Drops do GP da Emilia Romagna e o segundo lockdown na Europa

FIA Pool

Foi de um jeito meio desinteressado, sentado meio de lado na cadeira de entrevistas, com os braços apoiados no encosto, que Lewis Hamilton respondeu à pergunta, que era sobre Wolff, dizendo que “nem sei se vou ficar aqui ano que vem”. Pareceu um jeito estranho de fugir de uma resposta. E é claro que os tabloides ingleses foram em cima, e ele respondeu calmamente que “tem muita coisa na minha cabeça no momento”. Imagino eu que a Mercedes não tenha gostado de ver suas manchetes pelo títulos roubadas dessa maneira, mas também já entrevistei Hamilton vezes suficientes para saber que vez ou outra ele exagera nessas falas logo após a corrida. 

Há cada vez mais casos de coronavírus e cada vez mais dúvidas sobre as contas que a FIA faz em sua divulgação. Veja bem: o órgão de saúde de Portugal informou que houve 14 positivos entre os profissionais da F1 testados por lá, ou seja, nos testes conduzidos na semana da prova até o domingo. Os resultados divulgados pela FIA são sempre de sexta a quinta, e só contam os positivos dos testes feitos na pista. Oficialmente, foram 8 positivos semana passada e 9 positivos até essa quinta. Isso significa 17 no total, ou seja, apenas três positivos em Imola.

Pode ser real? Pode. Mas havia casos na Williams, houve gente da Renault que teve que voltar entre uma corrida e outra, havia pessoas isoladas na equipe da própria F1, e as dúvidas surgem porque a impressão é de que os números não batem.

Lembrando que a ideia de todas as restrições não é acabar com os casos, isso seria irreal. O foco dos testes contínuos e do estabelecimento das mini-bolhas é evitar que o vírus se espalhe no paddock e pare o campeonato. E isso tem funcionado e é inclusive importante para a F1 convencer os governos de que é seguro recebê-la. É esperado que haja casos, até porque a segunda onda está vindo forte na Europa, que o grupo que está ao redor de quem testa positivo fique isolado, e que eles sejam substituídos por quem está na fábrica, pois sempre há um time B de prontidão, mas há outras áreas em que não é tão fácil encontrar peças de reposição e tem gente trabalhando por dois e sobrecarregado, ainda mais com uma temporada já tão intensa como esta. 

Em relação às próximas etapas e ao funcionamento das fábricas, primeiramente usa-se o termo de segundo lockdown, mas as regras são diferentes, com as pessoas indo trabalhar se não puderem fazê-lo de casa. E a F1 tem um “selo” de esporte de elite para fazer as viagens sem que isso signifique burlar as regras. Só deve ser praticamente impossível para quem viaja de forma independente, como os jornalistas, estarem presentes.

Entre os países para os quais a F1 vai neste ano, são os Emirados Árabes que têm as regras mais duras e, para fazer Abu Dhabi, será montado um esquema especial, com voos fretados para levar todo mundo do Bahrein para lá, e com os profissionais “presos” na Yas Island.

Dentro deste contexto, o calendário de 23 corridas apresentado às equipes foi bem recebido como uma forma de mostrar força para os acionistas. “Se você começar já com comprometimentos, não chega a lugar nenhum”, definiu Guenther Steiner. E é esse o pensamento: é muito difícil que o calendário seja seguido, porque a pandemia não vai desaparecer de uma hora para a outra, mas é importante abrir as possibilidades.

Até porque a estimativa é de que as equipes tenham 50% do que normalmente receberiam por esta temporada, já que esta é a queda de arrecadação prevista. As corridas que estão sendo feitas não rendem o mesmo, obviamente, e na verdade representam a maior queda na receita. Sem ter recebido o contratado, as TVs estão em pé de guerra também para pagar menos, e, assim como em relação ao calendário, ninguém espera que a situação se normalize totalmente ano que vem.

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Isso, é claro, influencia diretamente no mercado de pilotos. Mas não exatamente os salários, como a discussão sobre um teto também para eles leva a crer. A F1 pode impor o limite que quiser, mas há muitas maneiras de contornar isso. Os contratos dos pilotos variam muito – há quem ganhe um salário + bônus por pontos, vitórias, etc., há quem não seja totalmente pago pela equipe. Claro que a crise diminui os salários que estavam inflacionados, mas o talento sempre será recompensado.

Quer dizer, talvez nem sempre. Russell quis passar tranquilidade neste final de semana, mas ainda não está muito claro de onde vai vir o orçamento da Williams para o ano que vem. Até que isso aconteça, ou até que a Red Bull tome sua decisão final sobre o futuro de Albon (já que isso poderia tirar Perez do mercado), é justo que o mexicano tenha alguma chance. A Daimler acaba de anunciar um corte de 20% nos gastos mundiais, e não vai deixar de ganhar dinheiro com sua cliente para manter Russell no grid ano que vem, e Perez pode melhorar sua proposta, trazendo mais dinheiro dos patrocinadores e pegando menos de volta para si (os números variam dependendo da fonte, mas hoje ele deixaria para a Racing Point somente um ou dois milhões, no máximo – há quem diga que ele pega tudo o que traz dos patrocinadores, inclusive).

4 comentários Adicione o seu

  1. Eric Bernardes dos Santos disse:

    Com essa crise sobra menos dinheiro para as equipes gastarem com a f1, nesse caso até em equipes grandes um dinheiro a mais seria bem vindo, nesse caso uma porta na red bull poderia se abrir para o pérez. Porém o Max já disse mais de uma vez que prefere o hulkenberg, seria por causa do temperamento difícil do pérez, podendo o mexicano criar alguma discórdia interna? Porque o pérez não têm perfil de aceitar eventuais ordens de segundo piloto. Julianne, quem desses dois está com mais chances de pegar a vaga? Porque corrida após corrida o albon só piora, eu sei que você falou que eles devem manter o albon na red bull, mas acho que essa possibilidade está ficando insustentável.

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  2. Paulo Salles disse:

    Ouvi quase de tudo…menos o motivo da entrada do SC! O que se passa com o Ocon?

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  3. tiago disse:

    O esquema de Abu Dhabi deve ser semelhante ao que o UFC fez por lá, naquele mesmo hotel da pista.

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    1. Só com um detalhe que é uma operação “um pouco” maior

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