Vida de chefe

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Christian Horner (GBR) Red Bull Racing Team Principal, Maurizio Arrivabene (ITA) Ferrari Team Principal and Toto Wolff (AUT) Mercedes AMG F1 Director of Motorsport at Formula One World Championship, Rd15, Singapore Grand Prix, Practice, Marina Bay Street Circuit, Singapore, Friday 16 September 2016.

A vitória no GP da Itália foi apenas o começo de duas semanas insanas na vida de Lewis Hamilton. Afinal, setembro é o mês de lançamento das coleções de moda de Outono-Inverno e o inglês, que lançaria sua própria coleção em parceria com a Tommy Hilfiger justamente no intervalo entre Monza e Singapura, tinha que marcar presença no maior número de eventos que conseguisse.

Assim, ele foi para Londres, Nova York, voltou para Milão e, por fim, lançou sua coleção em Xangai antes de ir a Singapura. Lá, teve dificuldades com o carro na sexta-feira e tirou uma pole position de onde ninguém esperava. Daí, em um circuito de rua, já era meio caminho para mais uma vitória.

Não é por acaso que Toto Wolff aponta aquele sábado em Singapura como o momento em que seu piloto mais o impressionou. Hamilton tinha todos os motivos do mundo para estar esgotado, mas ainda assim foi o mais rápido em um circuito em que os pequenos erros custam caro.

Mas Toto deveria também impressionar-se consigo por não interferir neste enredo. Está no chefe da Mercedes uma parcela importante do nível que Hamilton atingiu neste ano. E, talvez, até mesmo na ausência de Niki Lauda após o transplante duplo de pulmão ao qual foi submetido no meio do ano.

Até porque o próprio Hamilton já disse que Niki ainda reluta em aceitar que esse seu estilo de vida pouco ortodoxo para qualquer atleta é importante para que ele renda bem na pista. Sua explicação é que, dessa maneira, segue desafiando sua mente, e isso o mantém em alto nível também nas pistas. Toto entendeu isso e diz que é esse seu trabalho: “não posso desenhar uma peça, mas posso entender do que o cara que pode desenhar precisa para fazer isso da melhor maneira possível”, ele costuma dizer. E, tendo um piloto com necessidades bem específicas, ele não poderia estar em um lugar melhor.

É o que Christian Horner parece estar tentando fazer com Max Verstappen. Depois do GP de Mônaco, quando o holandês jogou uma dobradinha no lixo, ele e Helmut Marko passaram a controlar as idas de Jos Verstappen às corridas, fazendo algumas experiências ao longo da temporada: ora Max estava completamente sozinho, ora com o empresário, ora com o pai.

A ideia não é entender a combinação que funciona melhor, mas sim ir dando confiança para que o piloto de 20 anos caminhe com suas próprias pernas. Desde os tempos de kart, a influência de Jos é muito dura, e a leitura de Horner é que ele faz com que Max tente pilotar mais que o carro. O diamante ainda não está 100% lapidado, mas é fato que o campeonato do holandês deu uma guinada justamente a partir do Canadá.

Quem não pode contar com o trunfo de um chefe que trabalha para ele é Sebastian Vettel. Maurizio Arrivabene não é apenas fraco, como também está mais focado em salvar o próprio pescoço do que comandar a equipe. Tanto, que na parte final do campeonato ele proferiu algumas palavras mais duras sobre o próprio time como se não tivesse percebido que o barco estava afundando fazia tempo.

Não é por acaso, portanto, que Vettel virou o próprio chefe na Ferrari, ao mesmo tempo em que tenta pilotar e fazer a estratégia de dentro do cockpit. A cada derrota, partiam dele as palavras de motivação, até o momento em que parecia que nem ele mesmo acreditava no que estava dizendo. E isso foi em algum lugar no espaço e no tempo entre Monza e Singapura…

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3 comentários Adicione o seu

  1. Isso certamente ajuda a explicar sobre o desempenho obtido pelos personagens mencionados neste post. Um chefe de equipe tem boa parcela no resultado obtido no ano, já que é o principal responsável pelos rumos tomados pela equipe na F1.

    Vettel desabou devido à crise de comando na Ferrari após a morte de Marchionne. Max terminou melhor graças ao apoio integral que recebeu da equipe depois do anúncio da saída de Ricciardo. E Hamilton alcançou o penta-campeonato amparado pela tranquilidade no comando da Mercedes pós-afastamento de Lauda.

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  2. Jose Vieira disse:

    Julianne, não consigo entender e como o Toto tornou-se o chefe de competição da mercedes sem ter vinculo aparente com a Daniler ate chegar onde chego?
    Fico imafinando o Vettel vivendo no inferno da arrogância se ele não fosse a imagem dos clichês de filmes ruins de corrida eu ficaria com pena dele

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  3. Douglas Scherer disse:

    Gostei da matéria. É a primeira que li, pois sou um grande fã do Toto e também sou novo aqui no blog.
    Parabéns, Julianne! Tu ganhaste mais um fã.
    Desejo muito sucesso!

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