Dá para congelar Hamilton?

Mercedes driver Lewis Hamilton, center, of Britain, celebrates on the podium with second placed Red Bull driver Max Verstappen, left, of the Netherlands, and third placed Ferrari driver Sebastian Vettel, of Germany, after winning the Hungarian Formula One Grand Prix at the Hungaroring racetrack in Mogyorod, northeast of Budapest, Hungary, Sunday, Aug. 4, 2019. (AP Photo/Laszlo Balogh)

Deve ser meio inevitável mesmo termos dois pilotos excepcionais com idades e trajetórias muito próximas, mas hoje prefiro sonhar que ainda teremos muitos anos vendo duelos como este entre o hoje trintão Lewis Hamilton e um já bastante amadurecido, embora nem tenha chegado aos 22 anos, Max Verstappen.

Não foi uma briga completamente igual. A Mercedes tem mais pressão aerodinâmica e, com isso, cuida melhor dos pneus do que a Red Bull, e Hamilton também desenvolveu uma série de técnicas que temos visto nas últimas temporadas. Foi pela união destes dois elementos que a Mercedes pôde arriscar na estratégia: confiava no seu equipamento e em quem teria de tirar 19s em 21 voltas, com vários retardatários no caminho numa pista travada.

A jogada pegou a Red Bull de surpresa e deixou a equipe em uma situação difícil: Hamilton estava 0s7 atrás de Verstappen quando fez a parada, ou seja, já tinha conseguido o undercut (ou seja, surgiria na frente mesmo se Max respondesse na volta seguinte). O remédio era esperar que Hamilton não tivesse 21 voltas de Hamilton, e que Verstappen conseguisse se defender no final com toda a potência à disposição, tática que tinha dado certo (na ocasião, não para defender, mas sim para atacar) na Áustria.

Mas a tarefa de Max era complicada pelas voltas em que ele teve de se defender de Hamilton logo o inglês saiu dos boxes. Tanto, que o ataque não durou muito tempo e Hamilton logo conseguiu a ultrapassagem.

Por um lado, foi importante para Verstappen ter conseguido se manter à frente na largada na primeira vez que largou na pole na Fórmula 1, até porque é fácil esquecer quão pouca experiência ele tem, por ter feito só uma temporada em carros de fórmula antes de dar o grande passo. Ele se posicionou de forma muito agressiva no grid, cobriu o lado de dentro, e acabou jogando a confusão para o lado de Bottas, que não conseguiu a linha ideal nas primeiras curvas e ficou exposto ao ataque primeiro de Hamilton, depois de Leclerc.

Sem um pedaço da asa dianteira, ele começou a perder terreno, mas levou cinco voltas ainda para parar. Provavelmente a Mercedes estava pensando que ele conseguiria se manter na frente dos rivais pela dificuldade de se ultrapassar no Hungaroring, mas fiquei surpresa ao perguntar ao finlandês se ele tinha pedido para parar e ele respondeu que “não, porque não sabia qual era o dano”. Pois, bem. Se você tem uma Mercedes e está tendo dificuldade em segurar as McLaren, acho que dá para ter uma boa ideia, não? Nos últimos dois campeonatos, Bottas tem mostrado dois traços repetidamente: ele se apaga depois que algo ruim acontece e não consegue se recuperar; e jamais peita a equipe em relação à estratégia. Vai para as férias com total consciência que sua cabeça está a prêmio na Mercedes.

(Bem) mais atrás, sofrendo com a falta de aderência nas curvas, a Ferrari acabou adotando uma boa estratégia para Vettel, possibilidade aberta pelo próprio alemão, que conseguiu fazer seu primeiro jogo de pneus aguentar muito mais do que Leclerc. O monegasco sente que algo ainda falta a ele em termos de gerenciamento de corrida, algo natural para quem está apenas em sua segunda temporada e duelando já entre os grandes.

