Primeiros sinais

Quem está acostumado/a a este espaço sabe que aqui não tem papo de “esconder o jogo” em testes. Não dá para ter certeza absoluta de quem está onde, fato, mas é possível ler os sinais e buscar entender quais as qualidades em que cada equipe está apostando para começar a temporada.

E, nesta primeira semana, alguns estavam bem mais sorridentes que outros…

James Allison não é dos caras mais sisudos do paddock, longe disso, mas na quinta-feira, enquanto o paddock via e revia as imagens onboard do carro de Hamilton em que o volante se movia para frente e para trás e controlava a angulação das rodas, ele caminhava com um ar de quem tinha, sei lá, ganhado uma eleição. Era orgulho puro de sua equipe, que tinha inovado com algo bastante visível, o que não acontecia desde o duto F da McLaren há quase uma década. Depois de dar suas primeiras voltas com o carro, Hamilton tinha semblante parecido (algo incomum em testes, nos quais ele geralmente odeia o comportamento do carro). Quando um carro nasce bem, a equipe pode até medir as palavras, mas é bem mais difícil medir a confiança no olhar.

O que nos leva à Ferrari. Há um ano, eram eles que esbanjavam essa confiança toda. Mas também era um cenário diferente, com os carros mais nervosos devido a uma mudança “fresca” de regulamento. Agora é mais fácil saber onde estão os rivais, e Binotto já falou que vê a Ferrari atrás de Mercedes e Red Bull. O time perdeu tempo de pista também, com uma quebra de motor (por si, um mau sinal), mas também é fato que não buscou performance. A impressão que ficou é de que Vettel e Leclerc estão mais confortáveis no carro e ele gera mais pressão aerodinâmica, mas ao mesmo tempo eles sabem que o passo não foi suficiente. Veremos o que acontece quando eles forçarem o ritmo na próxima semana.

A Red Bull sabe que tem um carro bom nas mãos, estão todos muito tranquilos por lá. A grande vedete é o bico. Ouvi de um diretor técnico que carros atuais só têm bicos por conta do regulamento, ou seja, quanto mais finos, melhores do ponto de vista aerodinâmico. E, na Red Bull, eles retiraram toda a parte hidráulica dele, montando a suspensão um pouco mais para trás. É uma inovação até mais impressionante que o DAS. Mas Verstappen, observado de perto nas entrevistas pelo pai, optou por dizer o mínimo possível e não dar bandeira.

A Racing Point assumiu o risco de começar do zero. Pode não parecer exatamente do zero levando-se em consideração que há muita “inspiração” na Mercedes, mas também tem a coragem de mudar conceitualmente o carro só para uma temporada. Coisas de novo rico? Pela tranquilidade de Perez, que disse que os problemas de instabilidade de traseira desapareceram, parece que foi mais um passo na direção certa. A luta deles é para ser o melhor do resto, e o mexicano acha que estão bem encaminhados.

A AlphaTauri vive uma expectativa semelhante à Racing Point em termos de ter chegado no topo da turma da F1B. No caso deles, porque existe uma continuidade da influência que vem da Red Bull, algo que tende a aparecer mais em um segundo ano de um mesmo conjunto de regras. Todo mundo tranquilo e curtindo a “roupa” nova também.

Mas e aqueles que eram os melhores da F1B? Esperava-se mais da McLaren, que teve um primeiro dia positivo e depois começaram a aparecer algumas dificuldades, normais para quem decidiu mudar bastante seu projeto. Na sexta, era o único carro que usava o traçado sem a chicane na entrada da reta, o que dá a impressão de que eles estavam tentando entender de onde estão vindo dados que não batem.

Já a Renault apareceu bem magrinha e claramente houve muito trabalho naquele carro. As boas sensações dentro do time foram crescendo ao longo dos três dias do teste. Veremos se a mesma tendência segue na segunda e, mais importante, na Austrália.

Mais atrás, é claro que não faz muito sentido comparar um teste após uma mudança de regulamento, como no ano passado, a outro em que os carros são mais uma continuidade. Mas, para a Williams, era fundamental começar com o pé direito após o desastre do ano passado. Na pista, eles voltaram a parecer um carro de corrida de verdade, e até o semblante dos membros do time era outro. Eles tiveram alguns pequenos problemas, e ainda não estão no peso mínimo, mas nada de fundamental.

A Alfa focou mais em confiabilidade, conseguindo quilometragem digna de time grande. É um time que vem se posicionando de forma interessante, contratando bem do lado técnico e se fortalecendo com patrocinadores também. Único porém é que a Ferrari não parece ser uma parceira tão “generosa” quanto as de seus rivais.

Olhando de fora, a impressão é de que a Haas se manteve no mesmo patamar do ano passado, e isso não seria nada animador para o time, que caiu ladeira abaixo ao longo da temporada. Mas Guenther Steiner estava tranquilo na sexta à noite. Explicou que foi um problema na roda que fez Magnussen escapar e não voltar mais à pista, algo simples de ser resolvido. Mas não deixa de ser um repeteco: a estrutura enxuta costuma significar que o time falha mais no básico.

3 comentários Adicione o seu

  1. GUSTAVO JONAS GORDILHO disse:

    Mas essa carta na manga da Mercedes pode estragar o espetáculo. Pode até estar dentro do regulamento, mas é estranho. E a Racing Point vai colocar a prova algo que eu sempre me perguntei: e se alguém copiar um carro vencedor?

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  2. Robson Coimbra disse:

    Pelo que deduzi o sistema de direção na Mercedes não tem nada haver com cambagem como afirmam alguns “especialista”, pois essa é regulamentada pela FIA em seu grau máximo, que é + ou – 3° . O sistema tem mais haver com a convergência das rodas dianteiras que se direcionam para o meio do carro, de forma minima, para com a fricção do lado externo do pneu gerar mais calor e homogeneizar a temperatura da borracha. Talvez perca velocidade com o arrasto dos pneus, mas ganhe no geral com a temperatura ideal nas curvas tendo mais aderência .

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  3. ]Muguello[ disse:

    Esse cara da foto é bem importante, né? O único que não está usando “farda”. kkkkk

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