E agora, Ferrari? E agora, Vettel?

É preciso voltar a julho de 2018 para entender o que aconteceu com a trajetória de Sebastian Vettel na Ferrari.  Jogar a vitória no GP da Alemanha no lixo e ainda provocar o Safety Car que daria ao rival Lewis Hamilton a chance de vencer uma corrida que vinha desenhada para que ele perdesse muitos pontos após uma rara falha na Mercedes na classificação quebrou a confiança da equipe e, em que pese todas as oportunidades nas quais especialmente Mattia Binotto tentou resgatá-la – especialmente em Singapura e com todo o esforço para deixá-lo mais confortável no carro do ano passado – a realidade nua e crua era que um estreante muito bem posicionado politicamente na Scuderia tinha o superado.

Quando se fala que Vettel não aceitou a redução salarial e isso travou as negociações, não é uma questão de números. Quando ele renovou com a Scuderia em 2017, fechou um acordo de 120 milhões de dólares por três anos, tendo como companheiro um Kimi Raikkonen que sempre foi descomplicado como tal em termos políticos, e que tinha de tornado fácil também de ser batido na pista.

Mas o mesmo Marchionne que lhe deu o contrato generoso acreditava que Vettel precisava ser desafiado, e defendia que o jovem Leclerc seria o melhor nome para isso. Talvez só não esperasse que a passagem de bastão acontecesse de forma tão rápida: Leclerc fez mais poles, ganhou mais, pontuou melhor. E não fez com que Vettel subisse de nível: ele continuou errando, e sozinho, como no Bahrein ou na Itália ano passado.

Não coincidentemente, a proposta que teve na mesa para renovar o contrato desta vez não foi tão vantajosa. E aí entra a questão de dinheiro: receber menos dentro deste contexto, com Leclerc na equipe, e ter um contrato mais curto que o do companheiro só poderia significar que o espaço foi perdido.

Então quando se fala que Vettel não aceitou ganhar menos, não é preciso conhecê-lo muito bem para saber que não é a conta bancária que lhe incomodou, mas o significado desse “rebaixamento”.

Confesso que desde que ouvi Vettel falar sobre as novas regras, no dia em que elas foram divulgadas, na quinta-feira do GP dos EUA, não o vejo no grid para pilotar esses carros. Apreciador da F1 da época de Schumacher e estudioso da história da categoria, ele odeia esse motor híbrido, odeia o calendário longo e não acha que o esporte está indo na direção correta. Ele não perdeu a paixão por pilotar, mas a quantidade de elementos que ele não gosta na F1 está começando a pesar.

E para a Ferrari?

É inevitável que eles percam do ponto de vista da experiência. Não tem nenhum tetracampeão no mercado com tantos GPs e vitórias nas costas – acreditando no que o Hamilton tem dito há algum tempo sobre não se interessar pela vaga na Ferrari. Leclerc ainda comete muitos erros, embora tenha se mostrado um aluno aplicado, então a Ferrari precisaria de alguém que lhe desse tranquilidade e lhe forçasse ao mesmo tempo. É um equilíbrio difícil de se encontrar, vide a Mercedes.

O nome que encabeça a lista a Carlos Sainz. Tecnicamente, uma ótima escolha: apesar de jovem, já tem cinco temporadas, nas quais ganhou consistência. A regularidade deve vir de berço e o racecraft lembra seu ídolo Alonso. Mas, assim como o compatriota, ele já mostrou no passado que joga politicamente dentro da equipe.

Outra opção seria Ricciardo, há anos na lista ferrarista. Ele já indicou algumas vezes acreditar que seu ex-companheiro Vettel era quem lhe vetava na Scuderia, então o caminho estaria aberto agora. Mas ele aceitaria ir para Maranello a qualquer custo? Certamente ganharia muito menos do que hoje e, aos 31 anos, entraria numa equipe que já tem dono.

Giovinazzi corre por fora e, se for o escolhido, seria visto como a prova cabal de que Leclerc tomou um lugar que foi de Schumacher, Alonso e Vettel. Nunca foi da Academia da Ferrari em si, mas o time o conhece bem da época em que foi piloto de simulador. Na verdade, eles sabem muito mais sobre ele que seus resultados podem nos contar.

Correndo por fora, ouvi ainda em julho do ano passado que um certo Valtteri Bottas estava de olho no movimento de Vettel na Ferrari, e talvez fosse mesmo uma boa para ele, e para a Scuderia, já que com Bottas viria a experiência de quem está no time a ser batido.

Quem eu escolheria? Nenhum deles. Mas sim um amigo de Leclerc, também rapidíssimo e com um poder impressionante de adaptação, que forçaria o monegasco sem desgastar a tal “harmonia perfeita” que Vettel não via mais dentro da equipe. E o contrato dele com a Red Bull acaba no final deste ano…

A lição que os últimos anos da Ferrari nos deixa é que não existe só uma receita para falhar em Maranello. Se Fernando Alonso foi praticamente perfeito dentro das pistas e saiu pelo desgaste fora delas, a história de Vettel foi justamente o contrário disso. Que fique a lição para quem chegar.

9 comentários Adicione o seu

  1. Dennis disse:

    Aposto em Riccardo na Ferrari. Ele já encheu o bolso na Renault e pode simplesmente ir só lutar por vitórias. E tb acho q Vettel vai se aposentar pq ele só teria ânimo necessário se fosse para ir para a Mercedes, o q não vai acontecer. Ir para Renault ou McLaren para andar no meio do grid não é muito motivante, mesmo com muito dinheiro envolvido.

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    1. Bruno disse:

      Quem eu escolheria? Nenhum deles. Mas sim um amigo de Leclerc, também rapidíssimo e com um poder impressionante de adaptação, que forçaria o monegasco sem desgastar a tal “harmonia perfeita” que Vettel não via mais dentro da equipe. E o contrato dele com a Red Bull acaba no final deste ano…
      Albon ???

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      1. Marcos Paulo disse:

        Sim. Albon.
        Só não sei dizer onde seria melhor para ele. Uma equipe louca para fazer o Max ser campeão ou uma Ferrari que deve ser complicadíssimo de se trabalhar e que tb tem seu novo preferido.
        A diferença é que Leclerc só tem um ano de casa.

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    1. Eu também gostaria de ver o Ricciardo. Seria um bom desafio ao Leclerc.

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  2. Paulo Moreira disse:

    Eu ia buscar o Ricciardo. É um piloto experiente, já ganhou corridas e não é problemático.
    Quanto ao Vettel. Retira-se a não ser que encontre um lugar ou na McLaren ou na Racing Point que pelo que se viu na pré-época vão andar bem.
    Mas agora é que a dança das cadeiras vai começar.

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  3. Leandro A. disse:

    Eu buscaria George Russel!

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  4. Elvis Gomes disse:

    Não sei se a Ferrari iria atrás de Mad Max… depois das declarações q Verstappen fez em relação ao motor ferrarista, as portas se fecharam em Maranello.

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  5. allanwylde disse:

    É fato que Leclerc tomou o posto de piloto principal. Logo ele precisa de um escudeiro. Vejo as seguintes opções: Albon, Bottas, Giovinazzi e quem sabe Hulkenberg retornando. Quem eu escolheria? Hulkenberg. Experiente, motivado sem ser uma ameaça real para o Leclerc, e principalmente mais “barato”.

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