Drops do GP do Brasil com um pé no futuro

O primeiro GP Brasil sem brasileiros no grid passou sem grandes sustos. O público dos três dias, inclusive, foi maior do que ano passado – subindo de 141 mil ano passado para 150 mil no último fim de semana. Com isso, seguiu-se a linha de alta vista nos últimos anos

 

O interesse do público mesmo sem representantes aumentou a pressão sobre as conversas em relação ao futuro, que parece menos nebuloso do que há 12 meses. O prefeito Bruno Covas quer explorar eventos automobilísticos – além da F-1, WEC e Fórmula E – na cidade, entende que eles mais trazem do que tiram dinheiro de São Paulo, e divulgou que um orçamento de 43 milhões foi aprovado para terminar as obras no paddock.

 

Quanto à privatização, a sinalização é de que o projeto obrigará os novos donos a continuar realizando a corrida, e portanto a avaliação é de que isso não afetaria o futuro da prova e pode vir a ser até vantajoso.

 

A questão seria, claro, o dinheiro. Hoje a prova brasileira é subsidiada, uma posição que é especial no calendário. O contrato que começaria em 2021 seria diferente. Porém, o esquema de Ecclestone de cobrar uma fortuna anual dos promotores já está esgotado em vários lugares, especialmente onde, como ocorre no Brasil, o governo não está animado para colocar dinheiro.

 

Tudo parece bem encaminhado do lado brasileiro, mas a noção geral no paddock é de que a Liberty Media quer tirar a prova das mãos do promotor Tamas Rohonyi, alinhado de longa data de Bernie Ecclestone e visto como um entrave nas negociações.

 

Não por acaso, a pressão já começou, com a visita de Chase Carey ao Rio de Janeiro, que tenta recuperar a prova com a construção de um novo autódromo. Falei com o chefão da F1, que garantiu que a categoria quer um contrato por muitos anos com o Brasil. Não citou Interlagos especificamente.

 

Pelo menos um dos itens negativos da prova paulistana esteve longe das manchetes desta vez, a segurança. Ano passado, comentávamos como era simples resolver a questão, garantindo que o policiamento esperasse as pessoas que trabalham na F-1 a sair do circuito. E isso foi feito neste ano. Saí da pista perto das 22h no domingo e o policiamento ainda era forte. Resultado? Nenhuma ocorrência com o pessoal da F-1.

 

Ainda sobre os brasileiros, houve alguma confusão a respeito do papel de Pietro Fittipaldi na Haas ano que vem. O neto de Emerson estava animado em Interlagos e disse que faria sessões de FP1. Já seu novo chefe, Guenther Steiner – que até tirou uma com a minha cara quando apareci lá na equipe, dizendo “pronto, você tem seu piloto, agora quer o quê?” de tanto que eu enchi o saco dele durante o ano sobre o tema – disse que Pietro vai, sim, andar no carro para que eles tenham uma base de comparação, mas deixou implícito que ele vai precisar colocar a mão no bolso se quiser ir mais além, procedimento comum no meio do pelotão.

 

Já a última vaga entre os titulares ano que vem deve ficar com Robert Kubica. Falo deve porque ano passado a história foi parecida – havia o contrato, que nunca foi assinado, esperando que os russos chegassem com o dinheiro, o que aconteceu. No pé que está agora, foi batido o martelo e o anúncio será feito em Abu Dhabi.

 

O GP do Brasil deste ano marcou o primeiro evento meu juntamente com o Boteco F1 e não poderia ter sido melhor. As equipes fizeram a parte delas, cedendo tantos brindes que não sei se alguém saiu de lá de mãos vazias. E Sergio Sette Camara também marcou presença – e gostou tanto que já avisou que volta ano que vem! Espero que vocês tenham gostado e também voltem.

 

Aquela noite teve uma situação engraçada que acabei não contando no evento. Estava toda carregada com os brindes na saída de Interlagos quando vi um tal de Felipe Nasr por lá também, segurando o banco que tinha ganhado da sua ex-equipe, a Sauber. Ele me perguntou se também esperava pelo Uber e ofereceu carona. E lá fomos nós, relembrando aquela corridaça dele em Interlagos em 2016, com o porta-mala lotado de bonés e o tal banco, que ele estava levando para usar em seu simulador em Brasília.

 

No paddock, o cansaço geral era evidente. Os colegas brasileiros notaram como quem fez a temporada inteira está esgotado. Nossa impressão é que ninguém se recuperou das três corridas seguidas em junho-julho, e talvez o clima ruim que temos pego ultimamente tenha ajudado a esgotar todo mundo. Quem está particularmente cansado é Lewis Hamilton, que evitou ao máximo o contato com fãs no Brasil. Mas perguntei para se ele não era o caso de rever seu estilo de vida atribulado e ele disse que nunca vai mudar, que sempre foi assim. “Eu estou fazendo coisas grandiosas e esse é o preço”, disse. Mas avisou que não vai querer saber de um campeonato de F-1 de 25 corridas, número que dá arrepios em muita gente no paddock.

