Turistando no GP do Brasil: um guia de sobrevivência

Fiquei pensando se valia a pena fazer para o GP Brasil o mesmo estilo de postagem que os demais da série turistando deste ano, mas imagino que muita gente ainda sonha em visitar Interlagos porque, vamos combinar, os ingressos não são baratos e a cidade (que já não é nenhuma barganha normalmente) costuma se inflacionar também. Mas, aconteça o que acontecer, leve uma boa capa de chuva e se prepare para viver quatro estações do ano em um dia!

Para quem viu o vídeo que postei contando minha experiência na arquibancada A em 2008, quando chegaram a tentar tirar minha blusa sem eu perceber. Eu sei que os caras que estavam ao meu redor passaram de qualquer limite, mas isso não significa que o discurso de “não é tudo isso, é só ir de roupa larga e não ir no banheiro sozinha” sirva de consolo. Mesmo falar alguma coisa para uma mulher que esteja passando do seu lado que você não conheça já constrange. Para nós, é “a parte chata” de Interlagos. E não precisava ser assim.

Ah, mas autódromo está cheio de homem bêbado em grupo e você sabe como eles são… pois bem, vou contar outra história. Meses antes daquele GP do Brasil, estava em Valência, no GP da Europa, sozinha na arquibancada. Aquela pista era do lado da praia e fazia um calor infernal, perto dos 40ºC (não por acaso, depois tiraram aquela corrida do mês de agosto, auge do verão europeu, porque era impraticável). Vi que algumas mulheres estavam na arquibancada com a parte de cima do biquini e shorts, mas todas estavam acompanhadas por homens. Decidi fazer o mesmo e ver no que dava, mesmo estando sozinha. Sabe o que aconteceu? Nada. Absolutamente nada. E olha que a Espanha não é das sociedades mais igualitárias da Europa.

Voltemos ao Brasil?

Compre ingresso para: setor A

Não é o melhor, especialmente se chover, mas tem um dos melhores custos-benefícios da temporada se levarmos em consideração a vista, que pega a subida do café e a reta e boa parte do miolo. Infelizmente, como não se respeita a numeração dos ingressos, é preciso chegar cedo para ter a melhor vista (e, quem sabe, pegar a sombra da árvore), já que é um setor bem grande. O preço é de 870 reais.

Hospede-se em: Morumbi, Berrini (qualquer lugar perto da linha esmeralda da CPTM)

Ok, o melhor mesmo é encontrar uma vaguinha na casa de amigos caso você não more em São Paulo. Mas é preciso levar em consideração o tempo que pode ser perdido de carro ou de transporte público. Por conta disso, o melhor é ficar o mais perto possível da pista, sem ficar exatamente em Interlagos, que não é das áreas mais charmosas da capital paulista. Mas se conhecer alguém em Campo Belo…

Vá de: trem + Uber

A dica é não ir até a estação Interlagos, parar um pouco antes, e completar com Uber. Digo isso para quem vai ficar no setor A, já que é uma bela caminhada desde a estação até lá em cima. Também há a opção do Expresso da SPTrans por cerca de 40 reais por dia. É fácil, mas tem a questão do trânsito especialmente na sexta. Sábado e domingo costuma ser mais tranquilo para chegar.

Quanto fica?

Essa pergunta é difícil de responder, porque a passagem vai depender de onde você está vindo, obviamente. A hospedagem dá para garantir por cerca de 1000 reais e São Paulo é uma cidade cara, então serão pelo menos 500 reais de gastos extras para o GP. Isso, se você não resolver se embebedar no circuito, mas essa dica vale para todas as pistas do calendário!

6 comentários sobre “Turistando no GP do Brasil: um guia de sobrevivência

  1. A última vez que fui ao GP Brasil foi em 2009.
    O sábado foi um caos com muita chuva, a classificação mais longa da história da F1 e uma longa volta para casa totalmente molhado. No domingo um sol de rachar sem protetor solar, uma briga por causa de lugares na arquibancada e uma longa volta para casa totalmente queimado.

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  2. Saindo um pouco da F-1 e falando sobre o tratamento dado as mulheres.
    Recentemente fui a Santiago.
    Lá existem os famosos “Cafes con Piernas”.
    As atendentes trabalham com mini-saias e shorts curtos.
    E sabe como são tratadas?
    Com a maior normalidade do mundo.
    Não são tratadas como se elas fizessem parte do cardápio…
    Não consegui evitar de pensar no famoso bordão “ah se fosse no Brasil…”

    Imbecis existem em todos lugares, mas parece que em alguns eles ficam mais concentrados…

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  3. Eu fui em 2004 quando o Rubinho fez a pole de Ferrari e fui o ano passado, sempre no setor A.

    A chegada em 2004 foi de carro bem antes de chegar ao autódromo, e depois uma bela caminhada e em 2017 de trem até a estação Interlagos e outra bela caminhada.

