Sessão nostalgia com dois “reis de Spa”

Uma corrida com seis líderes diferentes, acidentes, disputas por posição e três períodos de Safety Car. Pelo menos por um dia, nem parecia que a F1 vivia uma de suas temporadas mais monótonas. Mas quem assistiu àquele GP da Bélgica de 2004 mal sabia que o piloto que sobreviveu a tudo aquilo, Kimi Raikkonen, estava escrevendo apenas o primeiro capítulo de sua história vitoriosa em Spa.

Curiosamente, a primeira vitória de Kimi na Bélgica foi em cima de outra lenda de Spa, Michael Schumacher, que também saiu daquele dia com motivos para comemorar. Afinal, foi na 14ª etapa do campeonato que o alemão conquistou o sétimo e último título mundial.

É marcante nos relatos da época o desânimo da própria comunidade da F1 com o domínio da Ferrari e de Schumacher. Frases como “ele foi recebido com aplausos tímidos na coletiva de imprensa” e “ao invés de ser perguntado sobre suas marcas, uma das primeiras questões foi sobre a Olimpíada” estão nas matérias daquele dia.

Porque aquele domínio ferrarista foi diferente mesmo. Foram dois anos absolutos (2002 e 2004) e dois em que houve concorrência. A Mercedes também foi absoluta em três temporadas, mas pelo menos permitia a disputa interna…

Voltando à Bélgica, a McLaren tinha começado o ano muito mal, com dificuldades para chegar nos pontos (na verdade, era difícil até completar corridas), mas apareceu com uma nova versão do carro pouco antes da metade do campeonato e passou a andar melhor, beliscando quintos e quartos lugares e Kimi já tinha conseguido um segundo posto em Silverstone, o que é sempre uma boa notícia por se tratar de um circuito em que a aerodinâmica conta muito. Logo, era esperada uma boa performance em Spa, mas não suficientemente boa para bater as Ferrari.

De fato, não foi uma vitória fácil para Kimi, que largou em 10° e se viu no meio de uma enorme confusão na largada, que deixou seis carros pelo caminho e outros 6 se arrastando para os boxes. Ele chegou a se tocar com Felipe Massa, mas escapou ileso. E logo começou a passar seus adversários um a um, começando por Schumacher, que tinha ficado encaixotado na largada e perdeu posições, e seu companheiro de McLaren Coulthard.

Kimi já estava em terceiro nesse momento, atrás das duas Renault, mas tanto Trulli, que perdeu rendimento após um pitstop antecipado, e Alonso, que abandonou por um vazamento de óleo, saíram de seu caminho e ele se tornou líder.

Com Schumacher se estranhando com Montoya mais atrás, Raikkonen chegou a abrir vantagem confortável, mas dois SCs nas 10 voltas finais colocaram sua vitória em sério risco. Afinal, o ritmo de Schumacher era melhor. Mas o finlandês foi muito esperto ao usar o melhor aquecimento dos pneus Michelin em comparação com o Bridgestone da Ferrari e isso foi suficiente para ele vencer pela única vez naquele ano. E pela primeira de uma sequência de quatro vitórias em cinco GPs disputados em Spa.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Rodrigo Rocha disse:

    Ju, acho que o Rubinho em terceiro foi o único piloto a trocar o aerofólio traseiro e subir ao pódio, o que fala muito sobre o quão maluca foi aquela corrida e o tamanho da performance da Ferrari.

    E poderia ter ido a última corrida com 3 brasileiros pontuando, mas o Toyota do Zonta quebrou faltando umas 3 voltas quando ele era o quarto.

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