Quem saiu ganhando em 2018

Hamilton: Costuma-se dizer que, entre o melhor e o pior piloto da Fórmula 1 há dois décimos, no máximo. O que diferencia os grandes dos demais não é a velocidade em si, mas a capacidade de se manter longe dos erros por mais tempo – e isso inclui erros dentro e fora da pista, mantendo a equipe a seu favor. E é por isso que Lewis Hamilton está caminhando para se tornar o maior da história da categoria. Claro que ele precisa manter a forma e isso não é nada fácil mas, como ele costuma repetir, sua motivação hoje em dia vem de “pensar grande e ir atrás”. E em 2018 ele teve atuações gigantes, como na Alemanha e na classificação de Cingapura, e ficou longe dos erros. Certamente sua melhor temporada na F-1.

 

Leclerc: Charles estreou com muita expectativa depois de arrasar a concorrência na F-2, e ainda conseguiu impressionar ainda mais em seu primeiro ano na F-1. Fez mais de 80% dos pontos da Sauber e foi de uma consistência ímpar. Mas talvez o que tenha mais chamado a atenção foi a maneira como reagiu às adversidades e à rápida promoção à Ferrari. Leclerc não começou o ano bem, mas virou o jogo com uma mudança de acerto em Baku, onde foi sexto. A partir dali não repetiu o erro e essa é sua marca mais importante: ele não é daqueles pilotos que sempre culpam fatores externos para seus insucessos. Na última metade do ano, manteve o ritmo mesmo com toda a atenção que ganhou após a confirmação na Ferrari, dando sinais de que pode complicar a vida do futuro companheiro Vettel.

 

Gasly: Pierre é daqueles que não consegue esconder quando se surpreende com um próprio resultado. Foi assim no Bahrein, quando ele foi quarto colocado, e na classificação em Suzuka, sob condições difíceis, quando colocou a Toro Rosso já bem defasada em termos de atualizações aerodinâmicas em sétimo na casa na Honda. Nada mal para um piloto que estava meio perdido dentro do programa de jovens pilotos da Red Bull, fazendo uma temporada de Super Fórmula para não ficar parado e andar com um carro forte, foi chamado às pressas para cobrir a ausência de Carlos Sainz e acabou, menos de um ano depois, ganhando a vaga de Daniel Ricciardo. Agora vai enfrentar um velho conhecido dos tempos de kart na Red Bull.

 

Raikkonen: Como ele pode estar nesta lista se terminou o ano saindo da Ferrari e indo para a Sauber? Enquanto Vettel exagerava nos erros e toques, Raikkonen – tirando aquele toque com Hamilton em Silverstone – teve uma temporada limpa e terminou o ano sendo responsável por 44% dos pontos da Ferrari, porcentagem muito maior do que nos anos anteriores, quando ele fez cerca de 30 a 35% dos pontos ferraristas. E o mais interessante foi ver como ele cresceu justamente depois daquele sábado à noite em Monza quando soube que estaria fora de Maranello no ano que vem (decisão tomada por Marchionne meses antes que visava dar sangue novo ao time e, por que não, tirar Vettel da zona de conforto). Até fora das pistas via-se um Kimi muito mais leve. O mesmo Kimi, aliás, que ganhou corrida com uma Lotus.

 

Magnussen (e com ele a Haas): Ele ainda recebeu “elogios” dos rivais, como “o piloto mais perigoso com quem eu corri” e coisas do tipo, mas Kevin Magnussen finalmente fez uma temporada que justifique sua presença no grid. Ele manteve um duelo igualado com Romain Grosjean durante o ano em classificações, mas foi muito mais efetivo nas corridas, marcando 56 pontos, contra 37 do companheiro, e sendo fundamental para o quinto lugar no mundial de construtores da Haas – por si só, um feito, ainda que empurrado pelo motor Ferrari – e foi por três vezes o melhor do resto. Não por acaso, desde que começaram os boatos de uma silly season que foi intensa, sua renovação era dada como certa. Em 2019 chega a parte mais complicada, a consistência.

Um comentário sobre “Quem saiu ganhando em 2018

  1. Kimi Raikkonen é um grande piloto, mas também é óbvio que não tem paciência para o mundo da f1 e os diversos compromissos da categoria atualmente.
    “Se isso significa dar menos entrevistas…”
    Palavras do próprio Kimi. Talvez por isso que deixa a categoria com apenas um título mundial embora tivesse potencial para mais. Se tá bom pra ele deixa estar.
    Hamilton adora toda a badalação e atenção da categoria, daí talvez dele deixar a categoria com uns seis títulos mundiais, quiça oito dependendo da forma da Mercedes nos próximos anos.
    É difícil explicar, mas o Gasly não me convence muito, tá ele tem resultados é inegável, mas ainda assim não convence. Vejamos ano que vem.
    Me surpreendi ao ver o Magnussen nessa lista, realmente inimaginável a cerca de um ano atrás, será que o “piloto mais perigoso da F1” vai crescer a ponto de pilotar para a Ferrari ou Mercedes? Será interessante ver.
    E falando em pilotar para equipes grandes Julianne, até que ponto (do ponto de vista de dentro do Paddock) os programas de pilotos juniores atrapalham e ajudam? Atualmente temos pilotos bons, com experiência e potencial para estar em equipes grandes, mas estão espalhados pelo meio do grid. Antes os pilotos estreiavam tarde na F1 (Senna só apareceu lá com os seus 24 anos, Damon Hill com os seus 28 se não me engano) e tinham uma carreira curta. Agora eles estreiam cedo, na casa dos 22 anos, e tem uma carreira longa. Até onde isso atrapalha e ajuda a F1?
    Seria legal ler a sua analise sobre isiso. a questão da idade.
    Grande abraço a todos do Blog.
    Grande beijo Julianne!

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