Estratégia do GP da Toscana: mergulhando no desconhecido

(Florent Gooden/DPPI/FIA Pool)

 

Antes da largada do GP da Toscana, as equipes sequer tinham definidas suas estratégias: ainda que a Pirelli garantisse que fazer duas paradas seria a maneira mais veloz de completar a prova, largando com macios e fazendo suas pernas da prova com os médios, certamente alguns tentariam economizar os pneus no começo e ver até onde dava para chegar.

Isso, principalmente porque os temores de superaquecimento dos pneus devido à combinação de forças geradas pelas curvas de alta + temperatura do asfalto não se confirmaram, e a suspeita era de que a natureza do asfalto mais poroso de Mugello tinha a ver com isso, o que de quebra ajudou os pilotos a seguirem um ao outro mais de perto, e levaria a uma bela disputa pelo pódio.

Também afetando diretamente as estratégias havia a quase certeza de pelo menos um Safety Car, devido às britas nas áreas de escape em um circuito de alta velocidade. 

O primeiro a sair da briga foi Max Verstappen, aparentemente com o mesmo problema de software na unidade de potência que o tirou do GP da Itália. Ele até largou bem, mas depois perdeu potência, se viu no meio do pelotão e acabou vítima de um acidente que foi quase uma cópia do que tinha acontecido na F2 no sábado, quando Gasly tentou se emparelhar com Raikkonen e Grosjean onde não havia espaço.

Na frente, Bottas tinha largado melhor (finalmente) e tomado a ponta de Hamilton, que se viu dividindo a primeira curva com Leclerc, terceiro.

A batida do meio do pelotão trouxe o primeiro SC da corrida, e com ele, veio também a relargada com direito a strike, sobre a qual falo com mais detalhes aqui. Agora com sete carros a menos, a corrida recomeçaria com outra largada parada, e com a maioria calçando pneus novos (só Vettel e Raikkonen, que já tinham parado por conta do primeiro choque, seguiram com os mesmos pneus). Enquanto todos (à exceção de Russell) colocaram mais um jogo de macios, as Mercedes optaram pelo médio, uma escolha conservadora de quem sabia que a diferença entre o C3 (macio) e C2 (médio) não era grande, mas também sabia que Verstappen estava fora e que eles poderiam fazer seu próprio ritmo.

Hamilton recuperou a ponta na relargada, mas teve Bottas a menos de 2s de distância por 15 voltas, nas quais o finlandês acabou com seus pneus dianteiros. Isso levaria a uma série de mensagens para que eles evitassem usar totalmente a borracha do pneu, sem atacar as zebras, para não reviver cenas como as das voltas finais do GP da Grã-Bretanha. Foi por isso, inclusive, que a equipe decidiu não ouvir aos pedidos de Bottas para colocá-los com compostos diferentes após a segunda troca, já que ele queria o composto médio, mas a Mercedes não tinha certeza que ele chegaria até o fim.

Mais atrás, eles contaram inicialmente com a “ajuda” do lento Leclerc para abrir uma vantagem confortável, enquanto Alex Albon ia abrindo caminho no pelotão após uma relargada muito ruim, em que caiu de quarto para sétimo. Ele passou Perez e o monegasco, e passou a andar no mesmo ritmo de Ricciardo, que por sua vez vinha junto de Stroll.

Foi então que a Renault apostou no undercut, e mostrou para os demais o quanto ele estaria poderoso em Mugello: Ricciardo antecipou sua parada, na volta 27, e voltou andando bem mais rápido. Sabendo que já tinha perdido a posição, a Racing Point não respondeu na volta seguinte, e Stroll só parou na volta 30. A ideia, ali, era que os pneus dele chegassem mais inteiros ao final, já que ninguém planejava parar novamente. Foi a mesma tática da Red Bull com Albon, que só parou na volta 32.

Norris tinha decidido fazer o undercut também na briga com Perez, mas conseguiu passar o mexicano na pista. Coube à Racing Point, então chamá-lo rapidamente aos pits para ele tentar o undercut para conseguir a posição de volta, o que funcionou.

Para Leclerc na Ferrari, nada funcionava: ele antecipou bastante a parada, na volta 21, e trocou os macios pelos duros. Também não funcionou, e ele então trocou os duros pelos médios na volta 37, o que acabou sendo sua sorte.

Isso porque Stroll teve um furo no pneu e bateu forte na curva mais rápida do circuito na volta 43. Todos, com exceção de Leclerc, correram para os pits quando o SC foi acionado mas, logo depois, como a barreira de pneus precisava ser refeita, veio a segunda bandeira vermelha.

A terceira largada parada aconteceria com 14 voltas para o fim, e com todos com pneus macios usados. Bottas perdeu momentaneamente a posição para Ricciardo, mas se recuperou rapidamente. E, com 10 voltas para o fim, a corrida tinha Hamilton, Bottas, Ricciardo, Albon, Perez, Norris, Kvyat, Raikkonen (que a essa altura já sabia que teria 5s acrescidos a seu tempo por uma punição por cruzar a linha branca na entrada dos boxes), Leclerc e Grosjean no top 10. Russell passara a maior parte da prova no top 10, mas perdera terreno na relargada. 

Muito lento nas voltas finais, Grosjean foi passado por Vettel e Russell, fazendo o alemão entrar na zona de pontuação. E, lá na frente, Albon fez uma bela manobra por fora em cima de Ricciardo para conquistar seu primeiro pódio na carreira, enquanto Hamilton celebrou sua 90ª vitória na carreira, ficando a apenas uma do recorde de Schumacher.

3 comentários Adicione o seu

  1. Bslnew disse:

    Foi uma corrida bem movimentada para a equipe de engenheiros…

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  2. José Carlos Gomes disse:

    Mais outro excelente artigo da bela jornalista Julianne Cerasoli!

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  3. Paulo Moreira disse:

    Este ano o Albon é o rei das ultrapassagens por fora.
    Esta situação dos pneus não é nada boa para a F1, os pneus que são duros numa pista já são os médios noutra pista, e por aí fora. Na minha opinião, os pneus deveriam ser sempre iguais. Duros, médios e macios, seja qual fosse a pista.
    Faz falta um novo fornecedor de pneus para competir com a Pirelli.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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