F1 on demand: Da Williams-2020 às “trapaças” no grid

Essa semana tem mais perguntas dos Credenciados no projeto do Catarse No Paddock da F1 com a Ju. Confira no link como participar também dos próximos! 

Essa semana tem mais perguntas dos Credenciados no projeto do Catarse No Paddock da F1 com a Ju. Confira no link como participar também dos próximos! 

Kleber Jorge: Essas ficam para o On Demand. A Liberty Media está com algum plano ‘B’ na mesa caso as obras em Zandvoort e Hanói não fiquem prontas a tempo? Ou esse cenário já está descartado?

Falei com o Jos Verstappen semana passada e ele ainda acredita que a prova não vai rolar. Existe a questão da construção da via de acesso, que enfrenta restrições de ambientalistas, e também melhorias na pista. Ele disse que eles não podem começar a construir nada ainda, pois não há autorização, e o inverno na Holanda costuma ser muito chuvoso. Já sobre o Vietnã, agora a temporada das chuvas está acabando e parece que a obra está andando melhor.

E tem alguma novidade sobre aquele boato da equipe espanhola chegando para 2021 e que traria o Pascal Werhlein?

Não ouvi mais nada sobre o assunto

Ney pergunta: Russell e Latifi na Williams no ano que vem? 

Russell está confirmado e até onde eu sei Latifi já tem contrato para o ano que vem com a condição de conseguir a superlicença. Falta apenas uma rodada dupla para a temporada acabar e a pior posição possível para ele na F2 é um quinto lugar – e isso já lhe daria a superlicença. Então não entendo o porquê da demora, ainda que tenha sido o padrão da Williams nos últimos anos.

Tenho minhas dúvidas, contudo, se seria o melhor caminho para a equipe. Latifi não é nada disso, e a Williams já percebeu recentemente que ter um pai bilionário não significa injetar bilhões na equipe (e nem tantos milhões assim). Bilionários, afinal, não chegam a esse nível gastando dinheiro a rodo, e sim reconhecendo bons investimentos, como Stroll fez na Racing Point, a equipe mais eficiente do grid nos últimos anos.

Vou aproveitar três temas trazidos pela Ana Luiza Kalil que acabei não respondendo depois do GP do Japão, mas que são assuntos que continuam dando pano pra manga:

Sobre o ajuste de freios eletrônico da Renault:

No paddock no México, rivais da Renault me diziam que tinha “saído barato” para a equipe, provavelmente porque todos os times estão em meio à renegociação de contratos. E ouvi também que deveria ser algo desenvolvido ao longo da temporada. Mas o que Abiteboul disse é que o sistema está no carro há mais tempo.

Todavia, o mais interessante é que a punição veio no código esportivo e não no técnico. Ou seja, eles foram julgados culpados pelo artigo que diz que “o piloto deve pilotar sozinho e sem ajudas”. É um artigo super amplo, e há vários sistemas no carro que poderiam ser considerados ajudas, como o brake by wire, por exemplo. E Abiteboul pediu para que a F1 “modernize” seu regulamento por conta disso. Uma bela virada de mesa, isso sim.

2 – Quanto à suspeita de irregularidade do motor da Ferrari, eu entendi pelo que você falou na live que não houve protesto formal por parte da Red Bull e da Mercedes, apenas comentários no Paddock, mas seria a mesma questão de suspeita de irregularidade do ano passado que formalmente não deu em nada, apesar de o rendimento da Ferrari ter caído na segunda metade do campeonato?

Como não se sabe exatamente o que eles estão fazendo, é difícil cravar, mas deve ser algo que eles começaram a explorar ano passado, a FIA mandou cortar, mas eles conseguiram driblar de novo. Parece ser daqueles casos em que é mais algo que fere o espírito das regras do que o texto em si. Mas lembre-se que houve muitas mudanças na federação neste ano, e se comenta no paddock que virou um samba do crioulo doido e eles estão fazendo vista grossa para muita coisa (e não só na Ferrari). É importante colocar sob perspectiva o momento que a categoria vive, com as equipes sem contrato para além de 2020. Sei que vivo batendo nessa tecla, mas isso as coloca com a faca e o queijo na mão.

