Drops do GP da Itália da escapada de Marko à despedida de Claire Williams

Ano passado, um ganhou, e outro terminou fora dos pontos. Que diferença um ano faz! (AP Photo/Luca Bruno, Pool)

Em uma corrida ‘normal’, sem covid, os jornalistas estariam no paddock caçando Helmut Marko, que pararia para falar com duas rodinhas, em alemão e em inglês. E depois Christian Horner faria uma coletiva de imprensa, geralmente 45 minutos depois da bandeirada. Mas Marko foi embora sem falar com ninguém e Horner cancelou a entrevista (não foi o único, vários o fizeram porque a corrida acabou sendo mais longa que o normal devido à bandeira vermelha, mas digamos que foi bem providencial). De qualquer jeito, há várias perguntas a serem feitas em Mugello.

 

O fim de semana de GP da Itália começou com uma notícia que não era esperada tão cedo. Sabia-se que Claire Williams e a família se afastariam da equipe, mas talvez esperariam até o final do ano. A surpresa foi tanta, poucos minutos antes do início das coletivas de imprensa de quinta-feira, que teve jornalista de tablóide inglês participando da entrevista com Russell e Latifi de dentro do carro. Claro que eles se divertiram com a situação.

É uma saída com a cabeça em pé no final das contas. Com tantos erros cometidos nos últimos 20 anos, e que foram jogando a equipe em uma espiral cada vez mais negativa, conseguir primeiro impedir a falência do time após os problemas de liquidez do início de 2020 e ainda por cima levar uma bolada de 156 milhões de libras (contabilizando só o lucro da família em si) explicam por que o ar de Claire era de alívio.

 

Os novos donos têm muito trabalho pela frente. O departamento técnico cometeu alguns erros que beiram o absurdo nos últimos anos, produzindo peças que não se encaixavam. Gastar milhões Paddy Lowe, que nunca foi nem perto de ser unanimidade no paddock, não ajudou em nada, e deixou o time sem dinheiro para investir no setor. Enfim, levou anos para que o time caísse tanto, e a ascensão também deve ser lenta, porque, no momento, o time não tem um corpo técnico em que se apostaria uma virada em 2022.

 

Um ponto legal do final de semana foram os vários “filhos da Williams” que deram seus depoimentos. Entre eles, os dois chefes de equipe mais competentes do grid atual: Andreas Seidl lembrou como Frank ficava na porta da fábrica se despedindo nominalmente de cada funcionário, e como isso fazia a diferença para ele. E Toto Wolff relembrou a história que ele sempre conta de como Frank o recebeu pela primeira vez na equipe com a frase “alguém me disse que você seria o cara que me ajudaria a pagar minha hipoteca”. Na época, lá em 2009, ele era considerado um investidor aventureiro, e Frank foi muito criticado por confiar nele. Na venda, Wolff ainda levou uns milhões para a conta, já que tinha 5% das ações.

 

Sobre Wolff, aliás, estamos em setembro e nada de um anúncio sobre seu futuro. Ele admitiu que pensou mesmo em mudar de cargo, e tudo indica que ele negocia com a Mercedes uma flexibilização que o deixe mais livre para não viajar a todas as corridas. Desde a morte de Niki, ele parece sentir mais o peso de seu amplo papel chefiando a equipe e cuidando dos interesses da marca na F1. Enquanto isso, Hamilton aguarda atentamente o desfecho desta história.

 

Andou bem mais rapidamente a decisão da Renault de usar a equipe da F1 para alavancar sua marca de esportivos Alpine, relançada há três anos. Há quem possa pensar “que diabos é Alpine (pronuncia-se ‘alpeen’?”, mas é justamente por isso que eles tomaram essa decisão, enquanto a montadora Renault segue representada como fornecedora de motores e, obviamente, segue ganhando com a tecnologia desenvolvida na F1 também. E a mudança tem tudo para agradar os fãs de Alonso, já que o azul royal é a cor da Alpine. E, sim, Abiteboul não só continua, como amplia sua zona de influência porque todo o projeto de revitalização da Alpine está nas mãos dele.

