Turistando na F1 e o que se come no Azerbaijão

A cara de Baku: tomate e pepino a qualquer hora do dia. E um toque de Turquia

O melhor lugar para comer: o restaurante mais simpático é russo e chama Mari Vanna

O que evitar: vinho de romã. É sério. Vão tentar te vender como algo tradicional, mas não vale a pena

“Um filho bastardo de uma mistura entre Bahrein e Sochi”. Foi assim que uma jornalista definiu Baku na primeira vez em que fomos para lá. Concordo com Sochi, mas vejo uma influência bem mais turca do que árabe por lá. Principalmente na comida.

Os kebabs – basicamente o que chamamos de churrasquinho grego no Brasil – estão por toda a parte. Toda não, porque vira e mexe você encontra um restaurante russo. O mais marcante deles – pela decoração, não pela comida, pois até esqueci o que comi por lá – fica literalmente no meio do circuito e se chama Mari Vanna. Infelizmente, não achei a foto que tirei do banheiro, o mais fofo que eu já vi, mas achei uma foto que mostra o estilo do lugar.

O mais curioso foi descobrir, tempos depois, que existe outro Mari Vanna igualzinho em Londres!

Mas o que seria a culinária russa? Muitos ensopados, muita beterraba e batata, mas o prato mais conhecido por nós é o estrogonofe. Aliás, escrevendo isso acabo de decidir qual vai ser o pedido no Mani Vanna desta vez!

Voltando ao Azerbaijão, parece que sempre é hora de uma saladinha com tomate e pepino. No café da manhã, inclusive. E muitas vezes acompanhada de queijo feta, que é um tipo grego de queijo feito de leite de ovelha com a mesma cor de um queijo branco, mas um pouco mais duro e mais salgado. Além da salada, carne de cordeiro é a mais popular por lá, geralmente cozida com batatas e pimentões.

Como faz bastante frio no inverno, é uma região com muita tradição de sopas também, mas não em abril, quando vamos para lá e o clima varia entre o ventinho mais frio da noite e o sol bem forte do dia. Já que é comida de inverno, as sopas têm mais sustância e às vezes são acompanhadas de iogurte, como a mais famosa delas, chamada Dovga, que tem mais ou menos de tudo, de espinafre a arroz.

Outro prato que é tradicional de lá, mas nunca me pareceu apetitoso, são as diversas variações de plov, basicamente arroz cozido com especiarias, com algum tipo de carne (até aí tudo bem) e alguma fruta seca. E vamos combinar que abril não é Natal!

Gosto de comer comida local onde quer que eu for, mas Baku é daquelas etapas em que, se me convidarem para um italiano, eu topo na hora. E sempre eles, os italianos, encontram um restaurante bom de comida da terra deles. O de Baku se chama Da Massimo, inclusive, porém já comi bem em um tradicional azeri, chamado Qala Divari, o desse prato da foto, e também foi uma boa experiência. Só não recomendo o vinho de romã, aguado e doce, que vendem por lá.

Que tal este café da manhã?

Mas o lado bom de Baku é que o problema que temos em outros lugares, de sair depois das 21h da pista e não encontrar nada aberto, não se repete por lá. O GP é um evento muito importante para o país, e para os comerciantes estão de olho no lucro com a enxurrada principalmente de finlandeses que aparece por lá, perambulando pelas ruas do centro como se estivessem na filmagem de mais uma sequência de “Se beber, não case”.

Lembro que, no primeiro ano de Baku, até nós, jornalistas, saímos no lucro: começamos a conversar com um desses grupos de finlandeses – que tinha uma camiseta metade azul da Williams de Bottas, e metade vermelha da Ferrari de Kimi – em um karaokê russo de gosto extremamente duvidoso. A dona do lugar, com porte de modelo e vestida para um baile de gala de filme de James Bond, se empolgou e disse que, para a nossa mesa, seria a noite inteira de double. Ela só não lucrou tanto quanto esperava com a nossa mesa porque éramos quatro austríacos, Ico (que conta como austríaco) e eu infiltrada, assistindo ao jogo da Áustria contra Portugal na Eurocopa. E o jogo acabou sendo um 0 a 0 feio que resultou na eliminação austríaca.

Isso não quer dizer que não dá para se divertir em Baku. A recepção que a organização faz para todo o paddock na quinta-feira à noite, no topo do hotel onde fica a sala de imprensa (algo único no calendário) já ficou famosa. É um jantar, com a tal saladinha de tomate e pepino, claro, e geralmente várias opções de grelhados. A gente se divertiu tanto ano passado que a palavra Baku virou sinônimo de festa boa na turma e ganhou sequência em outros lugares do mundo. Em qual estamos atualmente? Esperando por Baku VI, o retorno.

1 comentário Adicione o seu

  1. Marcos Barni disse:

    A primeira impressão é a que fica e vc sabe que , primeiro comemos pelos olhos nee?
    Eu encararia depois de um bom e forte vinho doce.
    Boa prova e um abraço

    Curtir

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