3 – Saiu uma nota falando que o contrato da Petrobras com a McLaren foi rescindido, mas acredito que não seja verdade pelo valor de contrato informado na nota. Queria mais detalhes sobre esta questão.

Nem o contrato da Philip Morris com a Ferrari é tão caro quando o que o governo diz que o acordo da Petrobras com a McLaren é. Várias fontes apontam que o contrato de patrocínio em si começou em 10 milhões de libras em 2018 e foi corrigido até chegar a por volta de 11,5 milhões agora. Seriam 6 anos de contrato, até 2023, então vamos considerar que seriam uns 70 milhões de libras no total. O governo fala em 163 milhões de libras, mas “esquece” de citar que também se trata de um contrato de desenvolvimento de tecnologia. Há, inclusive, óleo brasileiro sendo usado na McLaren desde o fim do ano passado, e isso custa dinheiro. Mas conversei com gente no paddock que duvida dessa cifra. “Até mesmo se eles estiverem contando logística, absolutamente tudo, o valor não bate.” 

Outra imprecisão é colocar as coisas como se fosse “uma economia de 163 milhões”. Bom, 21,5 já foram gastos com publicidade e mais outros tantos milhões com o desenvolvimento de combustível e lubrificantes. E é claro que, numa rescisão dessas, também é preciso desembolsar uma grana. Infelizmente, é uma política muito comum no Brasil, “ambidestra” inclusive, de não querer dar continuidade a projetos para não se vincular a uma administração anterior.

Seja como for, falei com o chefe da McLaren no México e ele disse com todas as letras que o contrato não tinha sido terminado, até porque a marca seguia estampada no carro. Mas também ouvi que seria uma questão de dias para que isso acontecesse. É algo que o governo vem tentando fazer desde o início do ano e parece estar perto de se concretizar.

2 comentários Adicione o seu

  1. Alfredo Aguiar disse:

    Sobre Petrobras?McLaren. Primeiro vou deixar claro que abomino esse governo. Minha tese nada tem a ver com defender qualquer decisão governamental que seja, desse ou de governos passados.
    Dito isso: Não tenho o mesmo conhecimento do mundo que nossa escriba, até porque viajo de ferias e não tive a sorte dela, de viajar ser parte de minha labuta (inveja branca). De qualquer forma dou minhas voltas por diferentes lugares do planeta e NUNCA vi em nenhum lugar fora do Brasil, exceto é claro pequenos países sul Americanos fronteiriços ao Brasil, nunca vi uma lata de óleo sequer da Petrobras em nenhum desses países. A F1 é uma entidade global e como tal, cobra o preço dessa globalização em que quiser expor e vincular sua marca ao que ela representa. Então do ponto de vista de marketing, nada mais natural que uma empresa que tenha abrangência global e seja destinada ao consumidor final que atrelar sua marca a tal entidade.
    Onde entra a Petrobras nisso? Em nada, é jogar dinheiro pelo ralo, as exportações de petróleo da estatal não estão vinculadas a marketing, essas negociações se dão em bolsas de valores e em escritórios que não recebem qualquer influência em marketing.
    O mercado de consumidor final da Petrobras é estritamente caseiro, não faz o menor sentido os gastos com marketing pra pessoas que mesmo se quisessem não poderiam comprar o produto.
    Quanto aos valores. Vocês realmente duvidam do valor? É óbvio que se trata de negociata e lavagem de dinheiro. A F1 sempre foi prodigiosa em fazer isso, lavou dinheiro Venezuelano por anos da PDVSA, lava dinheiro da Petronas na Mercedes.
    Aaaaa, mas tem a paradinha de testar combustível de alta qualidade bla, bla, bla… Sério isso? Que uma equipe mequetrefe tipo a McLaren possa fazer mais pelo desenvolvimento de derivados de petróleo que um laboratório bem equipado em terras tupiniquins? Alias o carro só serviria de teste, porque todo o trabalho teria de vir de casa da mesma maneira, ou alguém acha que serão os técnicos da McLaren que desenvolverão alguma gasolina?
    Então esse patrocínio só serve pra duas coisas. Encher os bolsos de quem quer no Brasil tenha assinado o tal contrato e pagar pelo champã das festas dos ingleses.

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  2. Claudio disse:

    A verdade foi dita no comentário do Alfredo. Quem discorda possui uma visão muito ingênua de mundo

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