Fórmula 1 x Fórmula E: quem ganha no pós-pandemia?

Enquanto a Fórmula 1 caminha para conseguir fechar um calendário com 18 corridas, permanecendo na Europa até outubro e adicionando pistas que estavam de fora, a Fórmula E anunciou nesta quarta-feira que fará as etapas necessárias para que o campeonato seja válido de maneira mais radical: com seis corridas em nove dias em três traçados distintos em Berlim. Este é um bom ponto de partida para entender as diferenças entre as duas categorias, mas quem será que sairá melhor da pandemia?

 

Esportivamente: ponto para a F1

É interessante ver como a F1 está buscando uma flexibilidade e igualdade que a FE tem, no sentido de testar novos formatos e agir de maneira afirmativa para aumentar a competitividade, haja vista as mudanças já implementadas (como do escalonamento do desenvolvimento aerodinâmico com base no resultado do campeonato, que estão sendo finalizadas (no novo pacto da Concórdia ou sabe-se lá como vai chamar, com uma distribuição mais justa entre as equipes) e a tentativa de adotar o grid invertido, que segue em pauta para os próximos anos, embora não tenha passado em 2020.

Usando este período de crise para efetuar mudanças necessárias e experimentar soluções até mais radicais, a F1 tem tudo para emergir melhor da pandemia, embora as mudanças já acertadas só devam começar a surtir efeito em 2022, quando estreiam os novos carros desenvolvidos com o teto de gastos e o escalonamento aerodinâmico.

Enquanto isso, a Fórmula E pode viver um enorme desafio: todo seu modelo é baseado em eventos em grandes cidades, o que pode ser complicado pelo menos até que haja imunidade. E os carros atualmente podem chegar a até 280km/h, é verdade, mas não durariam muitas voltas nesse ritmo. O motor elétrico tem potencial, especialmente ficando mais leve, mas ainda não é o momento, por exemplo, de colocar uma corrida de FE em uma pista usada pela F1.

Tecnologicamente: um empate

Faz sentido pensar que a pandemia vai acelerar a corrida pela mobilidade usando energias renováveis. O pacote de recuperação da Alemanha, inclusive, já dobrou os incentivos para os carros elétricos, em parte para apoiar a indústria automobilística em si. A diminuição da poluição observada quase instantaneamente nas grandes cidades durante o lockdown também aponta para a mesma direção, e o temor de que o coronavírus se perpetue por mais tempo, com ondas indo e vindo antes que seja possível vacinar ou gerar imunidade (que ainda não seja sabe quanto tempo duraria) na maior parte da população pode ser um ponto negativo para os meios públicos de transporte.

Mas então a Formula E não sairia vencedora com isso? Talvez em termos de marketing, e chegaremos lá, mas é questionável do ponto de vista tecnológico, uma vez que a unidade de potência usada na categoria elétrica não difere muito de um dos elementos da unidade de potência da F1, o MGU-K. O sistema da F1 é bastante complexo e não tem transferência direta para a indústria (ou seja, o V6 híbrido turbo usado não vai estar no seu carro da maneira como ele existe na F1), mas em termos de eficiência, essa parte elétrica e o biocombustível, sim. Carros elétricos não são a única resposta possível, e há questionamentos, inclusive, se seriam a melhor resposta. 

Financeiramente: ponto para a FE

Dentro deste contexto de aposta nos carros elétricos especialmente no médio prazo, já que as leis principalmente na Europa apontam para isso, é de se esperar que o investimento crescente na Fórmula E não sofra tanto. É uma corrida de carros e a indústria automobilística foi fortemente atingida pela pandemia, sim, mas é uma categoria que está do lado certo em termos de marketing para o caminho de retomada desta indústria. Além disso, as contas da Fórmula E são muito mais baseadas em patrocínio do que as da F1. E a categoria acabou de comemorar, ano passado, sua primeira temporada ‘no verde’, com 1 milhão de euros de lucro. Nas cinco primeiras temporadas, eles perderam mais do que ganharam, investindo pesado justamente em marketing. Note que todo o modelo de negócio é completamente diferente da F1, e as cifras também: as equipes se bancam totalmente, mas os orçamentos são de 20, 25 milhões de dólares. Na F1, mais de 900 milhões de dólares vindos dos lucros que são divididos entre as equipes e os orçamentos podem superar os 400 milhões. Isso significa, por exemplo, que uma montadora como a Renault coloca mais dinheiro no time de F1, mesmo recebendo sua premiação, do que correndo “de graça” na FE.

Mas voltando ao modelo de negócio, são as taxas cobradas junto aos promotores que representam a maior fatia de ganhos da F1, e não os patrocínios, e isso será diretamente atingido com a pandemia. Mesmo que seja possível fazer 18 corridas, a Liberty não poderá cobrar de etapas que não tiverem público e terá de, inclusive, pagar o aluguel em alguns casos. Fica fácil entender como a F1 deve sofrer um impacto mais forte em sua receita, mesmo conseguindo remarcar mais provas.

2 comentários Adicione o seu

  1. Wagner Almeida disse:

    Gente, sinceramente? Do pouco que eu assisti da FE, pouco me atraiu ainda… Quase tudo que tem na FE é o que eu não gosto: Pista de rua, falta de velocidade, falta de tradição, pilotos medianos, barulhinho feinho dos carros… Vamos ver nos próximos anos, mas só com circuito de rua, pra mim é carta fora do baralho.

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  2. Paulo Moreira disse:

    O Wagner Almeida no seu comentário já disse tudo o que eu também penso. Tirando a parte dos circuitos de rua, que alguns eu até acho piada, mas os que são usados na F1.
    Agora essa hipótese, ou solução, que a FE arranjou, de 6 corridas todas em Berlim, é um bocado sem graça.

    Cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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