Sessão nostalgia: Senna quebrava marca “imbatível” há 30 anos

Atualmente fala-se sobre a chance real que Lewis Hamilton tem de bater o incrível número de 91 vitórias de Michael Schumacher, o que deve acontecer ano que vem, mas na década de 1980 os “números imbatíveis” eram bem diferentes. A categoria se impressionou quando Alain Prost igualou o recorde de 27 vitórias de Jackie Stewart em 1987 e outra marca que permaneceu intocada por muito tempo, e que caiu há 30 anos, foi o recorde de pole positions de Jim Clark, considerado o mais impressionante da época.

Desde que Ayrton Senna começou a colecionar suas poles na época de Lotus, a queda da marca obtida por Clark em seu último GP, na África do Sul, em 1968, parecia ser uma questão de tempo. O escocês voador uniu sua velocidade com um período de domínio, curiosamente, também da Lotus, e somou 33 poles em seis anos, ao longo de 72 corridas, ou seja, largou na pole em mais de 45% das provas que disputou.

Senna igualou as 33 poles no México de 1989, em sua 88ª prova. Ou seja, até aquele momento da carreira tinha largado na frente em 37,5% das corridas que disputou. E, logo na corrida seguinte, nos Estados Unidos, superou Clark e, dali até o fim da carreira, melhorou sua média e fez poles em 40% dos GPs de que participou, embora nunca tenha atingido a média de Clark, que sempre correu no mesmo time, mas só passou a ter um carro dominante em sua terceira temporada. Dali em diante foram seis anos com a Lotus no topo, enquanto Senna desfrutou de duas temporadas de amplo domínio com a McLaren.

Uma delas foi, justamente, em 89. Aquela que lhe daria o posto de piloto com maior número de pole positions na história por mais de 15 anos seria um daqueles passeios de praxe na época: Senna foi andando cada vez mais rápido na classificação até superar Alain Prost em 1s4, numa primeira fila toda da McLaren. Alessandro Nannini, da Benetton, e Nigel Mansell, da Ferrari, fecharam a segunda fila.

Nos relatos da época, há uma clara onda anti-Senna depois do título de 88 e de três vitórias seguidas no começo da temporada seguinte e Bernie Ecclestone até surgiu como uma ideia de obrigar a equipe que tivesse vencido a corrida anterior a fazer um pit stop na próxima prova, ou seja, nenhuma novidade: o sucesso sempre incomodou na F-1!

Mas os que queriam ver algo diferente ficaram relativamente satisfeitos com aquela tarde escaldante no domingo em Phoenix: Senna liderava com tranquilidade, após ter perdido apenas momentaneamente a liderança para Prost na largada, quando começou a ter problemas com o motor Honda.

Era a injeção eletrônica que estava falhando e, mesmo após duas paradas para reparos, Senna não teve como continuar. Foi o primeiro abandono do brasileiro na McLaren por problemas de motor e a primeira quebra do V10 da Honda em corridas.

O caminho, então, ficou liberado para Prost, que curiosamente venceu pela única vez nos Estados Unidos, tendo corrido em Watkins Glen, Long Beach, Las Vegas, Detroit e Dallas antes de Phoenix. Para completar, o resultado deu ao francês a liderança do campeonato.

A “grande” Rial

Quem herdou o segundo posto foi Riccardo Patrese, que largou em 14º e mudou radicalmente seu acerto para a corrida, algo que não poderia ser feito hoje em dia, e Eddie Cheever conquistou, em casa, seu último pódio na Fórmula 1. Para completar, sempre ouvimos dizer que “antigamente era possível ter bons resultados com time pequeno”. Era mesmo, mas isso não atesta competitividade – é só ver a diferença em classificações, menor hoje em comparação basicamente com qualquer época dos anos 60 para cá – mas sim de falta de confiabilidade. Naquele GP dos EUA de 30 anos atrás, Christian Danner obteve o melhor resultado da Rial – quem lembra? – com o quarto lugar. Mas só seis, dos 26 carros que largada, viram a linha de chegada.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Kyle Long disse:

    O principal atrativo daqueles tempos era exatamente o imponderável. As quebras ocorriam com frequência e, algumas vezes, o último colocado podia pontuar ou mesmo ir ao pódio.
    Hoje em dia em dia isso é praticamente impossível.

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  2. Felipe Fugazi disse:

    Saindo um pouco do tópico mas aproveitando o tópico…
    E esse carro da Rial?
    Li em algum lugar que ele era inspirado na Ferrari F187, e tirando o fato de que o F187 tinha um motor turbo V6, você realmente pode notar uma certa linhagem.

    Saudade daquelas nanicas malucas desse periodo meio amador da F1.

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