Sessão nostalgia e a volta de Lauda a Nurburgring

Niki Lauda voltou à Fórmula 1 em 1982 depois de duas temporadas afastado. No final de 1979, ele tinha avisado sua então equipe, a Brabham, que não queria mais “pilotar em círculos” e tocaria seus negócios na aviação. Mas a “bronca” com as corridas não durou muito e ele retornou com a McLaren na temporada de 1982. Demoraria mais dois anos, contudo, para se reencontrar com o circuito em que quase perdeu a vida em 1976.

Nurburgring tinha sido excluído a calendário justamente depois do acidente de Lauda, que por muito pouco não se juntou à longa lista dos pilotos mortos na década de 70, mas voltaria em 1984 com um novo traçado, o mesmo que foi utilizado na F-1 até recentemente, antes da pista começar a ter sérios problemas financeiros. A versão em que Lauda teve o acidente, contudo, já era uma modernização, na época, em relação ao que ficou conhecido como o “inferno verde”, de quase 21km em meio à floresta com direito a curvas cegas e árvores ao invés de guard rails. A F-1 correu por lá até 1970.

Voltando a 84, Lauda não só estava de volta, como também disputando o campeonato com seu companheiro de McLaren, Alain Prost. Ao GP da Europa, o austríaco chegou com uma vantagem considerável – 63 pontos contra 52,5 de Prost (e, sim, esse campeonato seria decidido por esse meio ponto) – e, bem a seu estilo, sem se preocupar muito com o retorno a Nurburgring. Mas, em um fim de semana marcado pelo tempo ruim, ele não passou de oitavo na classificação, enquanto Prost largou em segundo, atrás do pole position Nelson Piquet.

O francês largou melhor e tomou a ponta, enquanto Lauda conseguiu escapar das batidas do meio do pelotão, inclusive de Ayrton Senna com Marc Surer. Mas ele perdeu uma posição, caindo para nono. Em quatro voltas e meia, todavia, ele estava em sexto, travado pela briga entre Alboreto e Warwick. Enquanto isso, Prost desaparecia na ponta.

A partir daí, a corrida não teve grandes emoções até o final. “Não foi uma corrida exatamente cheia de drama e empolgação e o público não podia fazer muito, a não ser sentar ou ficar em pé no concreto. Não há mais tendas ou acampamentos neste novo Nurburgring, apenas um estádio de concreto com carros tão distantes que parecem ser de brinquedo”, dizia um relato da época.

Problemas mecânicos dos rivais acabaram fazendo Lauda subir até a quarta colocação no final e, depois de segurar o austríaco por praticamente toda a corrida, Alboreto ainda superou Piquet para chegar em segundo com a Ferrari. O fim dessa disputa tem uma cena curiosa: ambos cruzaram a linha de chegada no limite de combustível. Pararam logo depois e se abraçaram como se estivessem se simpatizando um com a situação do outro.
O quarto lugar pode ser visto como um resultado tímido de Lauda frente ao domínio total de seu companheiro, mas também é verdade que, naquele momento do campeonato, com duas corridas para o fim, o experiente austríaco já não queria mais correr tantos riscos. O resultado do GP da Europa fez com que ele precisasse apenas marcar o companheiro de perto na etapa final, em Portugal. Dito e feito: Prost venceu, mas Lauda chegou em segundo e garantiu o tri. Ele correria mais uma temporada – e mais uma vez em Nurburgring, chegando em quinto lugar em 1985 – antes de se aposentar definitivamente da F-1.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.