Turistando na F1 e os causos do Brasil

Quem sou eu para falar sobre a culinária brasileira para vocês, mas a ideia aqui é diferente. Mesmo no GP Brasil, eu saio com a mesma turma do restante da temporada na maioria dos dias, e são todos gringos. E sempre vão em uma churrascaria pelo menos uma noite, na qual eu desisti de acompanhar depois de uma conta absurdamente cara acho que em 2012. Acho que ficou uns 200 reais por cabeça porque o pessoal se empolgou na caipirinha doce que o restaurante servia. E eu tinha comido basicamente salada, coração de frango e alguns poucos pedaços de carne. Na época eu comia carne normalmente, hoje parei porque sinto que não me faz bem, mas não é muito a minha me empanturrar de carne à noite. Nem pagar 200 reais para isso.

Mas, aos poucos, eles também foram cansando da rotina de churrascaria todo dia – até porque hoje em dia reclamam do quão cara é São Paulo. Mas não são muitos gringos que abraçam a culinária local.

Ano passado, como fazia tempo que não voltava ao Brasil, estava salivando por mandioca e carne seca. Quando meus amigos viram aquela carne tão vermelha, não acreditavam que não era crua e nem quiseram provar. Azar deles, que preferiram a segurança de um bife com batata frita. 

Mas há quem arrisque, sim, algo além da famosa carne brasileira – aliás, os gringos acham que vivemos em churrascarias ou comemos carne em todas as refeições. Certa vez levei um sueco em um restaurante de comida mineira. Nunca vi alguém comer couve no alho com tanto gosto!

Mas incursões como esta são raras. Os gringos aprenderam rapidamente que São Paulo tem grande presença de descendentes de italianos – acho que ter visto Fittipaldi, Senna, Barrichello, Massa, Di Grassi nas pistas e a Cerasoli, o Motta, o Oricchio, etc fora deles tenha ajudado nessa percepção! – e de japoneses – o que eles descobrindo frequentando o karaokê da Liberdade – e sabem que podem comer boa comida japonesa e italiana por aqui. Quer dizer, boa comida italiana e uma versão meio livre da japonesa. A mania brasileira de colocar cream cheese em tudo incomoda.

Embora a grande maioria goste do café brasileiro, a não ser um americano que veio reclamar para mim do quão forte é o café Pilão, e se impressionou quando eu falei que ele nem era tão forte assim, o café da manhã brasileiro é polêmico entre os gringos. Eles acham que brasileiro só come bolo de manhã, pois é o que geralmente encontram nos hoteis. Não é muito comum ao redor do mundo comer doce de manhã, o café da manhã é geralmente uma refeição salgada, a não ser no Brasil e na Itália (pelo que eu lembro de cabeça dos lugares onde eu fui).

E todo ano a caipirinha faz vítimas – geralmente na segunda-feira eu sou uma delas. “Ah, a caipirinha me derrubou, a caipirinha é muito perigosa, muito forte, é a pior ressaca do mundo”, dizem eles. Sim, é uma bebida forte, mas não ajuda o fato dos gringos tomarem como se fosse água. Uma vez estávamos saindo de um bar que tinha comanda e um amigo pediu para eu confirmar a dele. Não lembro o número exato, mas tinha mais de 10 caipirinhas naquela comanda, e os drinks naquele lugar eram bem fortes. Perguntei a ele se era possível que ele tinha bebido tanto. E ele, com a camisa aberta, suado e lutando para ficar em pé disse que “era provável”.

Outra história com a bebida foi na corrida do ano passado, quando um amigo que vinha pela primeira vez ao Brasil estava sofrendo para decorar o nome do que ele, sem ter a mínima noção do que estava falando, chamava de caiputinha. Depois de tentar ensinar e ele continuar com a versão dele, achei melhor me oferecer para fazer os pedidos para ele pelo resto da noite. No dia seguinte, acordo com uma mensagem dele. “Por que absolutamente tudo está doendo?”. A caipirinha tinha feito mais uma vítima.

2 comentários Adicione o seu

  1. João Carlos Cavalcante disse:

    🤩❤

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    ________________________________

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  2. Luiz Onofri disse:

    Oi Julianne,
    Também tenho um lado italiano. Morei muitos anos em sampa.
    Lembro que frequentava uns bares estranhos na Liberdade. Porões escuros com a presença da Yakuza. Pelo menos era o que a gente achava. Únicos “estrangeiros”.
    E, por falar em bebedeira, certa vez tomei um porre de hi-fi lá em Santa Rosa do Viterbo. Sim, está no mapa.
    Quando ressuscitei fui pagar a conta e constavam dez doses da bebida. Até hoje duvido porque o cara caprichava na vodka. Mas, sobrevivi.
    Abraços.

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