A estratégia do GP da Áustria e como o pódio ficou colorido

A temporada 2020 da Fórmula 1 começou com uma corrida que tinha tudo para ser estrategicamente simples, ainda mais depois que o único piloto que decidiu tentar algo diferente no top 10, Max Verstappen, logo saiu de combate por um problema eletrônico. Até que a série de Safety Cars abriu todas as disputas, inclusive pela vitória.

Era um cenário difícil de imaginar depois dos treinos livres, todos dominados por Hamilton. Na hora da verdade e por uma margem de 12 milésimos, deu Bottas, em tempo marcado na primeira tentativa no Q3. Na segunda, forçou demais e saiu da pista justamente na frente do companheiro. Curiosamente, Lewis pode ter perdido a chance de sair na frente no campeonato justamente porque teve a preferência do vácuo no último final de semana. No próximo sábado, a situação se inverte e se, desta vez, se o vácuo de fato ajudar, isso dá boas chances de Bottas repetir a pole, até porque o circuito de Red Bull Ring não é dos melhores para Hamilton, e ele não sabe explicar o porquê.

Ainda assim, na estreia, Hamilton liderou todos os treinos livres, e demonstrou, pela quantidade de voltas que ficou a menos de 1s de Bottas, que tinha um ritmo de corrida melhor. E saiu com um quarto lugar.

A punição por não respeitar bandeiras amarelas (e toda a confusão de alguns painéis verdes serem mostrados erroneamente já deveria ter servido de alerta para todos perceberem o quanto estavam “enferrujados” depois de oito meses sem corridas) impediu que Hamilton atacasse Bottas na largada, e o inglês precisou, ainda que viesse tirando a diferença pouco a pouco no primeiro stint (de 7s8 a 3s2 em 15 voltas), de um SC para colar de vez.

Um pouco mais atrás, Alex Albon fazia uma corrida solitária, com Lando Norris segurando o pelotão intermediário, em um final de semana em que a McLaren teve, sim, um ritmo bom, mas em que, na corrida, foi ajudada também pela boa velocidade de reta. Porém, até o primeiro SC, houve pouca ação na pista e abandonos mexiam na classificação.

Voltando à disputa da frente, Hamilton revelou após a prova que seu plano era parar bem depois de Bottas e colocar os pneus médios e então atacar o finlandês, que colocaria os duros. Já Valtteri disse que teve tudo sob controle o tempo todo, mesmo quando Lewis estava em sua zona de DRS, pois sabia o quão difícil seria aproximar-se nas curvas de alta velocidade.

De qualquer jeito, Hamilton já tinha se afastado depois das insistentes mensagens para os pilotos não usarem as zebras. Um sensor indicava que as caixas de câmbio estavam a ponto de falhar devido a vibrações. Mesmo sem atacar, eles ainda eram mais rápidos que a concorrência.

Houve quem questionou por que a Mercedes não parou no segundo Safety Car, na volta 51, mas os carros tinham acabado de passar pela última curva, e perderiam posições se parassem depois. Foi então que a Red Bull chamou Albon e colocou pneus macios no carro do tailandês. Com 20 voltas para o fim, era a jogada certa para tentar vencer a corrida.

Com pneu macio novo, Albon teria a chance de descontar a desvantagem de equipamento de por volta de 0s5, e atacar as Mercedes principalmente nas primeiras voltas, antes que seus pneus se aquecessem. Isso porque o pneu duro na Áustria não perde muito rendimento (como Norris provou em sua última volta). Então não faria sentido Albon esperar para atacar: naquele momento, contavam a seu favor a aderência maior do pneu macio e o fato de ele ter uma janela de temperatura mais baixa. O que aconteceu, contudo, já é história: o toque com Hamilton, a quebra do motor, e Albon ficou pelo caminho, deixando Lewis com uma punição de 5s.

Afastada a ameaça do tailandês, a Mercedes ainda cogitou inverter as posições de Hamilton e Bottas para que o inglês pudesse abrir os 5s de que precisava, mas desistiu. Vai que Hamilton abre mais que 5s, vai que Bottas perde posição para mais alguém ao tirar o pé… No fundo, a tranquilidade de que Lewis tem carro para recuperar os pontos perdidos.

A corrida foi mais franca atrás dos carros pretos. Sem confiança na Ferrari depois de uma mudança de comportamento da sexta para o sábado, Vettel se jogou para cima de Sainz, rodou e saiu da briga. Duas voltas depois, Perez parecia estar na tática certa, tendo preferido o composto médio ao duro, e passava Norris para ocupar o quarto lugar. A decisão de não parar junto dos demais no SC da volta 51, contudo, acabaria com suas chances quando a equipe decidiu preservar a posição de pista e não o chamou para os boxes. Isso significou que ele tinha de se defender de pilotos com pneus bem mais novos e ritmo muito parecido. Para completar, Perez fez o que não costuma fazer nesse tipo de corrida de oportunidades, acelerou demais no pitlane, e levou 5s de punição.

A briga, então ficou com Leclerc, Norris e Sainz. Com 11 voltas para o fim, o monegasco ainda era o sexto, posição que ocupava desde que Verstappen abandonou. Ele passou Norris e Perez, e herdou as posições de Albon e do punido Hamilton, e conseguiu um improvável segundo lugar. Lando chegou a ter uma disputa com Sainz, mas seguiu na frente, e também passou Perez, com quatro voltas para o final.

Quando cruzou o penúltimo giro, Norris estava a 5s5 de Hamilton. Teria de tirar meio segundo em uma volta para seu primeiro pódio. E o fez. No final, um pódio muito mais colorido do que as dobradinhas de todos os treinos sugeria. Veremos o que acontece, na mesma pista pela primeira vez na história, já neste domingo. Os carros ficaram por lá e quase todos os profissionais, incluindo pilotos, também. Há muita lição de casa a ser feita depois da corrida com o menor número de pilotos cruzando a linha de chegada desde o GP da Áustrália de 2015.

3 comentários Adicione o seu

  1. Ícaro Rodrigues Cruz disse:

    Torci demais pelo Lando. Foi demais ele ter de passar os 5s no fim!

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  2. Paulo Moreira disse:

    Foi uma corrida bem animada. Esperemos que a próxima seja igual.

    Visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  3. Robson Coimbra disse:

    Boa tarde
    Os carros ficaram nos boxes das respectivas equipes ? É lá que vão mexer nos carros para sanar problemas ou evolui-los ?

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