O que a Red Bull quer com a pressão pelos motores?

Lars Baron/Getty Images/Red Bull Content Pool

Christian Horner e Helmut Marko já deixaram mais do que clara qual é a posição da Red Bull – e, por conseguinte, da AlphaTauri – a respeito de seu futuro quanto ao fornecimento de motores. Eles não querem voltar a ser clientes e sabem que não têm bala na agulha para, em uma questão de meses, montar uma operação boa o suficiente para desenvolver o seu próprio motor, mesmo que a partir do projeto atual da Honda.

Para entender melhor o que está acontecendo nos bastidores, sugiro a leitura de minha matéria de hoje no UOL.

A solução, então, é jogar pressão para todos os lados. Questionando a decisão da F1, pressionada especialmente pela Mercedes, de não mudar o motor junto do restante das alterações de 2021 (que agora ficaram para 2022), jogando toda a culpa pela falta de competitividade nas unidades de potência atuais e, por fim, ameaçando sair, com Marko repetindo para quem quiser ouvir algo que já se tinha conhecimento sobre todas as equipes terem o direito de revogar o Pacto da Concórdia ao final de cada temporada, embora tenham contrato assinado até o final de 2025. E deixando claro que não é interessante para seu projeto ver a Red Bull com um motor e a AlphaTauri com o outro.

Afinal, o que a Red Bull quer? Em um mundo ideal, eles queriam uma decisão sobre como será o próximo motor da F1, que esse próximo motor não fosse tão complicado, inclusive com peças padronizadas, e que isso chamasse a atenção de alguém de fora. Mas isso não vai acontecer no curto prazo. Nem a F1, nem a indústria automobilística sabem qual o melhor caminho para buscar performance no motor. 

Realisticamente, a Red Bull viu na saída da Honda um belo de um atalho e pleiteia para que os motores sejam totalmente congelados “no mais tardar”, nas palavras de Marko, em 2022. Isso daria, inclusive, tempo para que a F1 decida qual caminho seguir em 2026, sem que as montadoras gastem rios de dinheiro até lá.

Mas há um porém: a Ferrari não vai aceitar ficar tão atrás por tantos anos. Eles já pleiteiam a autorização para que recuperem parte do que foi perdido após serem pegos com motor irregular no fim do ano passado, e esse eventual congelamento pode até ajudá-los a pleitear isso. Resta saber o que Renault e Mercedes vão querem em troca.

Até porque, em outras palavras, a Red Bull quer voltar a uma realidade em que o desenvolvimento do carro conta mais que o desenvolvimento do motor porque, assim, eles têm chance contra a Mercedes. Afinal, foi assim que eles dominaram, também, a F1.É um plano que poderia segurar Verstappen, peça fundamental para a estratégia dar certo. A paciência não é a maior das virtudes da família holandesa, e sabe-se lá por quantos anos Hamilton vai renovar. Ficar trocando de fornecedor de UP em uma competição em que o motor se tornou tão importante não é das melhores estratégias para convencer sua estrela a seguir apostando em seu projeto. Conseguir esse congelamento seria daqueles exemplos máximos de tornar positiva uma notícia pra lá de ruim.

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