Sessão nostalgia e uma vitória “quente” de Piquet

Nem parecia 1984. Depois de começar a temporada de mal a pior, com cinco abandonos em seis provas, o campeão de 83, Nelson Piquet, finalmente tinha um fim de semana limpo no circuito Gilles Villeneuve, no Canadá. Sua Brabham chegou a Montreal andando bem e o brasileiro fez a pole position com mais de sete décimos de vantagem para o segundo colocado, Alain Prost, da McLaren.

Prost era então líder do campeonato, e tinha seu companheiro de equipe, Niki Lauda, na sua cola em segundo. Mas todo o protagonismo naquele fim de semana de 35 anos atrás seria de Piquet.

O brasileiro chegou a perder momentaneamente a liderança na largada, mas logo passou Prost na reta usando a potência do motor BMW. O francês acompanhou Piquet por mais de 40 voltas, ainda que sem ameaçar diretamente a liderança, até que teve problemas em seu motor e deixou seu companheiro Lauda passar na volta 44. O austríaco vinha fazendo corrida exemplar: oitavo no grid depois de errar no acerto de seu carro, ele adotou a tática de conservar seus pneus nas primeiras voltas, enquanto todos estavam com o tanque cheio, para depois atacar um a um até chegar à briga da ponta.

O problema de Prost acabou dando tranquilidade a Piquet, que diminuiu o ritmo nas últimas voltas, sempre controlando a aproximação de Lauda. Além de poupar equipamento, a queda de rendimento de Piquet tinha um motivo bastante inusitado. A Brabham estava estreando um novo sistema de arrefecimento de óleo no bico que acabou não funcionando como deveria e queimou o pé do piloto que, ao invés de comemorar a vitória, tão logo saiu do carro, sentou no chão para se livrar o mais rápido possível das sapatilhas, ainda de capacete.

Falando em brasileiros longe de estarem 100% no final da prova, me chamou a atenção este comentário de um jornal da época.

“Assim como Nelson Piquet no passado, ele [Senna] precisa melhorar seu nível de preparação física mas, tirando isso, ele está começando a demonstrar que a promessa das categorias de base não era só uma impressão. Seu progresso será seguido com grande interesse no restante da temporada.” No Canadá, em sua sétima corrida na F-1, ele terminou pela segunda vez indo parar no centro médico.

No caso de Piquet, as queimaduras fizeram com que ele ainda carregasse um saquinho de gelo consigo na corrida seguinte, em Detroit. Mas de alguma forma isso acabou lhe dando um empurrão a mais: ele venceu mais uma vez. Porém, aquelas seriam as duas únicas vitórias daquele ano em que defendia o título e que acabou tendo Lauda como campeão.

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