7 comentários sobre “Drops do GP do Brasil com um pé no futuro

  1. Parabéns pelo evento do Boteco da F1, tive o prazer de confirmar toda a competência desta jornalista! Foi o ponto mais alto de nossa viagem à São Paulo. E que grande prêmio, dos melhores do ano. Desejo sucesso ao Sergio Settecamara na nova jornada, Sempre simpático e muito maduro para idade. de novo PARABÉNS.

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  2. Ju, permita-me pontuar alguns do seus drops.

    – Sobre o publico, ter um piloto brasuza não é essencial.
    Ajuda bastante.
    Mas a saida é só os promotores promoverem o campeonato mundial como o que ele realmente é.
    Um campeonato mundial.
    Com os melhores do mundo.
    Hamilton, Vettel, Verstappen, Ricciardo, Leclerc, Ocon…
    Pro automobilismo isso é o equivalente a ter Messi, Cristiano Ronaldo, Mbappé…
    Só a nata.

    – Sobre os futuros novos donos do circuito, tomara que eles respeitem o que Interlagos tem de melhor, que é a melhor amplitude visual do mundo.
    Contruir prédios e tampar a visão do miolo, vai matar o circuito do ponto de vista de quem está nas arquibancadas.

    – Sobre o Pietro, que ele é pagante isso era mais que óbvio.
    Assim como outros e isso não o desmerece.
    Mas ele é bão como se diz no interior?
    Mas bão mesmo?
    Eu fico com uma leve impressão de que ele não está no nivel de outros jovens que hoje estão no grid.

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  3. Duvido muito que o Rio de Janeiro vá ter una corrida de F1 dentro dos próximos 20, basta olhar a situação da cidade atualmente, e digo pq sou carioca, é mais fácil colocar uma corrida em Curitiba, no circuito da Stock Car, do que ter uma no RJ.
    Cidade em frangalhos finaceiro, violência para todo lado e uma federação de automobilismo que permite que um circuito seja destruído sem que o circuito prometido esteja sequer começado. É só jogada do Chasey para pressionar SP mesmo.
    Olá Felipe!
    Dificiomente houve um piloto no grid que não fosse pagante, a Mercedes pagou uma fortuna pela estréia de um fulano chamado Michael Shumacher, o banco Santander sempre apoiou Fernando Alonso, todos os pilotos Red Bull eram patrocinados (de uma forma diferente, mas ainda assim patrocinados) pela lata de energéticos, assim como tantos outros.
    O grande problema é que a grana tem falado muito mais alto que o talento, vide o Ericsson que ficou 9 anos na Sauber, e permitiu que pilotos como Maldonado (como se esquecer do precursor dos pagantes?) que só foi campeão na GP2 correndo em seu quarto ano lá.
    Pilotos como Kimi Raikionen e Felipe Massa são cada vez mais raros na F1.
    Grande abraço a todos do Blog!

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    1. Nato, tudo bem?
      Leia com atenção, eu disse que o fato do Pietro ser pagante não o desmerece.
      Porque simplesmente essa é a regra do jogo.
      Você bem citou o caso do Schumacher e do Alonso.
      Agora… ele Pietro é realmente tudo isso?
      Veremos ele barbarizar igual outros que hoje frequentam o padock?
      Nivel Leclerc na qualificação de Interlagos?Verstappen na corrida?
      Vettel em Monza 2008?
      Tem uma geração monstruosamente talentosa hoje nas pistas.
      Adiciono Russell, Norris…
      E o incidente Ocon/Verstappen mostra que ninguém vai estender tapete vermelho pra ninguém…

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      1. Opa Felipe!
        Tudo bem sim e contigo?
        Reli o texto que escrevi e realmente pareceu que “coloquei palavras em seus dedos”, mas essa não foi a intenção, ela era mais colocar o fato de como é sutil o limiar entre um “piloto pagante” e um “piloto patrocinado” acho que colocando a diferença assim fica um pouco mais fácil de me fazer entender.
        A outra intenção era mencionar o fato de que pilotos que nunca levaram patrocínio (pelo menos acho que Raikkonen e Massa nunca levaram) é algo cada vez mais raro na F1. Se formos esmiuçar bem, quase todo o grid atual leva, ou já levou, grana às equipes de alguma forma e o do próximo ano também. O grande lance, e não estou escrevendo que você escreveu isso sobre o Pietro, é que isso passou a garantir vagas a pilotos que não tem talento suficiente para estar na F1.
        Sobre as duas questões não posso opinar muito, pois conheço pouco a carreira do Pietro, mas devo escrever que o pouco que conheço não me impressiona. Deixemos o tempo responder, isso é, se ele conseguir patrocínio para 2020.
        Gtande abraço a todos do Blog!

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  4. Julianne, tem como fazer no sábado o Boteco, ano quem?
    Meu trabalho não me liberou para ir sexta, mas queria tanto…=(

    Ademais, o trabalho de vocês é sensacional, gostei muito dos comentário do Caca durante a corrida, também!

    Até ano que vem!!!

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