Drops do GP da Áustria e a vitória no momento certo

Sempre achei a mídia que cobre a F1 in loco muito negativa. Achava que tinha a ver com a predominância de ingleses, que acham que fazer jornalismo é ver problema em tudo. É claro que esse fator está mesmo por lá, mas há algo mais forte que, reconheço, pode muitas vezes afetar nossos julgamentos. Lembro de um colega dizer na sala de imprensa no Canadá: “Cruzei o oceano há quatro dias e vou cruzar de novo amanhã para ver isso”, referindo-se ao fato do resultado da bandeirada não ter sido o real. Podia ficar linhas e linhas falando sobre os prós e contras de trabalhar com esse esporte, mas nos dias em que as corridas decepcionam (e esses GPs vira e mexe acontecem, desde sempre), bate mesmo todo o cansaço, todo o “poderia estar com meus amigos, família, num trabalho normal”.

 

Toda essa introdução é para falar do clima com que chegamos à Áustria, naquelas de entender o que está errado. E o clima que permaneceu no ar enquanto estávamos de mãos atadas esperando por 3h pelo resultado da corrida do último domingo ser ratificada. A reação ao domínio da Mercedes neste início de ano foi tão forte que até uma sandice entrou em votação na sexta-feira: voltar à espessura de 2018. Digo sandice porque a Pirelli precisa de 8 semanas para construir e enviar os pneus para as etapas europeias e 12 para as fora da Europa. Isso significa que, se a mudança tivesse passado, esses pneus – que geraram muitos problemas com superaquecimento com carros que eram mais lentos do que os deste ano – voltariam na Bélgica (pista com curvas que colocam muita energia no pneu) e na Itália. Em Singapura e na Rússia, os de 2019 seriam usados novamente e, no Japão (outra pista cheia de curvas de alta), voltaríamos aos de 2018. 

 

Uma possibilidade que segue aberta, contudo, é que o pneu de 2020 seja usado já em Abu Dhabi, dando mais tempo para as equipes se prepararem. Ele seria testado nos treinos livres nas etapas anteriores. Isso teria que ser decidido antes de Spa.

 

Na verdade, essa votação surpreendeu até alguns chefes de equipe, que viam o assunto, que começou a circular na Espanha, como encerrado. A expectativa era de um placar de 6 a 4 para a mudança, o que não seria suficiente (eram necessários sete novos a favor). Mas acabou virando 5 a 5 porque a Renault mudou de lado.

 

Trata-se de um alinhamento com a Mercedes, que deve ter lá suas moedas de troca. Mas também um aceno de Cyril Abiteboul de que Toto Wolff pode confiar na sua palavra. A relação dos dois ficou estremecida depois que a vaga prometida para Ocon neste ano acabou não se concretizando mas, agora que o francês está perto de ser confirmado na Renault para 2020, esse aceno era importante.

 

Mas e Hulkenberg, como fica nessa? A Haas é a equipe que está de olho na experiência do alemão, cansada dos erros e desculpas de Grosjean. Não seria a única opção de Hulkenberg, que já teria sido procurado pela Porsche para ir para a Fórmula E. É bem provável que Perez também se ofereça por lá, já que ele não é o piloto que Lawrence Stroll quer ao lado do filho na Racing Point. Ah, mas não é ele quem está tendo os melhores resultados? Sim, é por isso mesmo.

 

Por conta disso, circula a história de que Lawrence está de olho em Nicholas Latifi, outro filho de bilionário, para formar uma dupla 100% canadense ano que vem. Tem esperanças de que Lance possa, só assim, superar um companheiro.

Fazendo um parênteses sobre Stroll. Notamos que, no Red Bull Ring, os pilotos eram apresentados com nome, nacionalidade, equipe e um “fun fact”, ou seja, algum dado curioso. Que de curioso não tinha nada. Russell era apresentado como campeão da F2 ano passado, Vettel como o segundo alemão com mais sucesso na história. Mas não pudemos deixar de rir na hora de Lance Stroll: Quarto colocado no grid do GP da Itália.

A partida de Latifi seria mais uma péssima notícia para a Williams, que confia no investimento de Latifi para 2020, quando os patrocinadores de Kubica já indicaram que vão parar de injetar dinheiro no time. E não surpreenderia se o polonês conseguisse alguma vaga de piloto de testes, já que o paddock enxerga que a lavada que ele leva não pode ser colocada só na conta do piloto.

Mas o que de mais importante que aconteceu neste final de semana foi a vitória de Verstappen. Qualquer vitória é importante, claro, mas imagine se ela acontecer justamente quando o vice-presidente da Honda vem não apenas assistir à corrida, como também ter uma série de reuniões na Red Bull para decidir se a montadora fica na Fórmula 1 além de 2020…

 

4 comentários Adicione o seu

  1. Diogo Guilherme disse:

    Olá Julianne

    Há rumores que a Red Bull procura o Hulkenberg também, é verdade?
    Poderá ter um fundo de verdade, se Gasly assim continuar, e sem nenhum piloto no programa de jovens, ficam sem grande alternativa? Promover Kvyat de novo? Ou Albon (parece-me cedo de mais)?

    Curtido por 1 pessoa

  2. Nato Velloso disse:

    A decisão de punir ou não punir Verstappen era realmente uma situação de “sempre se perde”
    Se ele fosse punido, o excesso de regras viria ainda mais à tona.
    Se não fosse punido, pareceria favorecimento a Lewis Hamilton e à Mercedes.
    Nessa situação ou se perde, ou se perde.
    O Liberty deveria era mandar colocar brita e grama novamente em todas as pistas e acabar com essa maldita área de escape que nivela os pilotos por baixo.
    O Kazuki Nakajima (apelidado de Katagrama aqui no Brasil) seria campeão facilmente contra metade desse grid, e em sua época ele tava longe de ser um dos melhores.
    A volta do Kubica sempre foi arriscada, se batesse Russel faria sua obrigação, se apanhasse seria vexame.
    Uma pena ver a família Stroll destruir uma das melhores equipes de meio do grid, com Lance e Latiffi se a Williams fizer um carro minimamente decente, sai do fundão ano que vem. Seus dois pilotos são infinitamente superiores aos canadenses.
    Grande abraço a todos do Blog!
    P.S.: acho que papai Stroll vai comprar a F1 do Liberty para o filhinho ser campeão.

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    1. FERNANDO DO AMARAL disse:

      “katagrama’ foi um infeliz maldoso apelido carimbado pelo locutor maioral da retransmissora oficial daqui do Bananal para o japonês Ukyo Katayama, um piloto que, se fosse ruim como pretendia o arrogante locutor, não teria salvado seu carro de um estouro de pneu traseiro quando em máxima velocidade na reta em Le Mans’92 (a mais de 200 milhas/hora)…

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  3. FERNANDO DO AMARAL disse:

    re fato curioso sobre o Lance Stroll: ignoraram o pódio do kid em Baku/2017 (ano dele de estréia ?) – má vontade ou desinformação mesmo ?

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