Drops do teste com upgrade ferrarista e “Alonso” de volta

Várias equipes usam grupos de whatsapp para se comunicar com os jornalistas, mas a sempre fechada Ferrari era um dos que resistia à moda. Pelo menos até a nova chefe de comunicação chegar e, já no primeiro dia de teste, mudar isso. Logo depois, mal acreditei quando uma pessoa vestida de vermelho interrompeu uma conversa para falar “espera um minuto porque preciso falar com a Julianne”. Milagres operados por Silvia Hoffer, italiana que começou na Minardi e estava há anos na McLaren. Contratação de peso da Scuderia, cujo departamento de comunicação deixava muito a desejar.

Falando em Ferrari, estava indo embora na terça-feira caminhando atrás de Leclerc, que olhou para ver quem estava por perto e abriu um sorriso e me cumprimentou. É interessante ver como o tratamento que recebemos desses pilotos que chegaram quando nós já estávamos lá. O mesmo, inclusive, aconteceu quando cruzei com Esteban Ocon na Mercedes, que estava almoçando e levantou para cumprimentar a mim e outro colega que estava comigo.

Na Mercedes, antes da coletiva de imprensa, tive que perguntar para Toto o que ele achou da legenda de “marido da Susie Wolff” quando esteve na F-E. Ele deu risada: “Eu disse no grid que não daria entrevistas porque não estava trabalhando e acho que foi por isso que o Alejandro teve aquela ideia.” É bem a cara de Agag mesmo.

Pessoal da Williams já fala internamente em ano jogado fora, depois de todos os problemas  de vir de um projeto ruim e que não melhorou ao longo da temporada para mais problemas com a produção de peças. Robert Kubica foi até fazer 200km de bike para desestressar, senão acho que matava algum engenheiro lá dentro. Principalmente Paddy Lowe, cuja moral lá dentro está mais baixa do que nunca, tamanha foi a falta de direcionamento do diretor técnico em todo esse processo.

Não sei se vocês lembram de uma história que contei no twitter de quando um membro da FIA disse que eu sabia mais da parte técnica que Arrivabene. Tive que ouvir o mesmo comentário, me comparando com Lowe. E respondi “mas o que isso quer dizer sobre todo o meu conhecimento?” 🙂

Já na Honda, dei uma sondada de como estava a confiança e recebi a resposta mais japonesa da história: “Tudo correu muito bem no dinamômetro, então não sabemos se é bom ou ruim, porque você quer que os problemas apareçam nessa parte do ano”. Mas os carros andaram sem problemas, então acredito que eles já estejam bem mais confiantes que isso. Mas nunca vão admitir!

Falando em não admitir, quando fui observar os carros na beirada da pista, o que mais me chamou a atenção negativamente foi a McLaren, então fui perguntar a Lando Norris como estava o equilíbrio. Senti que ele se ofendeu com a pergunta, achou que estava me referindo à pilotagem dele, e disse que eles só estavam testando vários acertos – alguns errados – no carro. No dia seguinte, estava atrás dos boxes quando Carlos Sainz passou por mim para ir ao banheiro. O semblante dele me lembrou alguém. Demorei alguns segundos para identificar que ele estava com a mesma cara de “esse carro é uma porcaria” de… Fernando Alonso.

Nesse momento, estava com Pietro Fittipaldi, que viveu um pouco de tudo nessa primeira semana de testes. Lá pelo meio da tarde de terça, o vi observando os carros na parte mais travada, no final do circuito, e cerca de uma hora depois ele estava no carro, chamado às pressas porque o descanso de pescoço do Magnussen estava no tamanho errado, fazendo com que ele ficasse com a cabeça muito baixa no cockpit.

Depois do susto e de fazer a manhã do dia seguinte, Pietro estava com um sorriso de orelha a orelha, bem satisfeito com o trabalho que fez, e ao mesmo tempo irritado por ter acabado perdendo um período do teste (ele faria uma manhã e uma tarde, mas os problemas técnicos forçaram a Haas a colocar os titulares para andar). Estávamos conversando sobre outros assuntos e ele, com a cabeça de piloto, voltava sempre a perguntas como “mas quantas voltas o Romain deu no primeiro dia?”, querendo se certificar de que o time realmente não tinha outra opção.

Sobre Pietro, a pergunta que sempre é feita é em relação a seus pontos para a superlicença. Ele tem 21, precisa de mais 19, mas quando você fala sobre isso ele só sorri e diz que estão tranquilos. Perguntei diretamente se o plano era fazer sessões de treinos livres, mostrar que tem condições de conseguir mesmo sem os pontos, e fazer um pedido especial para a FIA. E recebi outro sorriso como resposta.

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6 comentários Adicione o seu

  1. Eric disse:

    Boa noite Julianne, tenho a impressão que a renault não evoluiu tanto para esse ano, acho que não ficará nem com a quarta colocação no campeonato de construtores visto o grande carro que a alfa romeo trouxe. O próprio hulkenberg disse que esse carro parece uma cópia em relação ao do ano passado. Isso seria um indício de estagnação, visto que os carros têm se mostrado mais rápidos mesmo com as mudanças no regulamento? Se me permite mais uma pergunta, você acha que o giovinazzi pode bater o raikkonen este ano? Obrigado.

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  2. Bernardo Ewerthon Silva disse:

    Sobre o Pietro, o pessoal do Projeto Motor desvendou a charada. Ele tem 36 pontos da World Series e está na expectativa de mudanças no sistema de super licença que pode rolar nesse ano, quem sabe dando pontos extras a pilotos que completam 300 km num F-1. Se ele tivesse só 21, aliás, ele não poderia sequer participar dos treinos de sexta-feira, já que você precisa de 25 pontos ou de seis eventos na F-2 para participar dos treinos livres.

    Eles também explicaram que o Albon não estava com a super licença concluída nos testes de Barcelona, tanto é que testou com as luzes traseiras no carro em verde (quem tem super licença testa com a luz vermelha). Agora o Albon já completou os 300 km num carro de F-1 e deve conseguir emitir a super licença sem problemas.

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  3. Gustavo Pereira disse:

    Ju, eu sei que é difícil de ver isso agora, mas qual a equipe de ponta que mudou mais a sua filosofia de trabalho por causa das novas regras ? Quem teve que colocar mais a mão no bolso pra investir mais ?

    Do meio do pelotão, principalmente no caso da mclaren, o carro aparenta também ser um ano jogado fora ?

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    1. Acredito que seja a Red Bull, para acomodar um motor conceitualmente direrente do Renault.

      Sobre a McLaren, acho cedo para falar em ano jogado fora.

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      1. Robson Coimbra disse:

        A McLaren esta fez os dois melhores tempos terça e quarta e ainda deu 130 voltas hoje, falar em ano jogado fora é um desproposito .

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  4. Thiago Araujo disse:

    Olá Julianne, adoro a sessão de drops.
    Quais equipes sofreram mudanças na parte técnica e de pessoal no projeto dos carros pra este ano? Achei que a Williams tinha trocado muita gente.
    Abraço!

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