 

A Renault tem tudo para também fortalecer sua posição como fornecedora, já que a Sauber negocia contar com seus motores a partir de 2022. O contrato com a Alfa Romeo dura até o final do ano que vem e é esperado já há algum tempo que ele não seja renovado. A novidade é que os italianos estariam negociando com a Haas para assumir a equipe, o que faz todo sentido, uma vez que Gene Haas já tinha decidido que buscaria um comprador ou parceiro e, se assinou o Pacto da Concórdia, é porque tem algo no horizonte. Lembrando que a Haas já tem parceria com a Alfa nos EUA.

 

Mas isso é só para 2022. Para o ano que vem, é bem provável que a Alfa mude os dois pilotos, com uma possível volta de Nico Hulkenberg em uma dupla 100% alemã com Mick Schumacher. Não sei se vocês têm a dimensão de tudo o que o nome Schumacher evoca em Maranello, da emoção estampada no rosto de quem trabalhou com Michael e ainda está na Scuderia (e são muitos, inclusive Binotto). Deu para ver isso no pódio em Monza. Sempre foi claro que Mick não tinha que arrasar na F2 para dar o passo seguinte, e esse crescimento dele na reta final do campeonato (como já tinha acontecido na F3) só facilita a decisão. Ilott é mais consistente? Shwartzman impressionou mais na estreia na F2? Sim, mas a tentação é grande demais.

Falando em Ferrari, custava 40 euros para colocar a cara na arquibancada e, depois de passar a quinta-feira supervisionando o trabalho da equipe na Bélgica, desta vez Vettel estava tirando fotos dos membros da Ferrari, um a um, e para colocá-los na arquibancada. E depois foi à caça de todo mundo por lá. Queria que eles sentassem todos juntos. Após a prova, a entrevista da Ferrari foi outra que acabou sendo cancelada.

3 comentários Adicione o seu

  1. Luiz disse:

    Que fantástico os pequenos depoimentos sobre o Frank Williams. Dias atrás eu assisti ao documentário sobre ele, falecida esposa e equipe. Não há como não ficar emocionado e admirado pela perseverança dele.
    E também tem senso de humor.
    Há uma cena na qual o entrevistador fala que o Frank capotou os carros que dirigiu, então Frank o confronta, perguntando por que ele insinua isso? Aí o entrevistador pergunta sobre o que aconteceu com certo carro. Frank responde que capotou, dando risada. Uma figura única.
    Por acaso esses depoimentos dados pelo Andreas e Toto foram em vídeo?

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  2. Robson Coimbra disse:

    Olá,
    Esse negocio de ar sujo, ar limpo nos carros de hoje em dia é um caso interessantíssimo, nem as Mercedes escapam dessa “praga”, o Bottas deve a corrida medíocre que teve em Monza a tal fato e o Hamilton depois da vacilada de entrar no Boxe com bandeira vermelha, mostrou que as Mercedes no trafico e com ar sujo também sofrem muito. Foi a 1° vez que descobri existirem carros feitos para andar na frente e disparar com o ar limpo, caso da Mercedes, até o Gasly comentou isso, disse que seu carro ficou perfeito, inclusive os pneus ficaram melhores com o ar limpo, ou seja andando na frente. Isso só mostra a complexidade da F1 e como os caras da Mercedes são bons, apostam na classificação e depois na bota do Hamilton e todos acham que a Mercedes é de outro planeta, mas …

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  3. Paulo Moreira disse:

    Foram 24 anos que passaram até voltarmos a ter de novo um piloto francês a ganhar uma corrida que ficara na história da F1. Uma F1 que estava monótona, acabada, sem história e sem interesse, mas que de repente nos dá estas surpresas.
    Parece que andamos meia dúzia de anos para o futuro, onde a Mercedes já não domina, o Hamilton esta em final de carreira e são estes novos pilotos que lutam pelas vitórias.
    Fico com pena de ver a família Williams a despedir-se da sua equipa. Aqui sim, a F1 perde muito da sua essência.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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