Turistando na F1: dez coisas que você não sabia sobre Baku e Montreal

Baku é uma mistura bem única. Foto: Julianne Cerasoli

Continuando a viagem virtual pelos palcos das corridas (que não estão acontecendo) da temporada, nestes dois próximos finais de semana, deveríamos estar vivendo uma dobradinha das menos ortodoxas. Azerbaijão e Canadá, dois países que estão divididos por muito mais que milhares de quilômetros.

Veremos os dois no campeonato deste ano? Este post ajuda a responder: por um lado, temos uma corrida que serve como propaganda para uma democracia torta. De outro, um evento que é encaixado em uma janela bem curta em que dá para curtir as ruas da cidade.

Lembrando que esta é a quarta temporada do turistando: já dei uma geral nos GPs, dei dicas para quem quiser curtir essas corridas ao vivo e fiz um passeio culinário pelos destinos da temporada:

GP do Azerbaijão:

GP do Canadá:

Baku é uma mistura no mínimo inesperada: na comida, muita influência turca. Na cultura, muito da Rússia. E, na região, a influência é do tipo de islamismo praticado no Irã, o xiita.

Foto: Julianne Cerasoli

Sabe aqueles prédios bonitos que aparecem na televisão na transmissão? São basicamente os únicos. Na rua de trás, já é bem diferente. O Azerbaijão é daqueles países em que há muita riqueza, mas que não chega à maioria da população. Por isso, a categoria sofre resistência popular devido ao alto investimento, mas os organizadores garantem que o retorno em termos de turismo compensa o que é gasto com sobras.

 

Até o ingresso mais barato, para ver só os treinos livres de sexta-feira, comprado antecipadamente, custa mais que o salário mínimo no Azerbaijão, que é de 41 dólares por mês (!). A entrada não sai por menos de 61.

 

Quem viaja por aquele pedaço do mundo costuma ir para Azerbaijão, Geórgia e Armênia na mesma tacada. Mas tem um problema: os azeri odeiam os armênios e vice-versa, então você será questionado por um se tiver o visto do outro no passaporte. Isso tem a ver com um conflito que já dura quase 100 anos no território Nagorno-Karabakh, que declarou independência mas segue oficialmente fazendo parte do Azerbaijão. Trata-se de uma região de maioria armênia mas que faz parte do país vizinho desde uma decisão de Stalin na época em que a região fazia parte da União Soviética.

Foto: Julianne Cerasoli

Basicamente tudo se chama Aliyev, que é o sobrenome do presidente desde 2003, Ilham Aliyev. Como tanto tempo? O mandato lá é de 7 anos, com eleição infinita. Isso foi alterado em 2009. Antes, eram 5 com só uma reeileição permitida. E adivinha quem foi o presidente antes dele, de 1993 a 2003? Seu pai, Heydar Aliyev. Ele venceu as duas últimas eleições com 85% dos votos, em meio a relatos de ataques à liberdade de expressão. E tem cargo para a família toda no governo, claro. Então, trata-se de um regime democrata. Desde que não digam o contrário.

Enquanto isso, no Canadá…

Não só a corrida, mas muito da relação do Canadá com a Fórmula 1 está restrita à região de Quebéc, onde o francês também é língua oficial. Os dois canadenses que venceram corridas – Gilles e Jacques Villeneuve – vieram de lá, assim como os dois canadenses do atual grid (Lance Stroll e Nicholas Latifi, inclusive, são de Montreal, onde a corrida é disputada). E essa história de falar francês não fica só na teoria: as pessoas começam a conversa com o típico Boujourhi, e seguem no idioma que você responder.

A cidade sempre parece um canteiro de obras quando a F1 passa por lá, em junho. Isso porque é um dos poucos meses em que o clima colabora para fazer melhorias. O inverno lá é pra lá de rigoroso: mesmo as médias de temperaturas máximas durante os primeiros meses do ano não passam de 0 grau. Eu disse médias.

 

E onde as pessoas ficam? Há grandes complexos de lojas e escritórios subterrâneos, muitas vezes conectados às estações de metrô, e nos quais é bem fácil se perder (que dizer, pelo menos para mim é, mas eu também me perco em shopping, então…). As janelas são grossissimas e as portas, bem mais pesadas que o normal.

 

O Canadá é um país formado em grande parte por imigrantes e continua recebendo muita gente até hoje. Na população atual, 20% não são nascidos lá. Historicamente, os nacionalidades que mais emigraram para lá foram os britânicos, chineses, indianos, filipinos e italianos. Isso, como sempre, significa muita comida boa e de muita variedade nas grandes cidades.

Há vários contrastes entre o velho e o novo em Montreal. Foto: Julianne Cerasoli

O sexto maior grupo de imigrantes no Canadá vem do vizinho Estados Unidos. A relação entre os dois países é tão boa que, mesmo tendo a maior fronteira do mundo, ela é totalmente desmilitarizada. Agora, no entanto, a fronteira está fechada a viagens não-essenciais devido ao coronavírus.

1 comentário Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    Duas pistas de rua que este ano devem mesmo ficar de fora do calendário. É pena, principalmente o Canadá, que tem sempre corridas emocionantes.

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.