Drops do GP da Áustria e o “crash” da F1

“Você tem muito mais informação aí. É até triste andar no paddock de tão vazio que está”, me dizia um jornalista no domingo de manhã. E olha que se tratava de alguém que trabalha com TV, ou seja, que teve acesso ao paddock, ao contrário dos profissionais de mídia escrita e internet. Além do número reduzido de pessoas com acesso, não havia também o movimento normal, a circulação que tanto ajuda o trabalho dos jornalistas.

 

Mas informações circulam, mesmo em tempos de corona. Dentro das próprias equipes, começa a haver um questionamento sobre a real necessidade de tanto protocolo. Deve ter sido estranho mesmo trabalhar de máscara, manter-se em bolhas e passar por dolorosos testes continuamente vendo a vida seguir normalmente ao redor. Explico: a região da Estíria não tem casos abertos de coronavírus e a Áustria foi um dos primeiros países europeus a sair da quarentena, e isso já faz várias semanas.

 

Algo que era esperado para este final de semana, mas desde quinta já estava claro que não sairia é o restante do calendário. Mugello assinou e há grandes chances de Imola entrar também. Sim, poderemos ter três GPs na Itália bem em um ano em que a Ferrari está do jeito que está. Portimão também entraria, Alemanha tem grandes chances… enfim, cada vez mais o calendário se desenha para ser um misto de Europa + Ásia/Oriente Médio. A única surpresa foi ouvir que existe uma luz no fim do túnel para o primeiro GP do Vietnã. Canadá ainda tenta uma vaga, mas aparentemente querem pagar muito pouco. EUA, México e Brasil, com pouquíssimas chances pela contínua escalada dos números da pandemia.

 

Corona à parte, a Williams está tentando reaver os 25 milhões de dólares que a RoKit não pagou no começo deste ano. A quantia é muito maior do que se acreditava e, somada a 20 a 25 milhões, que são a conta do que foi perdido com o coronavírus, ajuda a explicar por que o time foi colocado à venda e precisou de um empréstimo salvador de Latifi. Mas o canadense não parece ter interesse em comprar a equipe, então é bom mesmo o processo contra a ex-patrocinadora dar resultado! O problema é que a Williams vai ter que entrar na fila, porque o Manchester United também ainda não viu a cor do dinheiro. E nem a Mercedes, que chegou a acertar com eles, mas não colocou a marca no carro justamente pelo mesmo motivo. Aliás, o mais bizarro dessa história é que o dono na RoKit chegou a mandar para a Williams a captura de tela do celular com a transferência. Parece que ele só esqueceu de dar “confirma”.

 

Mas quem sou eu para falar mal da RoKit? Foi o celular deles (tão ruim que não serve nem de brinde de quermesse, é sério) que me salvou a vida na transmissão em um final de semana cheio de problemas técnicos. Fiz o ao vivo com um delay gigantesco na imagem e sem tabelas de tempo (tudo aquilo que mostrei no instagram, feliz quando tudo ainda funcionava, nos treinos livres, travou na hora da corrida). E sem ouvir os rádios também. Além dos carros quebrando na pista, havia muitas outras coisas que não estavam funcionando na F1, muito em função de uma grande quantidade de dados estar sendo processada “in house”. Isso apagou a comunicação entre o HQ da F1 na Inglaterra e a pista, e fez com que a F1TV caísse, junto com parte dos dados. O que vocês veem na TV no Brasil só não caiu porque estava sendo mixado na pista, e não na Inglaterra. Imagina se a primeira corrida do ano é sem público e sem transmissão?

4 comentários Adicione o seu

  1. Paulo Alexandre Teixeira disse:

    Quinta-feira ouvi de uma pessoa que conheço e está aí no “paddock” que o Canadá tinha caído, e só não tinham anunciado as quatro corridas que queriam mostrar na sexta-feira porque uma delas seria Austin e o delegado de saúde do Texas fez marcha-atrás. É muito provável que este ano não haja qualquer corrida nas Américas, ou seja, menos quatro.

    Ter três corridas em Itália seria uma surpresa, e aí diria que parece “lobby da Ferrari”. Se calhar é melhor não haver público nessas provas, que é para não verem a “vergogna” que os “rossos” vão passar, apesar do pódio do Leclerc agora no domingo.

    De Portimão, sei que a organização está a falar com as autoridades de saúde locais sobre a possibilidade de terem algum público. Por outras palavras. “habemus” Grande Prémio. Resta saber se à custa de Sochi.

    O resto é o resto. E não admiro se isto tudo não seja uma grande temporada europeia, com quatro idas à Ásia. o que seria o mais baixo desde o final dos anos 60. Veremos.

    Curtir

  2. gbkamino disse:

    Essa F1 TV é uma piada. Ja assinei por uns tempos na europa, mas desisti. Achava que iriam corrigir com o tempo, mas parece que não. Uma pena, porque adoraria que o serviço fosse lançado no Brasil, com a narração inglesa.

    Curtir

  3. Paulo Moreira disse:

    Eu desde o ano passado que vejo na F1 TV, mas já estava arrependido de ter renovado a assinatura, então agora, depois do que aconteceu no domingo, fiquei ainda mais.
    A F1 TV, tinha obrigação de apresentar um serviço bem melhor.

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

    Curtir

  4. Rogerio Venturella disse:

    Falhou inclusive no APP livetiming….

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.