Os pilotos brasileiros e a pandemia

Foto: Julianne Cerasoli

O cenário ano passado era o seguinte: Pietro garantindo que chegaria na super licença, mas com um caminho que parecia tortuoso. Serginho começando bem o campeonato, mas depois decaindo, e parecia que ele estaria fadado a permanecer mais um ano na F-2. Pedro vencendo em Spa, mas passando a maior parte da temporada fora da luta pelas primeiras posições na F-3, e Felipe Drugovich sofrendo numa equipe que não lhe dava muitas esperanças. Este era o cenário dos pilotos que acompanhavam o circo da F-1.

A história tinha tudo para ser outra neste ano.  Há um mês, o ano do automobilismo brasileiro se desenhava como o mais promissor dos últimos tempos. Mesmo com as categorias de base em frangalhos no país, a aposta de alguns pilotos de tentar a sorte no exterior vinha gerando frutos importantes, e seis pilotos acompanhariam de perto a temporada da Fórmula 1 – competindo nas categorias de base que correm junto da categoria ou fazendo parte das equipes.

Foto: Julianne Cerasoli

Isso porque Sergio Sette Camara (que vinha sendo, nos últimos anos, o único representante brasileiro na Fórmula 2) tinha conseguido a superlicença e voltado à Red Bull, agora no papel de piloto reserva e de testes, algo que foi uma reviravolta na carreira do mineiro de 21 anos. E ainda por cima foi confirmado para correr na Super Fórmula, categoria que tem o segundo mais rápido monocoque do mundo e tem se mostrado uma prova de fogo e tanto para pilotos criados no automobilismo europeu.

Também era esperada – e acabou se confirmando semanas depois – a superlicença de Pietro Fittipaldi, o que também fez com que o piloto subisse de cargo na Haas, de piloto de testes a piloto reserva.

Ser piloto reserva na Fórmula 1 não é garantia nenhuma de entrar no grid, mas possibilita aos pilotos ter contato direto com os engenheiros, além de possibilitar colocar os patrocinadores em evidência, algo fundamental para a carreira de qualquer piloto. E os dois acabaram se colocando em posições interessantes: Sette Camara pela conhecida falta de paciência (que ele mesmo já experimentou) de Marko, e Pietro por todas as chances que Gene Haas já deu a seus pilotos (muito mais do que Guenther daria, se a decisão dependesse dele).

E essa não era a única boa notícia: Pedro Piquet e Felipe Drugovich tinham subido da F-3 para a F-2, correndo na Charouz e MP Motorsport, respectivamente. Ambos construindo suas carreiras de maneira independente, o que tem se mostrado um caminho mais árduo, então cada passo é importante.

E dois pilotos que juntariam à turma que segue o circo da Fórmula 1, entrando na Fórmula 3: Igor Fraga, também pela Charouz, e Enzo Fittipaldi, pela HMA. Mais do que isso, ambos fazendo parte de programas de desenvolvimento – Igor da Red Bull e Enzo da Ferrari.

Estes dois pilotos carregam uma grande expectativa: Enzo vem do título da F-4 italiana em 2018 e o vice na F-3 Regional ano passado, e Fraga foi campeão brasileiro de Fórmula 3, mas acabou focando mais no eSports para manter-se em atividade devido a dificuldades de financiar sua carreira. Depois que ganhou um concurso de simuladores da McLaren, no entanto, ele mostrou seu talento, ganhou a Toyota Racing Series 2020, e retomou o foco nas pistas.

A expectativa era grande, mas agora há a possibilidade de que esses pilotos não possam mostrar muito serviço neste ano. Na Fórmula 2, cinco das 12 etapas programadas foram adiadas e, na na Fórmula 3, três das nove também estão sem data devido ao coronavírus, e acredita-se que este número possa aumentar, já que alguns organizadores pediram mais tempo à Fórmula 1, uma vez que seus países ainda não têm estimativas de quando vão voltar a permitir eventos que reúnam grandes concentrações de pessoas, como é o caso de França, Áustria e Inglaterra. No caso da F-2, para um campeonato ser válido, são necessárias cinco etapas (com rodadas duplas em todas elas).

Ainda é muito cedo para dizer que 2020 é um ano perdido para eles, assim como não dá para prever o qeu vai acontecer com seus contratos. Fato é que todos esses meninos das categorias de base estarão sob uma pressão incrível se a temporada seguir adiante, tendo de se adaptar rapidamente. Mas também é uma oportunidade sem igual.

2 comentários Adicione o seu

  1. Ju, vamos supor que se temporadas possam começar a partir de agosto.
    Vale a pena fazer uma temporada de 6 meses? Para as categorias de base, também? Serviria para pagar o custo de todos os envolvidos?
    E se a temporada for cancelada, qual o impacto financeiro na F1 e categorias de base?

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    1. A questão não é o tempo, mas sim o número de etapas para a F1, já que isso afeta as duas grandes fontes de receita (race fees e direitos de TV). Esse número mínimo de 15 que estão falando não é chute, mas sim o mínimo para segurar os direitos.
      Já na base, as fontes de renda são patrocínio e o que os pilotos trazem. E não escolhi falar dos pilotos que viajam com a F1 (na F2 e F3 por acaso: essas categorias entram no pacote de transmissão da F1 e ganham em visibilidade por andar junto com a principal – ou seja, os patrocinadores as valorizam por conta disso. Ou seja, primeiro tem de viabilizar a F1 na Europa. Se for possível fazer, aí F2 e F3 podem se interessar.

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