Uma F1 boa demais é uma F1 previsível demais

O resultado da enquete que fiz há pouco tempo no blog deixou claro: os fãs estão sentindo falta de resultados menos previsíveis na F1. Indo mais a fundo no problema, quando se conversa com pilotos e gente do meio, o diagnóstico é de que a categoria tem de se repensar para evitar diferenças tão grandes entre as equipes. Afinal, com menos montadoras e, consequentemente, menos dinheiro, a excelência tende a se concentrar em menos mãos.

É fato que também há uma dose de falta de memória: quando foi a última vez que a F1 teve uma sequência de sete corridas com vencedores diferentes? Nos anos 80, ajudados pela falta de confiabilidade que, por si só, sempre foi a maior responsável por resultados aleatórios ao longo da história? Não, foi em 2012.

As sete primeiras corridas daquela temporada tiveram vencedores distintos e, na oitava, Fernando Alonso conquistou sua vitória mais impressionante da carreira, saindo de 11º para vencer na travada pista de Valência. Ou seja, outro resultado pra lá de inesperado. Depois, as equipes foram se encontrando com os pneus, grande motivo de toda aquela alternância de forças.

Em uma era na qual os abandonos se tornaram escassos e as simulações estão cada vez menos humanizadas – ou seja, menos propensas a erros humanos, o que vai da produção de peças a decisões estratégicas – é justamente a excelência da F1 que joga contra sua competitividade.

Quer outra prova disso? O campeonato da F1B, por exemplo, anda pra lá de disputado. São equipes ou com menos recursos, ou que não tiveram bala na agulha nos últimos anos para contratar grandes nomes e estão em reestruturação – como no caso de Renault, o que explica como Hulkenberg acabou sendo o “campeão moral” ano passado, principalmente devido aos resultados mais para o final da temporada, com a evolução do time. Ou seja, onde há menos excelência, a disputa é mais parelha.

Essa disparidade entre o que vou chamar de times de excelência e os demais leva a uma série de regras sempre criticadas pelos fãs e vistas como empecilhos para conquistar novos entusiastas, uma vez que complicam o esporte. Um ótimo exemplo é o regulamento de pneus – largar com o jogo com o qual fez o melhor tempo no Q2, ter de usar dois compostos, etc. – são todas formas de embaralhar artificialmente as corridas de forma mais tímida, em uma categoria que teme em assumir um caráter mais voltado ao entretenimento e adotar métodos agressivos para ter mais resultados aleatórios, como inversão de grid, por exemplo.

Dado o diagnóstico, qual seriam as soluções para tornar a F1 mais competitiva? Mudar continuamente de regras? Aumentar a padronização de peças? Fazer alterações no formato do final de semana de corrida? A continuação dessa discussão vai ser o tema do primeiro Podcast exclusivo para assinantes do projeto do Catarse, No Paddock da F1 com a Ju. Aproveite para dar uma passada lá no projeto e me diga o que achou!

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4 comentários Adicione o seu

  1. ]Muguello[ disse:

    Ju, não vi nada sobre o podcast na pagina do Catarse… não procurei direito, tá bem escondido, ou ainda não tá lá? :~)

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    1. Está no vídeo, nas artes, nas recompensas… Começa no setor VIP

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  2. wagner disse:

    A F-1 sempre foi uma disputa por performance, sendo assim, acho que padronizar peças vai contra o DNA do esporte, barrando a criatividade. Penso que o nó górdio seria uma simplificação na construção do sistema motriz, o que poderia atrair mais competidores e aumentar a competitividade/espetáculo. Seria necessário também cortar certos privilégios que as maiores equipes possuem, como a divisão do bolo por exemplo, fazendo a grana fluir para as menores também. Creio que a chegada de mais patrocinadores só será possível com um grid cheio e onde haja disputa. Imagino que a categoria tem que fazer uma mea culpa e descer do pedestal, afinal com uma internet pulverizada pelo mundo, as opções de diversão são extremas, e uma coisa que a geração de hoje menos deseja é previsibilidade. Não seria necessário nada mirabolante, apenas que a disputa fosse mais acirrada e democratizada.

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    1. Hummm, eu recomendo assinar o Catarse e ouvir como termina essa história no podcast, hein Wagner

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