Para ficar de olho na temporada

As regras podem ter mudado, mas a pré-temporada pareceu um repeteco do início do ano passado, com a Ferrari andando bem aparentemente sem grandes esforços, e a Mercedes conseguindo chegar no mesmo tempo no final, mas com muito suor para entender outro carro que não parece ter nascido simples e com os pilotos claramente brigando mais com o volante que os feraristas.

Já a Red Bull deu pinta de começar a parceria com a Honda perto de onde terminou o casamento com a Renault. Isso, ainda que o time não tenha feito algo parecido com uma simulação de classificação, como os rivais, provavelmente devido à pancada de Pierre Gasly no penúltimo dia. Haja vista que a grande dúvida é em relação ao poder do qualifying mode do motor japonês, cabe esperar até as primeiras corridas para fazer um diagnóstico.

Já no meio do pelotão, tão competitivo nos últimos anos, cada dia foi a vez de uma equipe mostrar serviço. Mas há indícios de que a lógica – em termos de investimento x resultado – tenha prevalecido e a Renault tenha conseguido se desgarrar um pouco desse grupo.

Dois carros me chamaram a atenção pelo equilíbrio visto nas câmeras onboard: Toro Rosso e, principalmente, a Alfa Romeo. E já expliquei por aqui por que não acredito que uma recuperação a curto prazo da McLaren.

Mas quem deve fechar o pelotão? Eis o melhor tweet da temporada para explicar: Perguntaram ao jornalista Chris Medland, que escreve para vários meios, inclusive no F1.com, como estava a relação de forças. E ele foi listando as “equipes”: “É impossível dizer estando tão no começo nos testes de pré-temporada”. Até chegar na décima posição…

Depois de uma primeira semana péssima, o fato é que a Williams conseguiu tirar parte do atraso em termos de quilometragem e os pilotos relataram que o carro não é tão difícil. Ou seja, há a esperança de que o caminho tenha sido – embora lento – certo.

Batalha das atualizações: Foi impossível não se impressionar com a atualização que a Mercedes trouxe para a segunda semana de testes. Isso, claro, já estava programado e não é uma reação à ótima primeira semana que a Ferrari teve. Nas duas semanas até a Austrália, para os pentacampeões, trava-se uma luta contra o tempo para entender os dados de basicamente dois carros diferentes e tirar a desvantagem que eles dizem ser de meio segundo – mas ao que tudo indica é bem menor que isso. Do outro lado, é claro que a Ferrari não está parada, e com um carro bem nascido os caminhos de desenvolvimento são mais fáceis de entender.

Briga interna que deve esquentar: Já expliquei por aqui por que esse tal de Charles Leclerc não é brincadeira. Mesmo assim, a tranquilidade dele nos testes chamou a atenção – no carro e fora dele. Nem parece que tem 21 anos e conquistou o cockpit da Ferrari. Tanto, que é difícil imaginar outro cenário que não seja de vida mais dura para Vettel do que ele teve com Raikkonen. E só para jogar mais pimenta, o fato é que o melhor tempo de Bottas na pré-temporada foi comparativamente mais forte que o de Hamilton se considerarmos que os dois estavam com níveis similares de combustível…

Equipe (s) para ficar de olho: Já falei aqui o quanto me impressionou o onboard do carro da Alfa, que agora tem dinheiro para se desenvolver e tem o que parece continuar sendo o melhor motor da F-1. De quem se espera ascensão também é da Racing Point, cuja situação dá a dimensão da complexidade do processo de desenvolvimento de um carro. Eles tomaram decisões importantes sobre o projeto quando não sabiam qual seria a situação do time agora, e por isso devem demorar um pouco para entrar nos trilhos. Mas, sendo a equipe mais eficiente da F-1 há tempos e agora muito mais forte financeiramente, eles têm tudo para voltar rapidamente ao patamar anterior.

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1 comentário Adicione o seu

  1. nato Velloso disse:

    Sinceramente, tenho medo que a grana extra acabe “estragando” a Race Point, com os recursos escassos eles tinham de fazer a grana dar resultados, mas pode ser que uma grana extra deixe os membros do time mais relaxados.
    Tomara que seja receio infundado, pois o show de eficiência da antiga Force India era um showzaço à parte para a F1.
    Ainda acho que a Red Bull vai “tomar um fumo” da Renault esse ano, a Honda parece ter melhorado, mas ainda estar longe dos motores Renault. A McLaren só não bateu a Toro Rosso com mais facilidade ano passado por incompetência própria e um péssimo carro na aerodinâmica. Falando em McLaren, quanto tempo você acha que leva para eles voltarem a ser uma equipe decente Julianne?
    Bem que você colocou em algum post que o Bottas acordou para vida esse ano, vejamos se ele vai dar mais trabalho ao Amilton do que o jovem Leclerc ao Sebastião.
    Grande abraço a todos do Blog!

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