Cartas embaralhadas

Os carros da Fórmula 1 foram mais uma vez batidos pela altitude do GP do México, e o que poderia ter sido uma corrida com um final muito interessante, com quatro carros com três estratégias diferentes, acabou virando uma procissão, já que os pilotos perdiam muita aderência quando estavam a 1s5 do adversário.

As cartas que valeram, no final das contas, tinham sido jogadas bem antes de tudo isso. A Mercedes arriscou chamar Hamilton para o box na volta 23 e colocá-lo na estratégia de uma parada, contrariando o que a própria Mercedes pensava a respeito da estratégia antes da largada – Bottas disse que eles estavam projetando duas ou até três paradas antes dos termômetros subirem no domingo e diminuírem o graining sentido na sexta-feira.

Vettel não quis responder já na volta seguinte e aceitou o undercut, acreditando que seria muito difícil Hamilton levar aqueles pneus até o final. E olha que ele nem sabia que a lateral do assoalho do carro do inglês estava comprometida pelo toque com Max Verstappen logo na primeira curva.

No final das contas, o pneu duro durou uma eternidade – no caso de Max Verstappen, 66 voltas! – e Vettel estava errado. Como a outra Ferrari já tinha saído de combate pela opção de seguir com o plano A sem enxergar bem a corrida, e Verstappen apertou o botão de autodestruição na classificação, o caminho estava livre para Hamilton vencer a última corrida que ele imaginaria ganhar na temporada.

Ao pole position Leclerc, faltou a experiência para pelo menos questionar o que os outros estavam fazendo antes de responder que os pneus estavam acabando, abrindo o caminho para a Ferrari adotar a estratégia de duas paradas. São momentos como este que tornam a vida da Scuderia difícil, pois Vettel teve muitos altos e baixos nos últimos anos e Leclerc ainda precisa amadurecer.

Outros destaques da corrida foram o piloto da casa, Sergio Perez, se aproveitando de ter largado na melhor posição possível no grid no meio do pelotão, o 11º lugar, ou seja, o primeiro entre aqueles que não precisam largar com o pneu do Q2. Essa é uma regra sem sentido atualmente, pois só acentua a vantagem dos grandes. E é justamente por essa vantagem que as votações para mudar a regra nunca passam.

Daniel Ricciardo fez uma estratégia completamente diferente, aguentando o máximo de voltas possível com os pneus duros. Foi uma bela corrida de administração do australiano, que pulou de 13º no grid para oitavo na bandeirada.

Mas Ricciardo foi um dos pilotos que ficaram presos atrás de rivais, sem pressão aerodinâmica e com motor e freios superaquecendo. Não tem jeito, essa é uma sina que vem dos 2200m de altitude da Cidade do México e, embora haja o que as equipes possam fazer, simplesmente não vale a pena desenvolver um pacote só para uma prova. Parece, então, que vamos ter de nos acostumar com um espetáculo melhor fora do que dentro da pista no México.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Antecipando o post de estratégia com uma pergunta.
    Se o Leclerc estivesse voltado com os pneus duros na primeira parada, não poderia ter ganho se não fizesse a segunda parada?

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    1. Fernando disse:

      Para mim esse foi o erro estratégico da Ferrari, tivesse ela colocado os duros no Leclerc, mesmo que prematuramente, eles ficariam livres para observar o Desenrolar da prova e assim poder optar por parar mais uma vez ou não.

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