Drops do GP da Hungria e o lado humano da F1

Já contei aqui para vocês que, quando alguém mencionava as três corridas seguidas que fizemos em 2018, França-Áustria-Inglaterra, a gente se entreolhava e não precisava dizer mais nada: só a Copa do Mundo deu uma animada, porque, na pista, estava todo mundo exausto. Afinal, os dias no circuito são bastante longos e é esperado de todo mundo lá um nível máximo de excelência, até porque eles foram escolhidos e tantos que adorariam estar no paddock justamente por isso. Então são longas horas sob intensa pressão, e sem muito descanso, já que um fim de semana de GP para os mecânicos, por exemplo, começa muitas vezes na terça-feira.

 

Junte-se a isso o fato de trabalhar com todas as restrições devido ao coronavírus e essa terceira corrida seguida, mesmo que todo mundo tenha começado empolgado por finalmente voltar a competir depois de tanto tempo, foi marcada pela estafa. Principalmente para os membros de equipe que viram a chefia e os pilotos voltarem para casa entre as corridas. Por isso que, quando me questionaram sobre Bottas, lembrei que o problema de decidir ir de jatinho particular para Mônaco, que não tem casos em aberto, não era sanitário. Mas, sim, humano. Com certeza não o tornou mais popular entre os mecânicos e engenheiros que trabalham com ele.

 

E é pelo mesmo motivo que essa imagem aí do post significa muita coisa.

 

Ah, mas por que as equipes não trocam os mecânicos e engenheiros para dividir a carga? Os carros são tão específicos que até mesmo quem trabalha direto neles tem dificuldade em se adaptar e trabalha mais lentamente de um ano para o outro. Mesmo com as regras permanecendo estáveis, o carro muda por dentro. Então é um trabalho super especializado e simplesmente não há tantas pessoas assim qualificadas para fazer essa rotação. E o show que os mecânicos da Red Bull deram no grid ilustra bem isso.

 

Sobre o futuro de Vettel, não parece ser algo que vá ser decidido nos próximos dias. É uma daquelas decisões que dividem qualquer equipe: Checo é muito querido lá dentro pelos resultados e, é claro, por ter sido decisivo para a sobrevivência do time nos meses anteriores à chegada de Lawrence Stroll e sua grana. E será que Vettel sem andar na ponta vai conseguir entregar muito mais que ele? As opiniões no paddock se dividem quanto a isso. Só não se dividem, é claro, quando ao valor comercial que Vettel agregaria ao já forte projeto da Aston Martin em 2021.

 

E a vaga seria a de Perez mesmo, porque Lawrence não investiu tanto na carreira do filho para relegá-lo a piloto reserva ou colocá-lo em um time pior. Fora da Racing Point/Aston Martin, há mercado para Perez porque ele entrega um pacote performance/patrocínio forte, e a primeira a entrar em contato foi a Alfa Romeo, indicando que a carreira de Kimi Raikkonen pode mesmo estar chegando ao fim. Ele disse que continua se estiver divertindo-se, e ao que tudo indica será bem difícil se divertir no carro que a equipe tem neste ano. Para quem está se perguntando “por que Raikkonen e não GIovinazzi?”, é bom lembrar que esta vaga é de indicação da Ferrari, que tem o melhor plantel entre as academias de pilotos no momento. Falei mais sobre isso no vídeo do instagram dessa semana.

 

Sobre a F1 e o Brasil (aliás, quem não viu o especial que fiz sobre a estreia do Emerson, aqui vai o link), teve gente batendo na porta da Band (de novo), e não foi da Liberty, tentando vender a F1. O valor diminuiu bastante desde a primeira tentativa, mas não o suficiente para a realidade da emissora. E, com um valor mais baixo, a Globo também não descarta repensar sua situação. Sobre o GP, Doria tem tomado para si as negociações com a Liberty, tentando eliminar as rusgas políticas entre Interlagos e a Liberty. Mas sem aumentar a proposta, a situação é complicada. Ele também não desistiu ainda da corrida deste ano (e não esperem, inclusive, a divulgação do restante do calendário tão cedo, calendário, inclusive, que pode ter a volta da Malásia no lugar da China, que terá a etapa cancelada e a renovação até 2025 anunciada nos próximos dias), mas deixa eu contar uma história para vocês entenderem a diferença de pensamento entre o pessoal da F1 e aí do Brasil: a região de Bedfordshire, que fica a uns 50km de Silverstone, teve 16 novos casos em um dia na semana passada e o governo já estava estudando impor lockdown novamente por lá. Na F1, teve gente que já começou a pedir que cancelassem o GP da Grã-Bretanha por acharem arriscado demais! Claro que isso não foi para frente, mas é exemplo que ilustra bem o abismo de realidades.

2 comentários Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    Um grande gesto do Lando Noris, ajudar quem o ajuda a ele. Muito bem.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  2. Victor disse:

    Jullianne, já que você mencionou os mecânicos, você tem alguma ideia/poderia perguntar por aí, em que ponto eles recebem os projetos dos carros para já irem se acostumando com a nova maquina do ano?

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