Por que a Ferrari escolheu Sainz? Os ganhadores e perdedores da dança das cadeiras

Lembrando que o Smooth Operator foi de último a terceiro em Interlagos…

Ele foi votado pelos próprios pilotos como o quarto melhor do ano passado, atrás apenas de Hamilton, Verstappen e Leclerc, e ainda tem muita gente questionando o que diabos a Ferrari viu em Carlos Sainz. Trata-se de um piloto que deu um salto muito grande na McLaren e que tem algumas características dentro e fora das pistas que o tornaram um candidato interessante para a Scuderia. Um misto do que veio de berço, e de seu grande ídolo. 

Como Alonso, Sainz não tem a classificação como seu ponto forte, embora tenha batido Verstappen no quesito quanto foram companheiros. Como Alonso, é encontrando a trilha para avançar nas corridas que ele se destacou ano passado, especialmente na segunda metade. Como o pai, lida bem com a parte política internamente (haja vista o cuidadoso vídeo de despedida que fez para a McLaren), agrada patrocinadores, tem retorno técnico reconhecido e é de uma regularidade impressionante em termos de ritmo. Não por acaso, seu engenheiro o apelidou de “smooth operator”.

E, do ponto de vista da Ferrari, as ambições imediatas de Sainz são bem menores que as de Charles Leclerc.

Neste cenário, dá para entender por que Daniel Ricciardo foi preterido. Não chegaria na Ferrari para ter sua primeira chance em um time grande, mas para lutar pelo título. E isso implicaria, inicialmente, em lutar por espaço com Leclerc. Justamente o mesmo motivo pelo qual saiu da Red Bull, após Verstappen construir um cenário muito semelhante ao do monegasco.

Além disso, como houve a conversa de que o australiano teria pedido muito dinheiro nas negociações de 2018, ele pode ter ganhado fama de ambicioso demais. E não ajuda o fato de ter saído da Red Bull para ganhar um caminhão de dinheiro na Renault e pular do barco na primeira oportunidade. Iria cobrar menos para a Ferrari agora? Provavelmente. Mas não é o tipo de atitude que ajuda quando você já não tem tudo a seu favor. 

Diz ele que não teve nada disso: ele era o piloto Ferrari para 2019 até o GP de Mônaco, quando Marchionne bateu o martelo a favor de Charles. O presidente morreu no final de julho daquele ano e sua palavra foi mantida não apenas por respeito, mas porque os que assumiram o comando da Ferrari eram seus aliados. E a Leclerc foi dada a chance de lutar de igual para igual com Vettel desde o início da temporada (convenhamos que só viu o “menino Leclerc contra o mundo” quem quis).

Piloto da Academia, indicação de Marchionne (nome central na recuperação da empresa mesmo não tendo ficado por tanto tempo assim no controle), e um trunfo importante também com os Todt (leia-se, FIA). Não é a toa que ele traz consigo tanto poder. E, na pista, os resultados.

Depois da experiência positiva de ter um piloto já bicampeão (Schumacher) chegando com peças-chave para a reconstrução da equipe, e de duas tentativas frustradas em que só foram contratados os pilotos em si com a missão de salvar a lavoura (Alonso e Vettel), a Ferrari parece tentar algo diferente, com suas crias. De Leclerc ao topo do corpo técnico, é assim que o time está estruturado para enfrentar os próximos anos.

McLaren se deu bem

Demorou dois anos, mas a jogada que Zak Brown tentou em 2018 finalmente deu certo: Ricciardo esteve próximo de acertar com a McLaren e acabou decidindo ir para a Renault. Em teoria, estar em uma equipe de fábrica é melhor do ponto de vista da competitividade do motor, mas desde que o motor fale alto. Ele decidiu duvidar de todos os sinais de que a Honda estava se encontrando e apostou no motor errado. Curiosamente, um desses sinais era a negociação da McLaren para retomar a parceria com a Mercedes. 

Lucrando puramente com o fato de Ricciardo não ser o nome correto para o momento que a Ferrari atravessa, a McLaren acabou com uma bela dupla. Ricciardo tem experiência, vem com fome de mostrar que sua carreira não foi jogada no lixo, é excelente no meio do pelotão, sabe vencer. Pode parecer bobagem, mas vira e mexe na F1 a gente ouve de equipes que já foram grandes o quão difícil é fazer os próprios engenheiros e mecânicos acreditarem que estão em um time vencedor. Ele pode trazer essa mentalidade de volta à McLaren.

E a Renault?

Nem é preciso dizer que a Renault saiu por baixo de tudo isso. Mais um vez, diga-se de passagem, após perder a Red Bull e, depois, a McLaren. Não por acaso, o tom do comunicado de Abiteboul foi de reiterar o compromisso da equipe na F1.

