Turistando na F1: 10 coisas que você não sabia (e eu também) sobre Portugal

Nos textos aqui do turistando eu geralmente misturo um pouco da minha experiência pessoal com coisas que aprendi por aí viajando para as corridas e entre as corridas. Mas eu tinha uma falha importante no meu currículo: até aqui, nunca tinha ido a Portugal. E olha que logo ultrapasso a marca de 70 países visitados (!)

Então pedi ajuda a eles. Susannah, Cláudia Ralha, Tiago Pires, Lidia Gomes, Hélder Ferreira… desculpe se esqueci alguém. Tiveram várias mãos (portuguesas) contando um pouco sobre seu país.

Os tuk-tuks chegaram “na mala” de um turista no começo da década passada e sua rápida proliferação especialmente em Lisboa entre os turistas é de fazer imaginar por que outras capitais europeias não adotaram a ideia. A regulamentação foi tardia, só mais recentemente, mas os tuk tuks portugueses já têm até investimento da Tesla. Nada como gourmetizar o meio de transporte super popular na Índia e no Sudoeste Asiático: o tuk-tuk elétrico pode superar os 90 mil reais.

Na escola, a gente aprende primeiro a história do Egito antigo, da Grécia, seguida pelo Império Romano e só depois vamos chegar a Portugal, certo? Mas Lisboa já estava lá, de pé. Trata-se de uma das cidades mais antigas do mundo ainda existentes e a mais antiga da Europa ocidental. Acredita-se que os fenícios tenham fundado a cidade por volta de 1200 a.C. Atenas, é claro, é a capital mais antiga, com os primeiros registros com data de 3000 a.C, e Plovdiv, na Bulgária, é a cidade europeia mais antiga, do século VI a.C (e por onde eu deveria passar antes do GP do Azerbaijão não fosse a pandemia).

Foi em Lisboa, também, o terremoto mais forte de que se tem notícia na Europa, em 1775, com  magnitude entre 8,7 a 9 na escala de Richter. Ele destruiu grande parte do sul da Espanha e do Marrocos, e causou um enorme tsunami que atingiu a Irlanda e chegou até no Caribe! Isso me chamou a atenção porque sabemos que terremotos acontecem em locais que estão nas proximidades de falhas tectônicas e esse não é o caso de Portugal. Então fui pesquisar: existe um processo de subducção (alguém mais tendo déjà vu da aula de geografia aqui?) entre as placas da eurásia e a africana. Então uma vai entrando debaixo da outra e isso que causa os terremotos, ainda que menos frequentes. 

Quando se fala em Portugal, uma das fotos que vêm à mente é a arquitetura da ponte 25 de abril. Mas o que dizer do Estádio da Pedreira, construído para a Euro de 2004? É como se fosse uma ponte de suspensão também de certa forma, mas o que os cabos no teto ajudam a equilibrar são as arquibancadas inclinadas. Isso sem falar no lugar escolhido para a construção, uma saída para evitar fazer uma barragem em um rio próximo, além de fomentar o desenvolvimento daquela região na cidade de Braga. Não é a toa que essa obra foi premiada na época da construção.

Como sabemos muito bem, os portugueses navegaram pelos quatro cantos levando consigo produtos que antes não eram conhecidos em certas regiões. Então muita coisa que podemos imaginar que é original destes lugares na verdade foram introduzidos pelos portugueses. O tempura japonês por exemplo, na verdade é português, assim como um molho famoso para frango, o piri piri, que eu tinha certeza que era indiano até saber que se tratava, também, de algo português. E tem mais, foram eles que levaram a pimenta, os pimentões, batatas e tomates aos indianos e também para a Tailândia. Digamos que esses alimentos “se sentiram em casa”,

E, quem diria, é super fácil encontrar pastel de nata em Hong Kong.

Mas existe uma herança desta época que os portugueses garantem que vem deles, mas sobre a qual a história que li é mais convincente: a origem da palavra, no inglês. Ela viria do acrônimo Transporte de Ervas Aromáticas, empresa que vendia o chá comprado na China para os ingleses no século XVII. Mas faz mais sentido a teoria de que, na verdade, foram os holandeses que levaram o chá com o nome de “te” para a Europa, também no mesmo século. Isso porque eles compavam o produto de uma parte costeira da China em que ele era chamado de “te”, enquanto, no restante do país, o anagrama era pronunciado cha. Então quem fez negócios com os chineses das outras regiões ficou com uma palavra próxima a chá (chay, chai, ocha – e olhando o mapa-múndi, eles são a maioria, do Japão até toda a parte da europa que foi dominada pelo Império Otomano, e também a África muçulmana), e quem recebeu o produto que veio dos holandeses chama de té/tea (territórios que eram deles na África e Europa ocidental).

Nessa teoria, só não dá para entender por que os portugueses resolveram chamar a bebida de chá. Mas é uma língua estranha mesmo, não? Alguém aí sabe por que a palavra rosso/rojo/rouge/roșu virou vermelho?

As expedições também espalharam a língua portuguesa, como bem sabemos. Mas o mesmo não aconteceu com o mirandês. Sim, Portugal tem duas línguas oficiais, e o mirandês é falado mais em áreas rurais do norte e, mesmo tendo ganhado o status de oficial há cerca de 20 anos, luta para sobreviver pois a maioria de seus falantes é mais velha. Parece um português muito enrolado, misturado com castelhano. É falado na região de Miranda do Douro, no Nordeste do país, região que nos leva ao próximo item…

Os portugueses têm fama, assim como os outros latinos, de boêmios. E tem vários elementos de sua cultura para comprovar isso: aposto que vocês já se deliciaram com um vinho do Porto, justamente vindo da região demarcada do Douro. E que, em Portugal, existe o vinho verde branco e o vinho verde tinto (o verde, aqui, quer dizer que a uva não é madura, e não tem nada a ver com a cor). Mas e do brandy português, de região controlada e tudo, chamado Lourinhã? 

Também sobra tempo para apaixonar-se por carros. O país, que só tem um pódio na F1 (e é aquele do GP dos EUA de 2005 ainda por cima), teve, por outro lado, carro de marca nacional terminando o Dakar com todos os inscritos – a UMM – União Metalo-Mecânica, em 1984. Mas nem tudo é passado: era para o país ter recebido no começo de outubro a Rampa da Falperra, contando para o mundial de hillclimb da FIA.

E deixo por último uma contribuição importante vinda da terrinha: ninguém com menos de 95 diz “ora, pois”. Que fique o registro.

1 comentário Adicione o seu

  1. LUIZ FERNANDO ARAUJO PEREIRA JUNIOR disse:

    Como diria o Everaldo Marques, você é ridícula, Juliane! O texto é nada menos que excelente, assim como o seu trabalho no rádio. Parabéns!

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