F1 on demand: por que a Red Bull insiste com Gasly?

Não é de hoje que os apoiadores do projeto do Catarse, que pautam a sessão F1 on demand do blog, me perguntam sobre Pierre Gasly. O que está errado com ele? Será que ele termina a temporada? Por que logo a Red Bull, conhecida como trituradora de carreiras, não se livra logo dele?

Depois do GP da Alemanha, em que Max Verstappen venceu e Gasly abandonou, aumentando o abismo entre os dois na tabela do campeonato para mais de 100 pontos, Helmut Marko disse com todas as letras que a dupla de pilotos da Red Bull será a mesma até o final do campeonato. Mas o que estaria por trás dessa confiança depositada em Gasly, algo com que inclusive um dos pilotos que poderia substituí-lo, Daniil Kvyat, não contou?

A Red Bull conhece seus pilotos muito melhor do que qualquer um que esteja de fora. Eles sabem que Gasly nunca foi de se adaptar rapidamente a mudanças e sabem que Verstappen é um fora de série que vem unindo o talento natural que sempre teve à maturidade que está chegando. Em outras palavras: seria difícil para qualquer um encarar um Max já totalmente integrado à equipe.

E eles também conhecem Kvyat e Albon, e especialmente Marko, em momentos distintos, já demonstrou não confiar muito em nenhum dos dois. Ambos, afinal, foram em algum momento dispensados do programa por ele, e reintegrados quando não havia muitas outras opções.

Acredito que Kvyat só terá uma segunda chance na Red Bull se Marko vir uma mudança significativa nos altos e baixos que ele sempre teve. Lembrando que ele subiu às pressas para a Red Bull quando Vettel saiu antes do fim de seu contrato, e depois foi substituído devido à pressão de Jos Verstappen. E quando voltou à Toro Rosso, estava totalmente perdido, reagindo até com insubordinação. Isso sempre vai pesar contra o russo, que não tem das personalidades mais calmas.

Albon foi uma completa decepção em sua primeira passagem pela Red Bull, ainda na Fórmula Renault, demitido por Marko por pura falta de resultados. Não é por acaso, portanto, que o consultor queira esperar para decidir quem será o sucessor de Gasly.

Lembrando que há mais um elemento na jogada desta vez: a opinião da Honda também será ouvida, e os japoneses tendem a avaliar com mais calma antes de tomar qualquer decisão.

Existe também a avaliação de que a Red Bull não fez de tudo para dar o melhor a Gasly nesta primeira metade da temporada. Há uma conversa de que disputas internas entre engenheiros no time tenham prejudicado a dinâmica da equipe do lado do francês, e a comunicação entre ele e seu engenheiro de pista demorou a engrenar. O resultado disso foi uma série de erros de setup do carro, que por sua vez minaram a confiança do piloto.

Mas Pierre sempre manteve o sorriso no rosto e dizia que eles estavam encontrando o caminho, sempre admitindo que teria que mudar algumas coisas em sua abordagem, mas também esperava o mesmo do time. Um ponto muito baixo foi o GP da Áustria, em que Verstappen venceu e Gasly chegou uma volta atrás. Depois daquela prova, Horner disse que ele precisava dar um ctrl+alt+del, enquanto o francês afirmou que cada um tinha que rever sua parte.

Várias reuniões se sucederam até o GP da Inglaterra, até que foi definido um caminho para o acerto do carro que agradou Gasly, ao mesmo tempo em que as atualizações tornaram o carro mais rápido e mais fácil de pilotar. E o francês respondeu na pista.

Na Alemanha, mesmo com o erro nos treinos livres, ele voltou a ter uma boa classificação. Na corrida, primeiro largou mal por um problema de software, depois teve outro atraso no primeiro pitstop por um problema na pistola, perdeu pelo menos 6s ali e caiu para 14º. E no final, a conta pode, sim, cair em cima dele, que chegou a passar Sebastian Vettel na última relargada, mas escapou da pista, levou o troco, e depois se atrapalhou com Albon. Olhando onde Vettel chegou, dá para entender por que Horner deixou bem claro que a Red Bull precisa começar a “pontuar com os dois pilotos” para ter chances de chegar na Ferrari até o final do campeonato.

Basicamente, Gasly por um lado tem o respaldo do time até o final do ano por uma série de conjunturas, mas toda a pressão do mundo para salvar sua carreira até lá.

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4 comentários Adicione o seu

  1. Rafael Aramuni disse:

    Gostaria de entender melhor a pressão que o Jos Verstappen fez pra colocar o Max na RBR..

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  2. Como não tem outro melhor e a tendência é ele melhorar, vai ficando.
    Um grande problema seria perder o Verstappen.

    Curtido por 1 pessoa

  3. André Alves disse:

    Já foi! Albon foi promovido e Gasly volta para Toro Rosso. E aí, a Red Bull acertou de novo?

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  4. Nato Velloso disse:

    Oi Rafael!
    A pressão de Jos Verstappen se dava pela procura da Mercedes e (acho) que Ferrari pelo Max. Com isso, e os erros de Daniil, ele negociou e conseguiu a promoção do filho.
    Afirmaram isso e promoveram Albon por esses dias, da mesma forma que fizeram com o Daniil “foguete” Kvyat. É só apostar no contrário quando o Helmut “triturador de pilotos” Marko fazer as próximas declarações.
    Tomara que promovam o Kvyat ano que vem, o estilo de pilotagem do russo é sensacional.
    Abraços a todos do Blog.

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