Quando ele foi bater na porta da montadora pedindo mais dinheiro, em 2018, tinha debaixo do braço um projeto de cinco anos. Foi com este projeto que ele convenceu Daniel Ricciardo, mas o australiano demonstrou não confiar totalmente no que via ao assinar por dois anos e deixar em aberto um plano de fuga quando tantos contratos estariam no fim. Pulou do barco.

Agora, Abiteboul precisa de um nome forte, e os indicativos são de que Vettel não estaria interessado no projeto francês – e até, convenhamos, pelo que ele mostrou andando no bolo na Ferrari, talvez não fosse uma ótima opção. É neste contexto que o nome de Fernando Alonso volta à tona, no que poderia ser uma posição interessante também para Valtteri Bottas caso ele se veja sem lugar na Mercedes. Correndo por fora, Nico Hulkenberg não está exatamente ocupado no momento….

Nesta dúvida para saber qual o melhor projeto para o futuro, se a McLaren com motor Mercedes ou a Renault focada totalmente no time de fábrica e com orçamento mais garantido, quem aparece como a grande aposta para o futuro é a Racing Point/Aston Martin. Em teoria, eles não têm vagas abertas para 2021, mas seriam uma saída e tanto  para quem perdeu esse primeiro bonde.

8 comentários Adicione o seu

  1. Dennis disse:

    Gasly seria o melhor para a Renault neste momento, ele não tem mais chance na Red Bull e seria um segundo francês em uma equipe q seria então 100% francesa. Mas acho mais provável q a Renault caia fora da F1 devido a crise e ao fato q ninguém paga mais por seus motores.

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  2. Vinicius disse:

    Gostaria de ver o Nasr na Renault. Sei que seria uma aposta e tanto dos dois lados, mas o Brasileiro fez um belo trabalho na pífia e falecida Sauber.

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  3. Plow King disse:

    Desde meados de 2000 que a F1 esta mais interessante fora das pistas que dentro.

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    1. WAGNER DE ALMEIDA OLIVEIRA disse:

      Gostaria de ver Ricciardo na ferrari, mas as trocas foram interessantes, acho que a McLaren vai voltar à andar na frente com o motor mercedes… E Sainz é muito bom em corrida, pode dar um calor em Leclerc e quem sabe virar o principal piloto da Ferrari? Quem sabe? Prevejo ele, Verstappen, Leclerc e Hamilton tendo batalhas interessantes. Acho que Vettel aposenta, 3 filhos, tá de saco cheio da f1, tende a parar.

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  4. Fernando disse:

    Julianne, pelas decisões tomadas , pelo vídeo do Sainz, a impressão que dá é que já estão contando como a temporada 2020 encerrada.
    Apesar de todo esforço da Liberty para conseguir fazer provas no RedBull ring, Silverstone, Monza, a impressão que passa é que não vai rolar. É essa a sua impressão?

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  5. Paulo Moreira disse:

    O Sainz na Ferrari não vai ter pressão nenhuma, por isso vai estar à vontade, se ganhar óptimo, se não ganhar também não há problema.
    O Ricciardo já tem mais responsabilidade que o espanhol, a McLaren espera que ele seja rápido e que lute pelos lugares da frente, isso se tiver carro.
    A Renault foi mesmo quem pior ficou no meio disso tudo e não vejo nenhum piloto com aspirações a ganhar que queira ir para lá.
    Voltando ao Ricciardo, até pode ser que ele tenha mais sorte na McLaren do que se tivesse ido para a Ferrari, a equipa italiana é muito propicia a politicas enquanto que a McLaren é mais soft e no próximo ano vão ter motores Mercedes, o que pode fazer toda a diferença.

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  6. Interessante o desenrolar das coisas… O favorito para substituir Alonso na McLaren em 2019 era o Ricciardo, mas ele mudou de ideia e foi para Renault, tomando o lugar do Sainz. O espanhol que correu o risco de ficar de fora da categoria, acabou indo parar na McLaren, com uma ajudinha do Alonso, e surpresa, fez uma excelente temporada, sendo um dos destaques da Fórmula 1. Portanto, Carlos Sainz deu o seu recado, terminou o ano por cima. Já Daniel amargou uma temporada mediana com a Renault, sem muito destaque. No seriado da Netflix até tenta forçar uma rivalidade entre ambos, por essas escolhas, quem assistiu a 2ª temporada vai entender. Agora imagine, se o Daniel tivesse ido para McLaren em 2019 e o Sainz ficado na Renault…. Curioso que assim, Ricciardo abriu os olhos, voltou atrás e aceitou ir para a McLaren… Unir escolha certa e tempo certo é um dos desafios de quem corre na Fórmula 1….

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  7. Alonso na Renault é para afundar de vez. Não questiono a qualidade do espanhol como piloto. Mas ele quer um carro para brigar por vitórias. Um piloto jovem e barato seria a melhor escolha. E ver se conseguem um conjunto mais competitivo em 2022, com as novas regras. E talvez até pensar em mudar o comando da equipe.

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