Ricciardo pode “dar uma de Hamilton” na Renault?

Quando Lewis Hamilton assinou com a Mercedes, em setembro de 2012, a então dupla de pilotos do time – Schumacher e Rosberg – levava cerca de 1s a 1s5 do pole position nas classificações e pouco mais de meio minuto nas corridas. A performance vinha caindo depois de uma primeira metade de ano promissora, com uma vitória no específico circuito de Xangai – digo específico porque ele costuma desgastar primeiro os pneus dianteiros, o que não se repete muitas vezes ao longo do ano, então muitas vezes um carro vai bem lá e não repete a façanha – e dois pódios em pistas de rua (Mônaco e Valência). A Mercedes era a terceira força do grid na primeira parte do ano e o fato daquele carro de 2012 ter nascido bem era o primeiro bom sinal da Mercedes desde o seu retorno.

Havia um pano de fundo que explicava a queda na metade de 2012, justamente quando Lewis tomou sua decisão: o time tinha comprado o espólio da Brawn, cuja mega estrutura herdada pela Honda tinha sido diminuída drasticamente para garantir sua sobrevivência. Logo de cara, a ideia da Mercedes não era gastar rios de dinheiro e havia a crença de que um acordo de teto de gastos sairia do papel. Mas logo eles perceberam que esse não era o caso e começaram a investir pesado – e cedo – no projeto de integração carro + motor. De 2014.

Pois, bem. O que essa história tem de paralelos com a trajetória da Renault na qual Daniel Ricciardo apostou em agosto do ano passado? Os números também apontam que o time francês fechou o ano de 1s a 1s5 da pole position em classificação, mas levando mais de um minuto – e muitas vezes uma volta inteira – na corrida.

Um paralelo possível seria o fato da Renault estar indo para o quarto ano – no caso de Hamilton, ele chegou no terceiro – depois de pegar o espólio também defasado da Lotus. Como os alemães, os franceses estão atualizando as fábricas (de motores e do carro), e fortalecendo-se por meio de contratações. E esse não é um processo fácil ou que dá frutos de uma hora para a outra, e o time vem vendo os resultados práticos dessa renovação com a melhora – novo, sexto, quarto – no mundial de construtores.

Mas quando Ricciardo diz que “Lewis jura que sabia que era a decisão acertada, mas eu acho que ele deu sorte”, ele está mais advogando em causa própria do que qualquer coisa. No momento em que Hamilton tomou a decisão, as regras de 2014 já estavam definidas, e se sabia que o motor ganharia muita importância e se tornaria o maior diferencial; que a unidade de potência era muito complexa  e, portanto, a integração entre motor e carro seria fundamental e, por conseguinte, que estar com uma montadora era o melhor dos mundos.

Já Ricciardo se viu perdendo espaço dentro de uma Red Bull que estava disposta a dar o que poderia ser um passo atrás para dar dois à frente, começando uma parceria equivalente à de uma equipe de fábrica com a Honda claramente apostando mais em múltiplos títulos com sua estrela de 21 anos do que com ele. Viu-se, ainda, preterido nos outros dois times de fábrica e resolveu – ele sim – ver se dava sorte.

Isso porque existem dúvidas demais acerca do regulamento de 2021 para sequer fazer um prognóstico. Os indícios atualmente são de que as partes que usam energia recuperada da UP vão ganhar ainda mais potência, e essa não é uma tecnologia que a Renault dominou, em comparação com seus rivais, até agora. E outra parte da mudança de regras será aerodinâmica, e os carros amarelos não são exatamente os mais copiados do grid.

A ida de Ricciardo para a Renault, mesmo que ele tenha se sentido pressionado a fazê-la e sem outras opções é, sim, mais arriscada do que a troca de Hamilton de setembro de 2012. Se der certo, tendo em vista todo esse cenário, ele sim vai poder dizer que foi na sorte.

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6 comentários Adicione o seu

  1. Claudio disse:

    Duvido muito que dará certo. A Renault tem um grande abacaxi nas mãos, o motor não potente o suficiente e pouco confiável com um carro que não consegue ser páreo para as principais forças do grid. Os pilotos tbm não animam, dois segundões, o superestimado HulkenBERGER e agora o patresiano Ricciardo. Pode até ser terceira força da F1, caso a derrocada da RBR com a Honda seja grande, mas ainda assim estará longe de Ferrari e Mercedes

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  2. Alfredo Aguiar disse:

    Eu acredito que o Ricciardo trocou foi por grana mesmo. Não tem lugar nem na Ferrari nem na Mercedes e a Red Bull claramente e abertamente torce pelo Max. Restava ficar sendo sparring do garoto e ficar ouvindo as chefes jogarem confete cada vez que o guri acerta alguma coisa e sequer mencionarem o nome dele nas entrevista e ganhar “pouco” ou ir pra Renault, ser a nova estrela do time e embolsar, dizem, seis vezes mais. O que vier é lucro.

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    1. Érico Marques disse:

      Torcendo muito pelo Riccardo.
      Excelente piloto e melhor ultrapassagem da F1. Merece ter chances de ganhar corridas e campeonatos.

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    2. Itamar disse:

      Acho que a Renault tem que investir mais ao longo do ano, e parece que seus diretores não estão dispostos a fazer isso. É quase impossível concorrer com equipes que gastam em torno de meio bilhão de dólares…

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  3. Felipe Fugazi disse:

    Não se entra duas vezes no mesmo rio…
    Mas eu torço (e muito) para que o Daniel mostre o seu talento.
    Já pensou ele fazendo shoey na premiação da FIA?

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  4. nato Velloso disse:

    Ele já admitiu isso essa semana, que saiu da Red Bull pq eles queriam o mais novo campeão mundial da F1. Torço muito por um título mundial do piloto mais simpatico do grid, mas creio que ele será um daqueles pilotos que ficamos pensando “e se ele tivesse tido um carro à altura do talento?”
    Duvido muito que a Renault vá disputar títulos antes da aposentadoria do Ricciardo.
    Julianne, estava lendo a lista de inscritos na competição esse ano e duas coisas me chamaram a atenção, mais precisamente o nome de dois times:
    Red Bull Aston Martin Racing.
    Red Bull Toro Rosso Honda.
    Me lembrei de cara de um post seu sobre isso, creio que no início do ano passado, quando começaram as associações Honda-Toro Rosso e Red Bull-Aston Martin.
    Na época era ventilada a venda da Red Bull para a Aston e a transformação da Toro Rosso na Red Bull.
    A quantas anda esses boatos? Fiquei curioso com essa parte dos bastidores.
    Grande abraço a todos do Blog!

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