Leclerc poderia pegar algumas dicas com Carlos Sainz, piloto tão experiente quando Verstappen, e que, assim como seu ex-companheiro, está fazendo uma excelente temporada justamente pela maneira como gestiona suas corridas. Lembrando da velocidade que ele demonstrou contra Max na época de Toro Rosso, seria interessante ver o que ele poderia fazer com um carro melhor.

Não dá para falar da corrida sem mencionar George Russell, que andou por um bom tempo em 14º com uma Williams. Outro que andou bem em Hungaroring foi Kimi Raikkonen, que fez uma primeira volta muito forte e depois segurou a Mercedes de Bottas no final. Isso aí se chama racecraft e, quantos mais quilômetros rodados, geralmente mais se aprende.

E é por isso que eu digo: que pena que não podemos congelar Hamilton e esperar que Verstappen chegue aos 30 e poucos. Porque especialmente esta temporada, em que o pior resultado de Max foi um quinto lugar, mostram o tamanho da concorrência que faltou a Lewis nestes últimos anos.

6 comentários Adicione o seu

  1. Thiago disse:

    É uma honra vermos dois gigantes correndo, mesmo com uma diferença de idade grande. Hamilton no auge da forma, Verstappen crescendo e amadurecendo rapidamente. Que possamos ver muitos duelos ainda nos próximos anos!

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  2. Robby disse:

    Essa nova geração liderada pelo Max pode-se tranquilamente rotula-la de excepcional, Sainz, Leclerc, Russel, Norris, apesar de alguns duvidarem de Carlos Sainz, ele é bem amparado por seu pai, um multi campeão além de dicas de Alonso que torce por ele publicamente. Hamilton tal como Schumacher tiverem pouca concorrência, um dos motivos de somarem tantos triunfos. A RBR junto a Honda pegaram o fio da meada e estão com o desenvolvimento acelerados e na direção certa, conta ainda nesse desenvolvimento fortíssimo a tentativa de segurar o grande Max na equipe, uma joia dessas não se pode perder.

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    1. Dennis disse:

      Espantosa a lentidão da Ferrari, mais de 1 minuto atrás no final da corrida mesmo com um pit stop a menos do que Hamilton. Difícilmente Vettel vai terminar esse campeonato em terceiro, mais um ano de fracassos para a coleção. Sobre a vitória de Hamilton, em um circuito de tração, a Red Bull deveria ter previsto a brusca queda de rendimento no fim devido ao desgaste de pneus e ter parado Max antes da Mercedes. Eles já tinham ganho corrida nesta pista usando essa tática com Riccardo. Provavelmente a Mercedes, mais conservadora, teria segurado Hamilton na pista e a situação provavelmente serio o inverso.

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      1. Edvaldo disse:

        Agora é fácil falar, né? A Mercedes tentou essa estratégia porque pra eles sairia de graça. Se desse certo ótimo, se não desse, estavam com o segundo lugar garantido mesmo.

        Verstappen estava ganhando a corrida com Hamilton perto mas sob controle. Se parasse e o ritmo não fosse como gostaria, daria a corrida de graça pro concorrente.
        A Red Bull nunca esteve em posição para inventar nessa corrida.

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    2. Setnab disse:

      Ju, sou suspeito pra falar porque torço pelo Sainz, então gostaria de saber um pouco sua opinião: como ele é visto no Paddock hoje? Lembro da Red Bull falar que via mais potencial no Gasly, o que achei mais um discurso pra diminuir o espanhol que pra encher a bola do francês. Estou defendendo o piloto que gosto ou o Paddock também discorda do time-dos-energéticos-que-realmente-existem?

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  3. Incrível como o Vettel perdeu todo seu prestígio da época de RedBull. Na Bélgica fará 1 ano sem vitórias, repito, 1 ano sem vitórias! É um absurdo para um piloto com 4 títulos na bagagem. E nas últimas 20 corridas, ele foi bem em, no máximo, 5.

    A Ferrari deveria apostar em outro piloto, como o Ricciardo, para o lugar do alemão, pq este piloto nada mais entregará.

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