Drops do GP de Portugal e o mercado de pilotos

FIA Pool

“O Brasil perto, disso aqui, parece o Japão”, dizia um membro do pessoal de organização da F1 na sexta-feira em Portugal. Exageros à parte, houve muitas falhas sim, em que pese a hospitalidade que eu compararia, justamente, à do Japão. No final das contas, eles até deram sorte de só uma parte do escoamento de água ter dado problema quando Vettel escapou na curva 14: em três pontos da pista, a confiança não era das maiores de que a estrutura de concreto que segura a tampa dos “bueiros” resistiria. Então, o fato de só uma ter cedido foi um alívio. Até porque o problema demorou 2h30 para ser reparado no sábado justamente porque era mais complexo do que apenas uma tampa que se solta, que é o que normalmente acontece.

As telecomunicações também estão na lista de itens que precisam melhorar para Portimão se candidatar a permanecer no calendário, algo que interessa os administradores da pista. Nem todos os cabos de fibra ótica tinham sido instalados ainda na sexta-feira antes do primeiro treino livre, e as equipes estavam até com problemas para enviarem dados de telemetria. Especialmente neste ano, com mais gente trabalhando nas fábricas, esse é um ponto bastante sensível para eles.

Quem esteve nas arquibancadas também reclamou da organização. Curiosamente, o evento mais ambicioso em termos de público, com mais de 40 mil ingressos vendidos, e até a presença de VIPs em camarotes, era justamente o caçula do campeonato. Para piorar, o cenário da pandemia é mais grave em Portugal agora do que quando foram tomadas essas decisões, e deu no que deu.

Claro que a FIA tem sua parcela de culpa, pedindo tudo de última hora. E tomando algumas decisões questionáveis, como colocar o sensor de limite de pista antes mesmo da zebra na sexta-feira. Já passava das 19h30 na sexta, ou seja, depois da reunião dos pilotos, quando eu terminava minha volta correndo na pista e via Michael Masi fazer sua inspeção nos vários trabalhos que estavam sendo feitos ao longo do traçado. Um deles justamente para alterar as posições dos sensores.

No paddock, a preocupação maior mesmo era com o coronavírus. O número de infectados tem batido recordes nas últimas quatro semanas, sem contar quem testa positivo fora dos finais de semana de corrida. Há várias equipes com caras novas nos boxes, e a conversa é de que a Mercedes quase acabou ficando sem mecânicos, já que foi um deles que testou positivo na Alemanha, o que levou os outros a entrarem em quarentena e o time reserva a ser chamado. E, na volta à Inglaterra, o resultado de um dos membros do time reserva também deu positivo e eles foram colocados em quarentena.

No mercado de pilotos, está bem claro como as equipes estão expostas do ponto de vista financeiro. A Haas, que sempre buscou independência em relação à Ferrari quando o assunto são pilotos deve acabar com dois estreantes ano que vem, e um potencial novo dono do time, Mazepin, ao lado de Mick. E, por conta da opção exercida por Kimi (embora ele negue), muito à revelia do chefe Vasseur, a Alfa deve continuar com a mesma dupla ano que vem. Questões comerciais, novamente, pressionam.

O nome de Tsunoda é dado como praticamente certo na AlphaTauri, ou seja, podemos ter três estreantes vindos da F2, e um reestreante, Alonso. E quem ficaria sem vaga no momento seriam Grosjean, Magnussen, Perez e Kvyat.

Então o cenário mais interessante é mesmo, quem diria, na Williams. Vários pilotos bateram nas portas dos novos donos para entender qual o plano deles para os próximos anos. Claro que dinheiro interessa e experiência, também. E quem sobraria seria Russell, já que se a Williams está de pé hoje, é pelo pai de Latifi. A Mercedes já avisou que não pode fazer nada por ele. Por outro lado, não dá para ignorar o fato de que o contrato de Lewis Hamilton não está assinado, e ele vem dando alguns sinais estranhos em relação a como vê seu futuro. Ele diz que quer ficar e tem enormes chances de aumentar seus números e chegar a oito títulos em 2021, mas a duração do contrato é um problema, e os compromissos extra-pista definidos por ele, também. 

3 comentários Adicione o seu

  1. ]Muguello[ disse:

    Ju, até que ponto a saída de Hamilton seria bom p/ a F1? O campeonato ficaria realmente mais disputado, ou qualquer outro piloto bom, mas não necessariamente excepcional, ganharia com tranquilidade?
    Existiria alguma outra função que ele pudesse fazer na F1, que não piloto, que manteria o interesse de seus fãs na F1?

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  2. Pedro Moral disse:

    Juliana, pelo seu texto, pode-se esperar uma grande reviravolta no mercado de pilotos para já em 2021? Perez alinha na Willians com Latifi, Russel vai pra Mercedes com Bottas e Hamilton aposenta e volta a “tricotar” com Rosberg no mundo Eletrico?

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    1. O mais provável no momento é que Perez sobre. Existe certa tranquilidade do lado da Mercedes de que Russell será mantido.

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