Schumacher e Vettel: sem paralelos

E pensar que há 25 anos Michael Schumacher estava fazendo sua aposta pela Ferrari, ao mesmo tempo em que caminhava a passos largos para o segundo título mundial pela Benetton. Era um contrato de dois anos, de 60 milhões de dólares no total. Uma quantia e tanto para a época. E uma aposta e tanto também. A Ferrari vinha desde 1979 sem títulos de pilotos, desde 83 entre as equipes. Tinha tido um lampejo com o câmbio semi-automático e Alain Prost em 1990 mas, dali até Schumacher chegar, o time só venceria duas corridas. Em cinco temporadas.

A reestruturação já tinha começado em 1993, com a contratação de Jean Todt, na época um relativamente jovem ex-piloto de rali e dirigente na modalidade. Ele foi a aposta de Luca di Montezemolo que, depois de ter tido sucesso na Ferrari nos anos 1970 e ter passado os 80 em posições de poder na FIAT, se tornara presidente ferrarista em 1991.

Schumacher teve carta branca para trazer consigo Rory Byrne (o que fez com que os projetos do carro fossem divididos entre sua empresa na Inglaterra e o pessoal de Maranello) e Ross Brawn. Ele foi contratado dizendo que não se importava em ser tri logo de cara. Seu plano era ganhar o título em 1997. “Tudo o que quero é uma situação em que possa desenvolver uma equipe até um determinado padrão. É uma boa oportunidade de trabalhar com a Ferrari e em nossa primeira temporada vamos vencer corridas e, no segundo ano, vamos vencer o campeonato.”

Foi por pouco. Se Jacques Villeneuve não tivesse forçado por dentro aproveitando as voltas logo depois de sua parada para atacar Schumacher em Jerez, ele provavelmente teria sido tri em 97. Depois surgiriam as flechas de prata da McLaren, a perna quebrada, e o título acabaria vindo só em 2000. Mas ele sempre esteve lá. Mesmo nos anos em que a Ferrari estava construindo seu domínio, a sensação era de que o que estava por vir era apenas uma questão de tempo.

De lá para cá, isso não se repetiu. E não me refiro só à sequência de títulos. A Ferrari atraiu pilotos com esse mesmo ideal de reconstruir o time, mas também ingênuos o suficiente para acreditar que o time tomaria conta do restante. E a estrutura ao seu redor já não tinha sido bem reestruturada na transição entre a era dos testes ilimitados dos quais Schumacher tanto se aproveitou com, muitas vezes, três pistas à disposição da Ferrari, perto de sua fábrica, em um só dia. Junte-se a isso o fato de a Scuderia ter subestimado o desafio do V6 turbo híbrido no início, e as duas vezes em que Fernando Alonso chegou perto do título podem ser mais explicadas por falhas da Red Bull e pela otimização dos resultados por parte do espanhol do que qualquer coisa que poderia ser sustentável e crescer para que a Ferrari se tornasse o time a ser batido.

Que sirva como lição para Sebastian agora em seu próximo passo. A inocência de que acreditar que pode tornar um time vencedor por conta de seu próprio trabalho já virou decepção, que se torna maior ainda quando o fracasso em, como ele disse, tentar impedir que Hamilton chegasse nos números de seu ídolo, vem junto do descaso. As histórias dele e do piloto que era confirmado no time há 25 anos não só terminaram diferentes, como nunca tiveram os paralelos que Seb buscou.

1 comentário Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    A Ferrari agora não tem a equipa e a estrutura que tinha no tempo do Schumacher, onde era mesmo uma super equipa e a verdade é que toda ela trabalhava em prol do Schumacher. quantas vezes o Barrichello não teve que ceder para o alemão ganhar.
    Foi um conjunto de factores (piloto, engenheiros, projectistas, chefe de equipa, etc.), que fizeram com que a Ferrari dominasse o campeonato, como agora domina a Mercedes.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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