E agora, F1?

A ideia era fazer uma sequência de textos mostrando como a F1 mudou depois da última crise mundial, em 2008 (que parece pequenininha em comparação com essa quando pensamos na nossa vida cotidiana e em todas as vidas que se foram, mas que atingiu em cheio o mercado financeiro e teve desdobramentos sérios nas montadoras), “apresentar” um personagem importante para a F1 e sua “mudança de lado” e amarrar tudo no final.

Um tal de Sebastian Vettel e a Ferrari foram a ignição de uma série de eventos que deixou a série adormecida por duas semanas, mas cá voltamos. A grande diferença entre a F1 que viveu até a ameaça de uma liga paralela pós-crise de 2008 e agora é que Ross Brawn está do lado de quem comanda o esporte. E é só dar uma olhada rápida em seu histórico para apostar que, finalmente, tudo leva a crer que será o esporte, e não uma ou outra equipe, que sairá vencedor após todas as decisões que já vinham sendo tomadas, mas que “ligaram o turbo” devido ao coronavírus.

Para saber mais sobre o que foi decidido até aqui, fiz uma lista no UOL nesta semana.

O mais interessante é o fato da questão da competitividade sido a pauta central. São ideias que foram discutidas para entrarem em vigor junto com o regulamento de 2021 (aquele que, agora, ficou para 2022) e foram deixadas de lado por pressão dos times grandes. Com a pandemia, vendo que o próprio modelo de negócio corre risco, os poderosos foram obrigados a ceder. 

Não que tudo tenha passado: há uma ideia muito interessante da Racing Point de criar uma plataforma open source para peças que custam caro para serem desenvolvidas, mas não são um diferencial de performance importante; e o retorno das equipes-clientes (ou seja, da possibilidade de comprar carros prontos). São dois pontos que estão em pauta e ainda podem ser adotados. Ainda assim, é só o começo dos desafios da F1 pós-pandemia.

Do lado das finanças, o teto orçamentário já prevê uma retração importante. E os primeiros contratos firmados entre as equipes e a Liberty, que substituirão o pacto da Concórdia que vence no final de 2020, devem diminuir as discrepâncias de receita entre os times.

Mas o quanto o modelo de negócio da F1 como um todo será atingido? 

Mesmo se os cientistas chegarem a uma vacina e mesmo se uma quantidade significativa da população estiver imunizada, a pandemia da covid-19 escancarou algo para o qual especialistas alertavam há tempos: a maneira como vivemos nos coloca em perigo se há um vírus novo por aí.

A Liberty Media deixou claro que vê dois caminhos para a F1 aumentar sua receita: realizando mais corridas e focando em produtos digitais. Note que os contratos de TV até foram deixados um pouco de lado: em busca de conquistar mercados importantes, como EUA e China, os direitos foram negociados por quantias irrisórias. A aposta é que o digital ocupe o espaço da TV então, diferentemente de Ecclestone que, em busca do máximo possível de lucro antes da venda, praticamente acabou com a F1 em TV aberta, a Liberty tende a flexibilizar mais seus acordos a fim de fazer o esporte voltar, onde foi possível, a ser mais visto.

Esta estratégia, portanto, não deve mudar: aumentar a audiência mesmo que isso signifique ficar sem os milhões da TV a cabo enquanto a F1 se lança nas plataformas digitais. Algo que a covid não nos deixou ver, por exemplo, foram as transmissões do pré e pós prova que seriam feitos via Facebook. E serão, assim que a temporada voltar, ainda que com uma atmosfera toda diferente.

Mas e o calendário? Será que as fronteiras seguirão tão escancaradas? Será que os aviões simplesmente voltarão a transportar centenas de pessoas confinadas num mesmo (e pequeno) espaço por tantas horas como se nada tivesse acontecido? Algo que já se discute é se o sonho de uma Europa sem fronteiras já não teria morrido. Caso isso se confirme, os desafios logísticos de se fazer ainda mais corridas só se multiplicariam. É só ver o tamanho da encrenca para sequer começar a temporada deste ano:

Outro ponto que ficou claro com as corridas virtuais usando o jogo oficial da F1 é como a categoria também ficou para trás nesse aspecto. Se a ideia é conquistar fãs mais jovens e vender que a F1 é o topo, então, para a geração que vem chegando, é o jogo que tem que ser o melhor. E o sem-número de falhas do F1 2019 durante as “peladas” virtuais só deixou claro que esse não é o caso.

Ross Brawn – de novo, ele – não parece estar apenas fazendo propaganda quando diz que a F1 estará em um lugar muito melhor no pós-pandemia. Afinal, passos muito importantes foram dados no sentido de promover uma maior competitividade a longo prazo, algo ímpar nos 70 anos do esporte. Desta vez, não é só uma mudança de regras em que se corre o risco de alguém disparar na ponta. Mas, desta vez, também, os desafios estão mais do lado de fora das pistas.

1 comentário Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    Muita coisa na F1 vai mudar com a pandemia, e mesmo num futuro próximo as coisas não vão ser como eram antes.
    Com as novas regras que já estavam previstas para 2021, serem uma incerteza no caso das equipas actuais ficarem ou deixarem a F1, a pandemia e toda esta situação veio agravar muito mais as dificuldades das equipas pequenas e não só, veja-se o caso da Renault que já teve que vender a marca Alpine.
    Com o tecto orçamental aprovado pode ser que fique mais fácil para as equipas do fundo do pelotão e quem sabe se vão chegar novas marcas à F1.
    Resta aguardar o começo do campeonato e depois ver como vai correr, se todos vão ficar bem ou se vai ser necessário fazer nova paragem.
    Já dizem que o vírus vai acabar por se extinguir por si só… Vamos ver o que vai dar.

    Cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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