Drops do GP da Rússia (de máscara no queixo)

Não me refiro ao Mick, claro. Divulgação/Ferrari

 

Foi um segredo muito mal guardado, mas na sexta-feira a F1 fez o anúncio oficial de que Stefano Domenicali será o novo CEO da categoria, a partir do ano que vem, entrando no lugar de Chase Carey, que se tornará presidente não-executivo. Faz uns dois anos que Carey deixou claro que sairia do cargo após a assinatura do novo Pacto da Concórdia. Já com 66 anos e sem a vontade de seguir os passos de Bernie Ecclestone, ele queria viajar menos e curtir a aposentadoria e já tinha até comprado sua casa na praia nos Estados Unidos.

Isso, é claro, gerou uma batalha por poder. Houve um momento em que Toto Wolff estava bem posicionado, mas ele cometeu um erro tático ao acreditar que a Ferrari usaria seu poder de veto para as regras de 2021 (que acabaram adiadas para 2022). Eles não usaram e se fortaleceram junto à Liberty. Mas seria Domenicali uma indicação deles? É difícil cravar isso, uma vez que ele se firmou como um chefe “light” da Ferrari, o mais humano e diplomático pelo menos dos últimos 20 anos. Conhece o esporte de dentro, e entende seus meandros políticos.

Curiosamente, cada vez mais a Liberty vai se cercando de gente ligada ao passado da F1. Entenderam que é um mundinho com sua própria dinâmica e lógica.

O GP da Rússia foi o primeiro com público, de verdade, digamos assim, já que 32 mil ingressos foram colocados à venda por dia. E a grande maioria foi vendida. Teve mecânico novato na McLaren que estranhou ver os fãs, já que era sua décima corrida e, pela primeira vez, ele via uma arquibancada mais ou menos cheia. E parecia mesmo que estava todo mundo mal acostumado. Houve um ar de surpresa quando, após a vitória na corrida do sábado da F2, Mick Schumacher foi bastante aplaudido logo antes de dar sua entrevista. Todo mundo parou por um momento como se pensassem “oh, eles estão aqui’. E, de quebra, deu para sentir o aporte de Mick para a F1.  

Falando em fãs, a adesão dos russos às máscaras não deixou a F1 muito impressionada e o diretor de TV deve ter sofrido para fazer imagens das arquibancadas. Até brincaram que esse aí era o único torcedor usando máscara em Sochi:

Mas o mundo da F1 não é só luta por interesses e um tentando passar por cima do outro. Depois que um membro do time da empresa que cuida das refeições da F1 e da Mercedes testou positivo para coronavírus no sábado, todos tiveram que entrar em isolamento (por isso existem as mini-bolhas). Isso, bem em um GP em que eles estavam fazendo todas as refeições dentro da pista. Para garantir o rango de todos, teve gente da própria F1 (que está levando um time de umas 80 pessoas para a pista, um terço do normal) que arregaçou as mangas e foi para a cozinha.

Falando em coronavírus, o apresentador da F1 Will Buxton foi um dos que testaram positivo e não puderam embarcar. Ele está melhorando aos poucos e, ao que tudo indica, deve estar de volta em Nurburgring. Mas o curioso desta história é que Will mora com uma funcionária da Racing Point, que tinha testado negativo e ido para a Rússia. O time decidiu, por precaução, mandá-la de volta. A Victoria acabou viajando de volta a Londres, ainda na quarta-feira, em um esquema ultra VIP: sozinha em um avião de 220 lugares que a F1 tinha fretado para levar os profissionais para Sochi pela manhã.

Só eu acho que toques de celular com músicas são meio ultrapassados? O celular do Grosjean tocou no meio da entrevista, com uma música romântica, que não deu para identificar porque ele prontamente se desculpou e desligou. Aliás, na primeira corrida que está fazendo de casa, o jornalista Chris Medland recebeu uma entrega (pela qual esperava há 4h) bem na hora em que fazia uma pergunta para Ricciardo. Qual é a chance?

Sobre os direitos de TV no Brasil, que acabaram mesmo com o destino que se desenhava há vários meses, não passou despercebido o fato de a Rio Motorsports ter divulgado uma nota com a palavra da Liberty, mas a Liberty em si não ter feito o anúncio por meio de sua assessoria, para o mundo todo. Isso só deve acontecer quando o pacote estiver completo, ou seja, com um acordo já fechado com uma TV e todas as garantias devidamente colocadas no lugar.

1 comentário Adicione o seu

  1. Andre disse:

    Para mim, mais um ex-Ferrari tem cheiro de acordo político que envolveu a punição a Ferrari em relação aos motores.

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