Há 30 anos: Havia um Nakajima no caminho de Senna

São mais de 10 GPs do Brasil que fazem algum tipo de aniversário nesta semana, incluindo as duas vitórias de Ayrton Senna em Interlagos, que serão relembradas na minha coluna no UOL. Mas também há um lado B dessa história. Há 30 anos, Senna escrevia um capítulo não tão glorioso de sua história.

Estava tudo preparado para um vitória gloriosa do brasileiro: 1990 foi o ano em que o governo da então prefeita Luiza Erundina investiu pesado para levar o GP São Paulo, com direito à introdução do S do Senna, projetado pelo próprio, ainda que o paulistano Ayrton tenha preferido não ir à inauguração, dizendo que precisaria focar-se na prova.

No pano de fundo, o Brasil passava por um momento delicado, nos dias que se sucederam ao anúncio do Plano Collor 1, logo depois que o então presidente assumiu com a missão de frear a inflação. Muitos colegas jornalistas lembram bem disso: chegaram com cruzados novos nas mãos, mas agora era a moeda era o cruzeiro, e eles não entendiam muito bem o que tinha acontecido.

Neste cenário, nada melhor que comemorar o que seria a primeira vitória de Senna no GP do Brasil, ainda mais com o piloto da McLaren vindo de vitória na etapa de abertura, em Phoenix, e esquecer os problemas do país, certo?

Tudo caminhava muito bem para isso. Senna saiu na pole depois de uma de suas voltas matadoras características, no finalzinho da classificação. Tinha o companheiro Gerhard Berger em segundo no grid e Thierry Boutsen em terceiro. O rival, Alain Prost, em dificuldades em seu início de campeonato pela Ferrari, saía só em sexto, embora houvesse a crença que as Ferrari teriam vantagem com seu câmbio semi-automático, já que permaneceriam com as mãos ao volante nas ondulações de Interlagos e no miolo. Pelo menos na classificação, isso não tinha se confirmado.

Na corrida, contudo, o cenário mudou. Senna manteve a ponta, mas Prost foi rapidamente passando um a um no meio do pelotão, e logo chegou em Berger, que já tinha sido superado por Boutsen. Mas nada disso parecia afetar o heroi local, que abrira uma vantagem confortável na ponta, vantagem essa que até aumentou quando Boutsen teve um pitstop desastroso na volta 30 de 71, quando o piloto da Williams simplesmente não conseguiu parar o carro e acertou parte do equipamento do time.

Isso abriu caminho para Prost começar a diminuir a vantagem e, na volta 35, ele já estava a 10s de Senna, que passou a ter que apertar o ritmo. Até que Senna se enroscou com o retardatário Satoru Nakajima e teve de se arrastar aos boxes e trocar o bico da McLaren. Na narrativa brasileira, uma barbeiragem do japonês, mas há quem pondere que Senna também correu seus riscos, com a pista tão suja do lado de fora da trajetória, onde Nakajima estava. Foi um incidente, inclusive, parecido com o de Hamilton e Albon na corrida do ano passado.

O fato é que Senna tentou de tudo para reparar a situação, e acabou chegando em terceiro lugar, deixando a vitória cair no colo de seu grande rival, no auge do ódio da torcida devido à polêmica decisão do campeonato de 89 no Japão.

Não foi o começo da relação com Interlagos que Senna tinha sonhado, e agora seriam sete os GPs de Senna no Brasil – o terceiro com chances reais de vitória – sem que o piloto tivesse conseguido subir ao lugar mais alto do pódio. Seria uma sina? A redenção viria um ano depois…

3 comentários Adicione o seu

  1. Paulo Salles disse:

    Totalmente insana a tentativa de ultrapassagem!!! Foi para a galera do G ver, estive os quatro dias ali e foi muito grande a frustração…. mas eu tb estaria ali nos próximos quatro anos!!! E tb em outros…

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  2. Allen Robinson disse:

    Julianne.

    Só pra avisar. Dá uma corrigida na matéria da sua coluna no UOL. Você misturou fatos das vitórias de 1991 e 1993.

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  3. Carlos Silva disse:

    Para mim, a culpa do acidente do Senna e do Nakajima foi do brasileiro que foi afoito.

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