Sessão nostalgia e o dia em que Rubinho liderou em Interlagos com uma Stewart

Até hoje, todo santo domingo de GP do Brasil fala-se de Rubens Barrichello. Ou pelo menos da família, já que todo mundo quer saber o que a vó de Rubinho estaria falando sobre a chuva em Interlagos, fora o carinho do torcedor por ele. Mas poderia ser muito mais que isso, não fosse a sequência de azares do piloto no circuito que era praticamente seu quintal na infância.

O pior deles foi em 2003, mas essa história fica para depois porque, há 20 anos, Barrichello liderou o GP do Brasil com uma Stewart. Foi a primeira vez que o carro de Sir Jackie ficou em primeiro em uma corrida, em sua terceira – e, de longe, melhor temporada. No final daquele ano, o time seria vendido para a Jaguar, e depois para uma certa marca de energéticos austríaca. Mas essa também é outra história.

Rubinho tinha colocado a Stewart em terceiro no grid, superando a Ferrari de Michael Schumacher – isso mesmo depois do time italiano ter feito mais de 4 mil quilômetros de testes tentando se aproximar, sem sucesso, das McLaren, que fecharam a primeira fila, com Mika Hakkinen, que defendia o título, na pole.

Seu companheiro, David Coulthard, viu seu carro travar na largada, e foi empurrado para os boxes, saindo da disputa. Hakkinen, então, tinha tudo para disparar e ganhar fácil em uma tarde em que a McLaren era muito melhor, mas passou a sofrer com um problema no câmbio, perdeu rendimento e a liderança para Rubinho e até o segundo lugar para Schumacher.

Foram 23 voltas do piloto da Stewart na frente mas, apesar da empolgação do público, ele mesmo sabia que não tinha chances de vencer, até porque tinha se comprometido a fazer uma estratégia de duas paradas, ao contrário da maioria, que faria uma. E foi justamente ao fazer seu primeiro pit stop que ele deu adeus à liderança.

Mas ainda havia a expectativa de um pódio, ainda mais com Coulthard fora de combate. Rubinho acabou voltando atrás de Eddie Irvine após a parada, o que atrapalhou seu ritmo por algumas voltas – ele precisava forçar tudo para fazer sua estratégia funcionar – até que ele passou a Ferrari do irlandês e pulou para terceiro.

A alegria, contudo, não durou muito, pois o motor Ford estourou na volta 42. Na verdade, a corrida para os brasileiros acabou no mesmo giro, já que Pedro Paulo Diniz bateu praticamente ao mesmo tempo do abandono de Rubinho, e Ricardo Zonta sequer tinha largado depois de bater no sábado e machucar o pé.

Enquanto isso, lá na frente, Schumacher bem que tentou mas não conseguiu segurar Hakkinen: antes da parada de ambos, o finlandês estava claramente sendo preso pelo ritmo mais lento do alemão, e aproveitou que o rival fez seu pit stop para acelerar e voltar na frente após sua troca de pneus.

Outro lance curioso da prova foi o terceiro lugar de Heinz-Harald Frentzen, que não cruzou a linha de chegada, sem combustível, mas não perdeu o lugar no pódio porque era o único carro na volta dos líderes. Após vários abandonos principalmente por falhas mecânicas, algo que costumava ser comum nas provas iniciais dos campeonatos, apenas nove pilotos dos 21 que largaram terminaram a prova.

4 comentários Adicione o seu

  1. Rodrigo Rocha disse:

    Essa é uma das minhas melhores memórias na F1. Obrigado pela lembrança.

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  2. GUSTAVO disse:

    Me lembro bem desse. Mas aquele ano que a Ferrai o deixou sem gasolina foi phoda. Eu estava na arquibancada do S do Senna. E nada de Rubinho completar a volta. De repente a Ferrari do brasileirinho aparece numa pequena TV que ficava na arquibancada. Que desânimo!

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  3. Muito bom! Obrigado pela lembrança!

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  4. Junior disse:

    Essa é só uma das várias corridas que fez o Barrichello ser, de longe, o melhor brasileiro pós-Senna. Foram vários pequenos shows com carros medianos e fracos contra grandes equipes. Psicológico fraco a parte, o Rubens fez corridas fantásticas. Isso gera muito mais lembranças e reconhecimento que 70 e poucas vitórias com um carro super dominante como o Hamilton por exemplo…

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