Drops do GP do Japão no olho do tufão

O alívio foi grande quando, ainda na van que faz o transporte dos jornalistas do hotel para o circuito, ficamos fazendo na sexta de manhã que as atividades do sábado estavam canceladas devido ao tufão. FIA, FOM e equipes vinham monitorando a situação desde o início da semana, mas a decisão final tinha de vir do circuito junto às autoridades locais. E ela veio junto de um trabalho rápido e eficiente para desmontar o que correria risco devido ao vento e proteger os equipamentos.

No final das contas, o tufão não passou tão forte por Suzuka – eu estava em Yokkaichi, um pouco mais ao norte, e o vento foi bem pior mais no final da tarde, mas não o suficiente para derrubar árvores ou causar outros danos do tipo. Foi mais a leste desta região que ocorreram as mortes e mais estragos.

Isso, num país extremamente preparado para desastres naturais, para se ter ideia da força do fenômeno. Algo que parecia que algumas pessoas sentadas em seus escritórios não pareciam ter noção. Ouvi de alguns jornalistas de TV europeus que pediram que eles se deslocassem para tentar gravar com os pilotos durante o tufão.

Minha turma ficou jogando o Monopoly emprestado pela Mercedes – na verdade, eles emprestaram vários jogos, mas só a partida do Monopoly durou 6h… – e para quem se animou em achar para comprar, o jogo não está à venda.

Nos bastidores, houve uma votação entre as equipes sobre as regras propostas para 2021. Lembra que era para o texto sair em outubro? Não vai. Seis times barraram as novas regras, e é preciso que pelo menos 7 estejam a favor para levá-las adiante do jeito que estão. Sem surpresas, Mercedes, Ferrari e Red Bull comandaram o levante, trazendo consigo Toro Rosso, Haas e Racing Point.

À FIA e à FOM, resta abaixar a cabeça e deixar que os engenheiros apresentem as suas soluções. Diferentemente de quando Bernie Ecclestone enfiou guela abaixo o motor V6, a fim de garantir que a Mercedes continuasse no barco, hoje as equipes não têm contrato com a F-1 para além de 2020. E o trio de ferro só assina quando conseguir o que quer: manter-se na frente.

Mas as brigas de bastidores não param por aí: perguntei a Max Verstappen se ele achava que o campeonato do ano que vem seria mais competitivo. Ele disse que esperava que a Ferrari perdesse muito o terreno. Questionei se ele queria dizer que o time tem algo de ilegal em seu carro/motor e ele só sorriu e foi embora. Mercedes e Red Bull têm certeza de que alguma coisa não bate na evolução ferrarista.

E o mesmo acontece mais atrás no grid. A Racing Point protestou o carro da Renault devido a uma suposta irregularidade no equilíbrio de freio, que estaria sendo mexido por meio de configurações pré-estabelecidas eletronicamente. Se for comprovado que isso existe, podemos ter exclusão de resultados de uma equipe que vem levando uma facada atrás da outra.

Até por conta disso, houve no paddock quem levantou a hipótese do “assobio” ter vindo de alguém que quer derrubar Abiteboul – claramente alguém pouco amado lá dentro. Mas também há a possibilidade dos fotógrafos espiões terem feito seu trabalho.

Mas a Racing Point paga um fotógrafo só para espionar o carro dos outros? Sim, como a maioria das equipes. E não é pouca grana. Só dizem as más línguas que falta talento de CIA para o empregado pela Ferrari.

No meio dessa verdadeira selva, os promotores de SP foram à Londres levar uma proposta mais alinhada com o que a FOM está lhes pedindo: um contrato mais favorável à categoria e novas caras atrás da prova. Não foi dessa vez que saiu um acordo e o futuro do GP Brasil segue em aberto. Parece que a mesa de Chase Carey tem muitas demandas antes para resolver.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Robson Coimbra disse:

    Parece que as regras propostas pela Liberty estão trancadas a 7 chaves, só sai na imprensa spots do embrulho ?

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  2. Nato Velloso disse:

    Ainda tô pra ver a Liberty acertar qualquer coisa que seja no comando da F1. Até tenho a opinião que eles não ficam muito mais tempo.
    Grande abraço a todos do blog!

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