Para os fortes

Foi impressionante ver a transformação entre o Charles Leclerc que parecia extremamente abalado no minuto de silêncio respeitado antes da largada da corrida da Fórmula 3 em Spa e era consolado pelo chefe Mattia Binotto, e o piloto de olhar determinado e focado que vi entrar no carro nos momentos que antecederam o GP da Bélgica. Assim como tinha acontecido há pouco mais de dois anos, quando ele perdeu o pai, Leclerc tinha conseguido deixar a dor de uma perda recente de lado por 2h, e tinha vencido menos de 24h depois de perder um amigo de infância.

Eles ficaram conhecidos na mídia francesa como os 4 Mosqueteiros. Anthoine Hubert, Charles Leclerc, Esteban Ocon e Pierre Gasly. Começaram juntos no kart, Hubert e Gasly inclusive estudaram e moraram juntos. Foram separados de maneira tão abrupta que mal conseguiram processar. Ocon tinha o olhar perdido justamente em um final de semana que seria de festa pela confirmação de seu retorno ao grid. Os outros dois viveriam muita pressão: Leclerc por largar na pole, Gasly por estar pilotando para salvar sua carreira no momento. Tendo visto a dor nos olhos deles, achei impossível não começar qualquer análise sem antes expressar o respeito pela corrida que eles fizeram.

Talvez ajudada pela queda das temperaturas, a Ferrari não gastou tanto pneu quanto se imaginava, mas, talvez pela fritada de pneu na primeira curva, Vettel estava numa posição pouco confortável, que permitia a Hamilton o undercut, quando começaram as primeiras paradas. A decisão, então, foi por cobrir um eventual undercut e chamar o alemão aos boxes.

Acabou não dando certo, mas jogando a favor de Leclerc, já que seu companheiro, fora da briga, serviu como o escudo bem-vindo, mantendo Hamilton ocupado enquanto Leclerc podia poupar seus pneus. 

“Hoje o número 44 não te deu sorte”, um colega brincava com Hamilton após a prova, referindo-se ao número de voltas da prova. Mas, desta vez, Leclerc não ia ver uma vitória escapar nas últimas voltas.

Mais atrás, Lando Norris vinha mostrando um ritmo que a McLaren não teve por todo o fim de semana – que ele, brincando, disse depois da corrida que vinha “puramente do piloto” – acabou perdendo potência com uma volta para o fim e abriu espaço para Alex Albon conseguir o melhor resultado que poderia ter – um quinto lugar – depois de largar em 17º. O tailandês não ficou muito feliz com seu desempenho, e demonstrou certo temor pelo que vem adiante em Monza, em um fim de semana sem punições. Então vamos esperar para ver como serão os próximos capítulos. 

As tentativas de undercut do começo da prova fizeram com que os pilotos tivessem diferenças entre si em termos de desgaste de pneus aparecessem. E, com elas, vieram várias disputas por posição, e muita habilidade dos pilotos (vide a manobra por fora de Albon em Ricciardo). E olha que eles tinham motivos de sobra para optar pelo conservadorismo. Mas pilotos de corrida simplesmente não são esse tipo de gente.

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2 comentários Adicione o seu

  1. SERGIO MAGALHÃES disse:

    Que texto lindo num momento difícil de escrever. Parabéns, Ju!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Nato Velloso disse:

    Oi Julianne!
    Incrível como todos vocês, envolvidos com a F1, conseguiram trabalhar após o acidente, pois é perceptível em seus textos, geralmente plenos de conteúdo, que o pesar da perda afetou o conteúdo dos textos.
    Uma perda é sempre uma perda, em embora a frase seguinte seja clichê é a realidade, e não há muito que se possa fazer apenas o tempo aquiesce a tristeza.
    Grande abraço a todos do Blog.

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