    A prefeitura poderia colocar ônibus circulares da estação Interlagos até a entrada do setor A, parando nos outros setores, uma vez que ali fica fechado ao trânsito. Poderiam tbm colocar a cerca para entrada no setor A do outro lado, pois quem chega pela estação de Interlagos tem que andar bem e quando vc acha que chegou, o começo da fila esta a uns 200m MAIS para frente. Não dá para entender.

    Fora esse problema de infra-estrutura para chegar, tem os problemas de infra-estrutura dentro do autódromo, pelo menos no setor A . Em 2004 os banheiros eram bem ruins ( banheiro de alvenaria do autódromo). Em 2017 os banheiros continuavam em reformas e fizeram uns banheiros provisórios feitos madeira, uma adaptação, mas o MAIOR problema é que vc conseguia do lado de fora, onde vc assiste a corrida ver a galera usando o mictório. Não colocaram um biombo, nada…e mais para o final a galera bêbada virava e saia LITERALMENTE com a coisa na mão. Digamos que ficar ali para ver a largada com mulheres e crianças não é algo muito bacana.

    Outro problema é como ninguém respeita os números e para vc achar a numeração é um parto, pois fica no concreto onde vc senta, a galera vai se tumultuando nos melhores lugares e vc tem que assistir a corrida em pé, ou chegar muito cedo e SEMPRE deixar alguém de olho no seu local.

    Em 2017 não tive problemas com segurança, muito pelo contrário, dentro do autódromo a galera se respeitava e vc podia deixar sua câmera no chão perto da galera que eles olhavam para vc e não teve problema algum. Isso foi bem bacana e positivo. Em 2004 tivemos problemas por que uma amiga torcia para o Shummy e a galera queria nos tirar de lá.

    A corrida em si curti mais em 2004, pois os motores V10 eram um show a parte. As reduções eram acompanhadas de uns “estalos” insanos e o poder dos freios na entrada dos boxes eram mais bacanas, mas continuam muito legais de acompanhar, mas agora os carros parecem que possuem motores de enceradeiras rsrs.

    Eu particularmente recomendo o setor M ( vi na stock ) e acredito que seja algo mais organizado. Se quer facilidade de chegar a turma do G é a mais fácil de chegar de trem. Pretendo ir em 2021( se ainda tivermos corridas aqui) mas ai no setor M.

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  4. Julianne,
    Em 2005 e 2008 fotografei uns caras com bonecas infláveis como se fossem “namoradas”.
    Fico pensando no tipo de sujeito que se preocupa em levar o brinquedinho para passear em evento esportivo.
    Imagine o cara na festa da firma……..

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  5. O Expresso da SP Trans é sim caro, mas bastante cômodo. Usei em 2016 e 2017, foi uma escolha de pagar para não ter dor de cabeça e preocupações e, a meu ver, valeu a pena.

    Levem muito protetor e levem uma boa capa de chuva. Não é mentira que se vive todas as estações do ano num dia, ou num fim de semana em Interlagos.

    Ano passado, no sábado, estava bem frio, tipo, 16°C, 18°C. Hamilton pagou o preço no começo da classificação por não aquecer os pneus e ir com sede demais ao Laranjinha. Mas no domingo fez muito calor e foi preciso se besuntar de protetor solar no setor A, mesmo tendo chegado às 7h para pegar um bom lugar debaixo das árvores.

    Porém, alerta: leve um protetor de boa qualidade. Em 2017 comprei o mais barato e estive em apuros no meio da corrida, quando suor misturado ao protetor começou a cair nos meus olhos e arder muito. Prefira desses protetores spray, que secam rápido na pele.

    Já em 2016, a capa de chuva não adiantou muito, tamanha era a chuva. Vá para o autódromo com um tênis velho, pois se chover, é provável que ele se estrague. E, terminada a corrida no setor A, identifique onde o pessoal do alicate está se alvoroçando para cortar o alambrado e invadir a pista. Você vai sentir uma euforia tão grande que é como se seu cérebro e seu corpo tivesse ligados numa tomada.

    Leve um power bank para o seu celular. Vc vai querer, com justiça, fazer fotos e vídeos para guardar, mas, chegando no início da manhã, pode ser que seu celular não aguentei bem até o final da corrida. E, na hora da prova, usar o app da F1 para acompanhar o Live Timing vai facilitar seu entendimento da prova.

    Não beba! Você pagou caro para viver um momento que só é possível uma vez no ano. Não pague mais caro para não aproveitar cada milésimo de segundo da experiência!

    Minha dicas são essas 😀

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  6. … um grande premio apenas para brasileiros ou ‘Indianas Jones’ do mundo. Nao se respeita mulheres, lugares na arquibancada, filas e etc. enfim… tudo o que o brasileiro esta’ acostumado e acha super normal mesmo pagando o alto valor do ingresso, o que denuncia que o dinheiro nao traz educacao. Ja’ tive experiencias, inclusive no Rio que acreditem era pior, e nao tenho saudade alguma principalmente quando assisto corridas em outros paises.

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