Nem no top 500

“Eu ganhei o piloto do dia? Então não deve ter sido uma corrida muito emocionante, né?”, disse o gente boa Alex Albon quando ficou sabendo que tinha sido escolhido o melhor na votação pela internet. Ele saiu dos boxes depois de ter detonado o carro no final do FP3 e terminou em décimo, tendo escalado o grid principalmente na parte inicial da corrida.

E, sim, foi a melhor performance daquele que foi o  milésimo GP da história da Fórmula 1, mas que não vai ficar marcado nem no top 500 das melhores corridas da história.

Isso porque o ritmo das Mercedes era inalcançável e a esperada velocidade de reta superior da Ferrari ficou na promessa. E mesmo no meio do pelotão as estratégias foram muito similares, pois a degradação foi maior que o esperado e era impossível fazer apenas uma parada e ter um bom resultado em uma pista que permite ultrapassagens, então era um risco que não valia a pena.

Não que a falta de compreensão do carro seja o único problema da Ferrari neste momento. O rendimento de Sebastian Vettel e Charles Leclerc está muito mais parelho que Mattia Binotto gostaria, uma vez que, sendo assim, situações como a deste domingo tendem a ser frequentes, e a maneira como o time reagiu em Xangai só serviu para entregar o quarto lugar de bandeja para Verstappen.

Era uma situação difícil: Leclerc parecia mesmo estar segurando Vettel, mas quando ele começou a abrir, veio a ordem. Vettel disse que não pediu a inversão, só comunicou que achava que poderia ir mais rápido. A Ferrari, então, pediu para Leclerc aumentar o ritmo, o que ele fez, mas mesmo assim decidiu pela inversão. Para piorar, Vettel disse que até estranhou não ter tanto ritmo quanto achava que tinha mesmo com ar livre: ao não conseguir abrir de Leclerc, ele o deixou encaixotado e exposto ao undercut de Verstappen.

Quando a Red Bull chamou o holandês para os boxes, pelo menos uma das posições da Ferrari já estava perdida, já que um dos carros teria que parar duas voltas depois. Eles defenderam a posição com Vettel, o que era normal por ser quem estava na frente, e decidiram estender o stint de Leclerc para tentar dar alguma chance dele se recuperar mais adiante na corrida, o que acabou não sendo suficiente.

É possível que tudo isso também tivesse acontecido sem a ordem – Leclerc segurando Vettel, no caso, e Verstappen aproveitando para trocar os pneus antes e roubar uma das posições. Mas pelo menos eles não teriam ganhado a desconfiança de um de seus pilotos, cujo olhar mostrava uma frustração muito maior do que as palavras após a prova.

Até porque Leclerc fez outra grande classificação e corrida. Ele pouco andou nos treinos e não tinha feito a simulação de corrida, por um problema no arrefecimento do motor. Começou a classificação longe de Vettel e terminou a 17 milésimos.

Algo semelhante foi visto na Mercedes. Hamilton estava completamente perdido na sexta-feira, achou que tinha feito uma bela volta no Q1 e se surpreendeu ao ver que Bottas fora 0s5 mais rápido. Mudou a abordagem em algumas curvas após estudar a telemetria durante o treino e ficou a 23 milésimos do finlandês. E depois teve um ritmo melhor na corrida, enquanto Bottas superaqueceu os pneus traseiros ao tentar persegui-lo no início da prova.

E foram essas viradas de jogo individuais, de Leclerc até a indecisão da Ferrari, de Hamilton, Albon e também de Perez e Raikkonen, outros pilotos que estavam reclamando muito do carro na sexta-feira e terminaram nos pontos, que salvaram as comemorações pelo 1000º GP da história.

3 comentários Adicione o seu

  1. Wesley Andrade disse:

    É inacreditável as constantes falhas de gestão da Ferrari, durante as corridas. Em todas as corridas do ano, sempre houve algum problema desse tipo. Assim, a Mercedes acaba faturando.

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  2. Claudio disse:

    Boa prova para invalidar a lenda urbana que reaparece toda pré temporada desde 2016, a de que esse ano será o da Ferrari, que agora vai e tudo aquilo que já sabemos. A Mercedes tem mais carro, é uma equipe mais organizada, tem um primeiro piloto claro e um segundão que nas condições corretas não compromete. Aquilo vale um adendo, acho engraçado os devaneios de quem alucina que Bottas vai disputar o título rs. Com mais de 30 temporadas nas costas, digo que Hamilton, a não ser que aconteça algum desastre, será campeão. Será um longo e aborrecido campeonato, infelizmente. Será divertido acompanhar o circo da Ferrari (óbvio que a disputa Vettel x Leclerc vai dar treta, logo logo) e a disputa pelo campeão do resto.

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    1. marcos disse:

      Nobre colega Cláudio, sinto muito por você. Tenho certeza que para você a temporada será realmente meio loga e com alguns aborrecimentos. Eu já não posso dizer o mesmo, até porque, o piloto para quem eu sempre torço já ganhou duas corridas este ano. Ou seja, acho que você generalizou na sua afirmativa. A temporada não será tão ruim para todos. Forte abraço. Vida que segue…

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