Sessão nostalgia, dois brasileiros no pódio e Galvão na Band

É interessante vasculhar as matérias de época (seja ela qual for) e ler, por exemplo, que a corrida disputada nas ruas de Long Beach, em sua quinta edição em 1980, era tão bem aceita que “parece que está no calendário há tanto tempo quanto Mônaco”, ainda que “o circuito seja muito melhor que do Principado”. Sem, já há quase 40 anos, os especialistas reclamavam da morosidade da prova de Monte Carlo…

Sempre buscando uma oportunidade de lucrar, o então chefe de Piquet, Bernie Ecclestone, tentou de última hora inscrever o famoso piloto norte-americano Rick Mears, “esquecendo-se” de uma regra que ele mesmo tinha acordado no ano anterior dando conta de que qualquer inscrição deveria ser feita com um prazo mínimo de três meses.

Então, com 27 pilotos inscritos e 24 vagas no grid, começou a quarta corrida da temporada de 1980, que tinha René Arnoux como líder, Alan Jones em segundo e Piquet em terceiro. Em Long Beach, Piquet fez a pole com quase 1s de vantagem e outro personagem importante neste dia, Emerson Fittipaldi, saiu de 24º, enquanto os jornais da época continuavam criticando o momento da F-1. “Aqueles que não estavam ganhando tinham boas desculpas prontas, como ‘faltou tração’, ‘entrada de curva ruim’, ‘falta de aderência’, falta de pressão aerodinâmica’, ‘muita saída de traseira’, ‘muita saída de frente’ e todas essas coisas da tecnologia moderna.” Soa familiar?

Pois, bem. Na largada, Piquet manteve a liderança e não foi ameaçado em nenhum momento na prova, que foi recheada de acidentes: três carros ficaram pelo caminho após uma batida logo na primeira volta, outros seis ou abandonaram ou foram para os boxes fazer reparos após outro enrosco na volta 4 e, no final da prova, apenas dez carros foram classificados. Com os abandonos, mas também com ultrapassagens sobre Watson, Rosberg, Arnoux e Daly, Fittipaldi fez grande prova até escalar ao terceiro posto. A briga com Watson, inclusive, durou até o final da prova e o brasileiro chegou a ser superado, mas deu o troco, para o que seria seu último pódio na F-1.

Aquele GP, contudo, não terminaria bem para outro veterano dos anos 70. Clay Regazzoni sofreu em Long Beach o acidente que encerraria sua carreira e lhe deixaria paralisado, após seu freio falhar a 270km/h. O piloto demorou a ser resgatado, pois os fiscais tiveram que cortar partes de seu carro, e sofreu lesões espinhais.

Alheio a todos os problemas, Piquet só teve de se preocupar com os retardatários e chegou a diminuir o ritmo no fim, deixando inclusive Fittipaldi descontar a volta que tinha levado. Curiosamente, assim como Ayrton Senna faria cinco anos depois, a primeira vitória de Piquet foi um Grand Chelem (pole, todas as voltas na liderança e volta mais rápida).

“Aí está! A bandeirada para Nelson Piquet e o Brasil vencendo! Depois de cinco anos, o Brasil ganha na Fórmula 1! 75, Silverstone, foi a última”, narrou Galvão Bueno, então na Bandeirantes. Mais do que isso, foi uma simbólica passagem de bastão simbólica do bicampeão para aquele que viria a ser tri.

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2 comentários Adicione o seu

  1. ]Muguello[ disse:

    impressionante como a asa dianteira era pequena naquela época! E as da Brabham parecem ser menores ainda que as dos outros carros!

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    1. edvaldo disse:

      a brabham de 1980 nem tinha asa dianteira. Em putros carros, dependia da pista. O efeito solo era tão eficiente que ela não se fazia necessária.

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