade. E isso nunca ficou tão claro quanto neste ano, na sequência entre Alemanha e Itália, quando a Mercedes não era páreo para a Ferrari em condições normais.

Perguntei a ele como ele viveu aquela parte do campeonato e ele voltou no tempo, relembrando como, na época em que o pai tinha três empregos para mantê-lo no kart, ele ia para a pista sabendo que o equipamento dele era bem inferior, mas era o que ele tinha em mãos.

Mas ainda faltam duas corridas para o fim do campeonato e a Ferrari conseguiu manter a batalha viva colocando os dois pilotos no pódio no México. E certamente a questão das rodas com aberturas para dissipar o calor dos pneus vai voltar a ter protagonismo após mais uma corrida em que as Mercedes cozinharam sua borracha. Ainda mais com a próxima prova sendo no Brasil, onde o asfalto costuma estar em altas temperaturas.

Isso, certamente, é uma adversidade. Mas parece que a Mercedes tem em seu cockpit o melhor antídoto para isso.

6 comentários sobre “Na adversidade

  1. Bom dia Ju , desculpe ser repetitivo mas pq não teve nenhuma repercussão uma entrevista de Massa a Rosberg , só a vejo em inglês no YouTube ?

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  2. Campeonato onde quem venceu foi o melhor piloto e não o melhor carro. Mesmo que a ferrari leve o caneco entre os construtores, essa definição vai se perpetuar pela eternidade sobre o campeonato de 2018 da F1.

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  3. Parabéns pelo excelente texto sobre o título do Lewis, também acompanho seus vídeos no Boteco e você descreveu com maestria o que foi a temporada de 2018!

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  4. As duas últimas corridas fizeram lembrar o começo do campeonato, quando a Mercedes classificava bem nas não capitalizava porque não se entedia com os pneus na corrida, a Ferrari tinha o melhor ritmo e crescia durante a prova, e a RBR roubava uma ou outra vitória.

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