Fixação com Miami. E Vietnã a passos lentos

Chamou a atenção durante a coletiva de imprensa que Chase Carey e Jean Todt deram no final de semana do GP da Austrália – no que pareceu algo arranjado às pressas porque o que costumava acontecer era uma entrevista com Charlie Whiting a respeito do regulamento – a insistência do chefão da Liberty Media em falar sobre a tal corrida em Miami. Mesmo sendo perguntado sobre possíveis interessados, ou mesmo sobre a renovação de contratos com provas importantes, Carey voltava à prova da Flórida, que chegou a ser anunciada mesmo sem nenhum acordo firmado. E depois a Liberty teve de voltar atrás.

Quem acompanhou os Drops ano passado sabe de toda a saga: logo que o circuito de rua foi anunciado, os moradores começaram a se mobilizar para evitar que a prova fosse autorizada – e teve até dono de papagaio preocupado com seu pet. A ameaça de processos vinda de todos os lados e a dificuldade em definir um trajeto em uma cidade com várias sub entidades que controlam, por exemplo, o viaduto X ou a avenida Y, acabaram minando o projeto ainda em fase inicial. Depois dele ter sido bloqueado na prefeitura, a Liberty teve de voltar atrás no anúncio da nova prova e é difícil enxergar um cenário em que a corrida saia do papel.

Até porque, e a insistência de Carey é a prova disso, é mais a Liberty que quer Miami do que Miami que quer a F-1.

Outra possibilidade é a tentativa de fazer pressão em uma das provas importantes cujo contrato corre sério risco de não ser renovado: o GP do México, um dos que reúne maior público desde que voltou ao calendário e é estratégico em termos de horário para a Liberty. Principalmente uma vez que o Circuito das Américas, em Austin, não vai bem das pernas, é compreensível que a F-1 esteja fazendo de tudo para manter a presença na região, seja como for.

No caso do México, houve uma troca de governo tanto a nível nacional, quanto na capital, e a Fórmula 1 perdeu prioridade de investimento. Há dinheiro privado envolvido na realização do GP, mas a maior parte é estatal. Para piorar, a Liberty precisa correr contra o tempo, pois 2019 é o último ano de contrato dos mexicanos.

Falando em corrida contra o tempo, as informações que chegam da única prova que a Liberty conseguiu confirmar, no Vietnã, dão conta de que está tudo atrasado. Ali, também o custo está dividido entre empresas privadas e o governo, e a primeira parcela foi paga – algo que muita gente no paddock duvidava que aconteceria. A maior parcela, contudo, ainda não venceu e toda a operação do GP está sendo feita em um escritório longe da pista. Até porque não há nada ainda por lá, mesmo que estejamos a um ano da realização da prova, prevista para ser dobradinha com a China ano que vem.

Ou seja, enquanto vira e mexe discute-se no paddock como viabilizar um calendário de 25 GPs, a Liberty não conseguiu mais do que adicionar uma etapa – ainda que seja aos trancos e barrancos – e convive ainda com as dúvidas que pairam sob o México, Silverstone, Monza, e outra etapas que buscam a renegociação de seus contratos. Talvez esteja na hora de parar de sonhar com as praias de Miami e colocar a mão na massa.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Acho muito pouco provavel que vão deixar grandes circuitos como Silverstone, Hockenheim e Monza de fora. Além do México, Montmeló também periga com contrato. Mas convenhamos que apesar de ficarmos felizes com o aumento de corridas, forçar um calendário de 25 no momento é muita pretenção.
    Aqui em Balneário Camboriú ficam falando de colocar um autódromo tem quase 10 anos. E se falassem em um circuito de rua, playboyzada ia adorar. Traz pra cá que o povo quer uma segunda corrida no Brasil, com cara de Abu Dhabi

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  2. nato Velloso disse:

    Ainda não vi a Liberty dar uma bola dentro com relação aos circuitos.
    Deve ter muita gente sentindo falta do Bernão…
    Grande abraço a todos do Blog!

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