F1 on demand: Lançamentos, Renault, China e GP Brasil

O F1 on demand vem com dúvidas fresquinhas – mais de 50 pessoas mandaram perguntas pelo Instagram (@myf1life)! – e escolhi algumas que se repetiram. Este espaço é geralmente restrito para assinantes do projeto do Catarse, mas neste mês de projeto aberto, todo mundo pode perguntar! E fiquem tranquilos que vou repetir a dose nas próximas semanas.

Vamos lá? Muitas perguntas falando de expectativa para a temporada e o porquê dos carros não terem mudado muito, como afinal de contas era esperado. É só lembrar que a última vez que tivemos tanta coisa estável de uma temporada para a outra foi de 2007 para 2008, porque desta vez até os compostos de pneus são os mesmos. E, no pano de fundo de tudo isso, tem questões estratégicas que abordei aqui.

Muita gente também mostrou curiosidade sobre as possibilidades de remarcação do GP da China, o que respondi neste post. Respondendo a uma dúvida sobre colocar outro GP no lugar, só se aparecer alguém pagando no mínimo 20 milhões de dólares. E correndo o risco de ter as arquibancadas vazias, promovendo um evento em menos de dois meses. Impossível, não?

Houve muitas perguntas também sobre a cobertura – várias sobre os pilotos, sobre os quais falei bastante no podcast deste mês, que está com acesso aberto para quem se cadastrar neste link. Mas o Wellington Oliveira surgiu com uma dúvida diferente: Qual o GP mais difícil de se trabalhar?

Se Mônaco não fosse Mônaco, seria o inferno na terra. Para chegar na pista, se você não tiver o tabard (aquele colete que os fotógrafos usam), não passa. Mesmo com credencial. Aí tem de dar uma volta imensa para chegar no paddock. E conseguir um tabard não é fácil, o número é limitado. O paddock em si é bem pequeno e, assim que você sai dele, entra na muvuca depois que a pista é aberta. Ou seja, até ir numa entrevista da Red Bull (porque o motorhome deles fica fora do paddock por falta de espaço) é um exercício de paciência. Entrevistar os pilotos depois do pódio? Tem que fazer um sprint em meio a times guardando seus materiais e VIPs até mais ou menos onde fica a primeira chicane da piscina (saindo de trás da Rascasse). E entrar ao vivo do grid? Esquece. O que eu faço é gravar um falso ao vivo, correr para o box para conseguir mandar, e correr de volta para o grid. É muito legal estar em Mônaco no final de semana de GP, mas as condições de trabalho não são das melhores (e nem vou comentar da baguete feita de pedra que servem na sala de imprensa).

O Rod Romano fez uma pergunta muito pertinente: o que mantém o Abiteboul no comando da Renault?

Fazendo um parênteses, algumas pessoas perguntaram sobre o “fail” do lançamento no Renault, mas na verdade não foi nada disso. Desde o início, eles anunciaram que seria um “lançamento da temporada”, com eles estavam chamando e, em momento algum, disseram que o carro seria mostrado. Se teve jornalista que não leu o release direito, aí é outra história! Não havia nenhuma menção a lançamento de carro.

Voltando à pergunta. Eu já a fiz algumas vezes para gente que entende mais dessa parte de business. E a resposta sempre passa pela burocracia da empresa que é, em parte, estatal. Em outras palavras, é muito difícil alguém perder um cargo tão importante sem antes passar por um longo processo decisório, vide a própria questão da escolha do novo CEO da montadora. Todo o processo que começou com a prisão de Carlos Ghosn acabou por dar mais tempo a Abiteboul, que tinha conseguido inclusive mais dinheiro da montadora antes de toda a confusão. Além disso, não havia a expectativa de que esse investimento a mais desse resultado do dia para a noite. O foco é se preparar bem para 2021. Enquanto isso, ele continua.

Já Thomaz Prada e Cesar Carvalho, entre outros, perguntaram sobre o futuro do GP Brasil.

Um ponto que ficou muito claro para mim após conversar longamente com todos os lados envolvidos foi que há a possibilidade real do GP sair do Brasil. Simplificando bastante uma questão que tem inúmeras ramificações, de um lado o Rio apresenta mais garantias financeiras de que pode arcar com um contrato nos novos moldes (ou seja, dividindo mais possibilidades de explorar ganhos, fazendo ativações de marketing – que inclusive são mais atrativas no Rio por ser uma cidade mais turística – e, principalmente, pagando acima de 30 milhões de dólares pelo fee, que hoje em dia sai de graça para SP devido a acordo feito ainda por Bernie Ecclestone), enquanto São Paulo tem uma (ótima) pista, prontinha para receber a categoria novamente. Para a F-1, o que conta é ter os dois no mesmo lugar, certo?

Mas então não é só SP arrumar o dinheiro? É complicado para São Paulo conseguir o dinheiro por meio de incentivos fiscais porque as leis funcionam de maneira diferente no estado, e a prefeitura não quer gastar mais do que já gasta com a prova (eles são uma espécie de patrocinador atualmente). A grana, então, tem de vir da iniciativa privada, o que já provou ser um desafio ao redor do mundo. Além do dinheiro em si, há as outras questões levantadas acima que SP tem de colocar no contrato. 

Bato nessa tecla de não ser só uma questão de “perder para o Rio” porque é isso que ouvi diversas vezes dentro da F1: o acordo precisa ser muito mais favorável do que o atual. Sei que, no Brasil, existe essa ideia de que a categoria vai fazer de tudo para permanecer no país, mas já ouvi com todas as palavras de gente que toma esse tipo de decisão por lá que não é o caso.

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