Imperfeições

Treinos livres em que as equipes focaram ainda mais que o normal nas simulações de classificação – os maiores stints não passaram de 18 voltas – mais pouco tempo para fazer alterações no carro (logo após os treinos livres o foco era preparar as garagens para o tufão e os carros só foram liberados às 9h da manhã do domingo, 1h antes da classificação). E uma pista completamente verde, lavada pela chuva. É em situações em que a inteligência das equipes é diminuída que os erros aparecem, abrindo a chance de termos posições de pódio indefinidas até a bandeirada e várias brigas ao longo do pelotão.

Quem destoou de um domingo com muitos erros foi Valtteri Bottas, se reencontrando com a vitória depois de seis meses. E pensar que, em abril, ele tinha vencido metade das provas disputadas até ali. Não só o gosto da vitória, como a sensação de estar no controle de uma corrida, estavam fazendo muita falta ao finlandês.

Voltando um pouco no tempo, na classificação, o carro que se deu melhor com o vento fechou a primeira fila, mas a vitória escapou das mãos da Ferrari quando os dois pilotos falharam nos primeiros metros: Vettel se atrapalhou com a embreagem e deu sorte de ter se movimentado dentro do limite tolerável do sensor de queima de largada, algo semelhante ao que aconteceu na Áustria com Valtteri Bottas. Ao seu lado, Leclerc também não largou bem e depois perdeu a dianteira na curva 2, atingindo Max Verstappen e efetivamente acabando com a corrida do holandês. Ele tentou seguir na pista com a asa se desmanchando, e no resumo da ópera acabou levando duas merecidas punições. Mas também é justo dizer que, depois disso, escalou o pelotão duas vezes e fez manobras agressivas numa pista em que erros são punidos com dureza.

Mas Vettel não estava totalmente fora do caminho e a Mercedes decidiu dividir suas estratégias para tentar a dobradinha. Caso tivesse mais informações, não o faria: com mais degradação que o esperado, fazer só uma parada era a estratégia mais lenta, vide o que aconteceu na disputa entre Alex Albon e Carlos Sainz (que fez outra excelente corrida) mais atrás.

Quando eles perceberam isso, já era tarde demais: Hamilton ficou lento na pista com pneus usados, parou antes do que precisava e depois foi instruído a atacar. Foi nesse momento em que sua corrida passou a ser por, no máximo, um pódio, já que seus pneus não aguentariam e a estratégia teria de ser revertida para duas paradas. Não é a primeira vez que James Vowles erra sob pressão.

E olha que não é uma pressão pelo campeonato. O sexto título por antecipação é um feito e tanto para a Mercedes, fruto de uma paixão pelo perfeccionismo. Mas, para nós, um pouco de imperfeição faz um bem danado.

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9 comentários Adicione o seu

  1. Vinicius disse:

    Discordo da análise sobre a parada do Hamilton, os pneus dele ainda estavam muito bons quando ele parou a segunda vez, isso foi coisa do Totó Wolff pra dar a vitória para o seu pupilo e talvez mandar uma mensagem para o Hamilton – não há favoritismo para ele. Acho que o Hamilton não deveria ter obedecido ao chamado dos boxes, visto que o Bottas não conseguia diminuir a distância.

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  2. Claudio disse:

    Discordo da sua análise Julianne. No segundo stint, Bottas tinha pneus médios em bom estado para terminar a corrida. Pararam uma segunda vez para marcar Vettel, esse sim, como Leclerc, teve desgaste elevado de pneus. Não parar Hamilton significaria sacanear o finlandês, de novo.

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    1. Não. Bottas já estava comprometido a fazer duas paradas quando fez o primeiro pit stop. A diferença entre os compostos C2 e C3 é bem pequena

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  3. Jonas Moraes disse:

    Ju, se a degradação era maior que o esperado e a expectativa era do Lewis fazer apenas uma parada, por que o calçaram com pneus médios e não com os duros?

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    1. Dennis disse:

      Para mim, a Mercedes teve um enorme senso de zelo quase beirando a manipulação à la Ferrari, ao parar Hamilton duas vezes. Ele poderia ser ultrapassado por Bottas mas não acredito q teria uma queda de rendimento tão grande para ser ultrapassado tb por Vettel. Acho q a Mercedes jogou fora uma dobradinha só para evitar um confronto dos dois na pista.

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  4. Pelo mesmo motivo: falta de dados. Ninguém usou os duros na sexta (a Pirelli levou C1, C2 e C3, um passo mais duro que ano passado, e equipes acreditavam q ele seria duro demais) + quem estava com os duros na pista não estava andando bem

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  5. Gustavo Pereira disse:

    Ju, acredito que a mercedes marcou o vettel parando o bottas, porém ele vinha com pneus em boas condições e acredito que ele não precisava fazer a segunda parada.

    Hamilton parou quase 10 voltas depois, então os pneus dele estavam melhores ainda. Acho que a mercedes despresou a posição de pista. Deu certo pra o bottas mas deu muito errado pra o Hamilton. Além disso, a própria equipe havia dito que o Hamilton só faria uma parada, então eu ainda acho que beneficiaram o Bottas nessa prova.

    Com relação a ferrari, eu discordei da não punição ao Vettel e da punição ao Leclerc pela questão da asa, pois no primeiro, mesmo que ele tenha parado o carro, foi queima de largada, e no caso do segundo, se a FIA viu isso como um risco, porque não deu a bandeira preta e laranja ?

    Uma coisa e certa: a imprevisibilidade da prova foi ótima …

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    1. Gilvan disse:

      Gustavo, assim como eu, você pode criticar as regras, mas não pode dizer que houve queima de largada, pois isso não foi acusado pelo sensor. O ocorrido não é uma questão interpretativa.

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    2. Sobre a estratégia, o drop-off de rendimento seria de 3s por volta (como foi na primeira parte da corrida para Hamilton). Ele tinha 8s de vantagem com 12 voltas para o fim. A conta não bate, né? Explico melhor no post de estratégia na quarta (terça para os assinantes do Catarse)

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