Entendendo a F1

Por dentro da F1: Quem são os engenheiros de um time de F1?

Muito se fala dos pilotos na Fórmula 1, mas os engenheiros que estão no pitwall (ou não) das equipes também têm seu ar de protagonismo. No caso da Mercedes, toda vez que tem sido questionado sobre os números que Lewis Hamilton vem colecionando, Toto Wolff repete o que se tornou praticamente um mantra: “Todas as milhares de pessoas que trabalham na equipe de F1 e no motor são estrelas na Mercedes.”

Muitos deles são engenheiros, cada um cuidando de uma área do carro, da unidade de potência, da estratégia, e se certificando de que o piloto está chegando o mais próximo possível de seu potencial máximo. E, dentre os engenheiros, há um grupo bem reduzido que faz a operação de pista e que muitas vezes são aquele elo fundamental que vai determinar uma vitória ou uma derrota. Cabe a eles decisões tomadas sob muita pressão e sem o tempo necessário para analisar todos os dados.

Engana-se quem pensa que um time de F1 tem muitos engenheiros na pista. Na verdade, a maioria trabalha na fábrica, e 15 a 20 fazem parte da operação de pista. Mas quem são esses, em quantos são e quais suas funções?

Vou usar o organograma justamente da Mercedes, o tal time das estrelas que está ajudando Lewis Hamilton a obter números impressionantes, para mostrar um pouco mais de como os times de F1 estão organizados por dentro.

Os engenheiros mais “famosos” durante as corridas são os de pista: eles já fazem parte da transmissão, adicionando uma camada de compreensão da corrida que não teríamos não fossem eles. Há também os chefões, diretores técnicos (que às vezes acabam ascendendo a posições mais administrativas, como Binotto na Ferrari e Seidl na McLaren, com resultados diferentes) e os chefes de estratégia que só acabam aparecendo basicamente quando algo não acontece como planejado.

O chefão

James Allison é o diretor-técnico da Mercedes, e não vai para todas as corridas, já que sua função é igualmente importante nos GPs e na fábrica. Ele dificilmente vai “botar a mão na massa” em algum projeto ou tomar alguma decisão de estratégia ou acerto, mas é quem vai avaliar quem deve fazer tudo isso e qual a direção que deve ser tomada.

Diretor de engenharia de pista

Na Mercedes, Andrew Shovlin, um dos remanescentes da BAR (!), que era engenheiro de pista e agora comanda toda a operação de engenharia durante os GPs, fazendo a ponte com a fábrica para que a melhor informação possível chegue a todos os cantos (dos pilotos às simulações em Brackley). Ele também fica encarregado de fazer o trânsito de informações de um carro para o outro.

Engenheiro de pista-chefe

Simon Cole, na Mercedes, tem a função de garantir a confiabilidade do carro em geral, e também é quem tem de saber o regulamento técnico de cor, para evitar punições. Vai partir dele, também, um pedido para o piloto parar de forçar nas zebras, por exemplo. Todas as informações a respeito de coisas que podem afetar a confiabilidade vão chegar até ele e é sua função decidir o que fazer com isso.

Estrategista-chefe

Mais um chefão, mas da parte de estratégia. Esse é conhecido principalmente dos fãs de Bottas, que tremem ao ouvir “Valtteri, it’s James”. Geralmente, as notícias não são boas. Não é ele quem faz a estratégia, ele comanda um time. Mas quando há uma decisão de última hora para ser tomada, é sua responsabilidade. Aliás, essa é uma posição de chefia em que, dos 10 times do grid, há três engenheiras mulheres (Hannah Schmitz na Red Bull, Bernadette Collins na Racing Point e Ruth Buscombe na Alfa Romeo).

Voltando à Mercedes, é essa turma de engenheiros que senta no pitwall por uma divisão simples: são os que trabalham para os dois carros ao mesmo tempo. Em outros times, os engenheiros de pista de cada piloto sentam em cada uma das extremidades, com o chefe no meio.

Mas isso não ocorre na Mercedes. Eles vão para a garagem, em uma “ilha” que divide as duas garagens. Lá estão, do lado de Lewis: Peter Bonnington (aquele do famoso, “Bono, my tyres are gone”), engenheiro de pista,  e o engenheiro de performance trabalham diretamente para o piloto inglês. E há mais um engenheiro que fica posicionado do lado de Lewis, mas que atua em ambos os carros, cuidando dos pneus.

O vídeo é de 2018 e é significativo como o time não mudou muito. Só o engenheiro de pista do Bottas foi para a Fórmula E e foi substituído pelo engenheiro de performance do Lewis.

Do outro lado da garagem, ficam Riccardo Musconi, o Riki, engenheiro de pista (que era engenheiro de performance de Hamilton), e o engenheiro de performance de Bottas. Cuidando de ambos os carros mas, fisicamente, na garagem do finlandês, fica o engenheiro de aerodinâmica.

Trabalhando nos escritórios da equipe na pista, mas fora do que vemos na garagem, estão os engenheiros que ficam mais ligados em questões da unidade de potência. E eles são bem definidos: há o engenheiro de controles, de performance do motor e de sistemas do motor.

E o que eles fazem?

O engenheiro de pista vai tentar munir o piloto de todas as informações que são importantes para ele andar bem durante a corrida, assim como será o elo de ligação entre a equipe e o piloto.

Já o engenheiro de performance é aquele que vai se debruçar sobre os dados de telemetria, ajudando o piloto a encontrar mais performance por meio do acerto e da pilotagem. Ele também fica de olho em possíveis mudanças de diferencial e equilíbrio de freio, reportando diretamente ao engenheiro de pista que, por sua vez, passa as informações para o piloto.

O engenheiro de controles vai focar do câmbio até as configurações do volante. Cabe a ele também analisar os dados dos ensaios de largada que os pilotos fizerem ao longo do final de semana para encontrar o ajuste ideal. E os engenheiros de performance e sistemas do motor têm função complementar: um cuida para que esteja sendo extraído o máximo do motor e o outro fica a cargo de garantir a confiabilidade.

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