Equilíbrio no top 3 e times tradicionais com problemas

Caso as próximas linhas não condizam com a impressão deixada pelos tempos de volta feitos nos primeiros dias de testes da pré-temporada, não será mera coincidência: mal os acompanhei. Isso porque, especialmente nesta fase de testes, ver o comportamento dos carros na pista e dos pilotos fora delas é mais valioso para tentar entender onde todos estão do que qualquer dois décimos para cá ou para lá.

Nesse sentido, a tranquilidade da Ferrari (que é meio laranja quando se vê ao vivo, tenho que dizer) é evidente. Logo no primeiro dia, Sebastian Vettel nem conseguia medir as palavras para dizer o quão satisfeito estava, e por todo o teste se via o chefe Mattia Binotto caminhando tranquilamente pelo paddock enquanto o carro estava na pista, sinal de que não havia nenhum incêndio para apagar nos boxes. E os dados de GPS, mais importantes que os tempos, indicam que eles têm o mesmo conjunto nesse momento, com certa vantagem. 

Na pista, o carro parece completamente nos trilhos, especialmente com a traseira funcionando muito bem nas curvas de alta. Não que a Mercedes esteja devendo – a tração continua sendo um ponto forte do carro. Mas tenho que dizer que, pelo menos enquanto estava em meu “posto de observação”, vi Valtteri Bottas se atrapalhar em algumas freadas e Lewis Hamilton deu algumas pistas de que o time não está tão confiante inicialmente, ou seja, pode ser mais um daqueles carros difíceis de entender. Nada que tenha impedido, contudo, que o time ganhasse os dois últimos campeonatos.

Já a Red Bull parece muito bem adaptada ao motor Honda, ainda que seja cedo para saber onde o time está em termos de potência, já que os próprios japoneses, que inclusive estão bem tranquilos, afirmaram terem focado em confiabilidade. E, pelo menos em teoria, é um casamento que tem tudo para dar certo: o motor é menor e mais leve, ou seja, eles sabem que nunca terão a mesma potência de Mercedes e Ferrari. Mas a ideia é que isso compense do lado da aerodinâmica, tornando o conjunto tão rápido quanto os dois carros da frente. E, a julgar pelo comportamento do carro nos primeiros testes, o time fez sua parte e a tal eficiência aerodinâmica está lá – e a expectativa é que peças que estão chegando para a traseira na semana que vem melhorem significativamente o carro, ou seja, a impressão que ficou nesta semana em Barcelona é que o top 3 tem potencial para estar próximo, ainda que a Ferrari esteja sobrando no momento.

Em relação ao novo regulamento, todo mundo parece disposto a diminuir as consequências em termos de ultrapassagens. Mas foi curioso perceber o cuidado com que todos foram ao teste, temendo que alguém tivesse encontrado alguma brecha no regulamento. E saíram aliviados porque, ao que tudo indica, não havia brecha, e por conta disso todos apostaram na continuidade de conceitos que já vinham sendo usados. Senti que, especialmente na Mercedes, o alívio era grande.

Já no meio do pelotão, duas equipes se destacaram: Haas e Alfa Romeo parecem estáveis e não tiveram grandes dramas na primeira semana, e são coisas que fazem diferença em uma batalha que foi muito apertada ano passado.

Renault e Racing Point tiveram muitos problemas com o DRS, que ganhou 25% em potência neste ano e vem dando dor de cabeça por conta disso, sendo que a evidência mais clara disso foi simplesmente o estouro da peça no carro de Daniel Ricciardo. Depois da falha, o time instalou uma asa gigante no meu carro para garantir quilometragem antes de resolver o problema, que já assombrava a equipe ano passado. Já a Toro Rosso deu a impressão de estar um pouco mais lenta, mas foi outro time que começou a pré-temporada sem grandes dramas.

Já a McLaren me surpreendeu negativamente quando estive na pista, e perguntei a Lando Norris por que ele estava tendo tanta dificuldade. O inglês não gostou muito da pergunta, e disse que eles estão testando vários acertos para o carro – algum deles completamente equivocados, “e é isso que você deve ter visto”. De qualquer maneira, mesmo isso não é uma grande notícia e denota uma falta de compreensão acerca das reações do carro que os outros não parecem estar tendo. Não por acaso, o foco do time foi celebrar a quilometragem.

Mas é claro que a situação não chega nem perto do drama vivido pela Williams. O projeto está atrasado desde o início, não é de agora, e basicamente eles perderam todos os prazos que tinham. Isso, por um atraso para começar e também pelo excesso de re-trabalho – principalmente no setor que produz efetivamente as peças, que têm saído com falhas e não é de hoje. Mas também há problemas de administração: mesmo quando estava ficando claro que o carro não ficaria pronto, o time não alterou seu esquema de trabalho e o expediente continuou das 9 às 17h, como se tudo estivesse às mil maravilhas. Isso até muito próximo do teste, quando começaram a fazer turnos de 16h. Mas ainda assim sem Paddy Lowe por perto. Os sinais não poderiam ser piores.

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5 comentários Adicione o seu

  1. Robson Coimbra disse:

    Fiquei decepcionado com a situação da McLaren relatada pela Julianne

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  2. valdinar disse:

    MERCEDES SEMPRE

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  3. Arthur Barbosa disse:

    “Meio laranja quando se vê ao vivo, tenho que dizer…” foi ótimo, kkkk

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  4. nato Velloso disse:

    Quando vi a diferença de tempo da McLaren na mesma casa dos 18S da Ferrari fiquei entusiasmado, embora triste em ver que o tempo fora marcado com pneus duas casas mais macio.
    Agora lendo o seu post fiquei ainda mais decepcionado, imaginei ver a McLaren liderando o pelotão intermediário, e quem sabe incomodando os três grandes, porém ficará apenas na imaginação mesmo.
    E uma curiosidade quanto aos propulsores nipônicos Julianne:
    O quanto você acha que eles melhoraram no quesito potência?
    Essa melhora não me pareceu grande coisa pelo o que li em outros siteeme pela tabela de tempos.
    Grande abraço a todos do blog!

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  5. Douglas Scherer disse:

    Confesso que, apesar de não ser a minha escuderia favorita, estava esperando mais da Racing Point. Tenho muito a aprender sobre o nosso esporte e estou aprendendo com as matérias da Ju – Obrigado, Ju! -, mas me parece que um problema de DRS não deveria estar acontecendo, tendo em vista a campanha do ano passado com toda a situação vivida pela equipe e mesmo assim foram competitivos. Forza Sebastian! Forza Ferrari!

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